Mais uma vez, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) foi notícia na imprensa nacional. Nesta terça-feira (1º/04), o portal progressista Brasil de Fato deu destaque para a preocupação da Fenae com o alto índice de adoecimento mental entre trabalhadores do sistema bancário no Brasil, especialmente os da Caixa.

O portal destacou que 80% dos trabalhadores do setor relataram ter enfrentado pelo menos um problema de saúde relacionado ao trabalho. Destes, quase metade buscaram acompanhamento psiquiátrico, e 91,5% receberam prescrição de medicamentos. A pesquisa, realizada em 2024, entrevistou 5.803 bancários de todo o Brasil, sendo 50,7% mulheres e 48,3% homens.

A reportagem também ouviu o presidente da Fenae, Sergio Takemoto, que alertou que os dados podem ser ainda maiores devido à subnotificação. “Muitos afastamentos por doença mental são classificados como acidentes de trabalho pelo código B91, mas há uma grande subnotificação. Por isso, os números divulgados estão muito abaixo da realidade”, afirma. O código B91, utilizado pelo INSS, se refere a doenças ocupacionais relacionadas diretamente às atividades laborais.

Segundo dados da pesquisa usada pela reportagem, na Caixa Econômica Federal (Caixa) a situação é alarmante e preocupa órgãos fiscalizadores. “Entre 2012 e 2022, houve um aumento de 135% nos afastamentos por doenças mentais. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), em 2022 foram registrados 395 afastamentos, o maior número da série histórica desde 2012. Do total de afastamentos acidentários, 73% estavam relacionados a transtornos mentais e comportamentais. No Distrito Federal, foram 35 casos apenas naquele ano.

Para Takemoto, o crescente adoecimento dos funcionários deve-se à pressão diária por metas e ao modelo de gestão do banco. “Os bancos têm registrado lucros recordes, mas isso ocorre às custas da saúde dos empregados”, diz. Ele critica também o impacto da estrutura organizacional da Caixa, que cria uma dependência extrema dos empregados em relação aos seus cargos. “Quando um funcionário assume um cargo gerencial, seu salário pode triplicar ou quadruplicar. Mas, se ele perde essa função, volta ao salário base. Isso gera uma pressão constante para entregar resultados, o que leva ao adoecimento”, declarou Takemoto à reportagem. 
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