A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) esteve presente na Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa), na última quinta-feira (7/5), e concedeu entrevista à entidade para falar sobre temas centrais para os empregados da Caixa e para a sociedade brasileira, como a defesa dos bancos públicos, as relações de trabalho no setor bancário e a participação das mulheres na política. 

Na conversa, a parlamentar também abordou os impactos da reforma trabalhista, criticou a cultura de metas abusivas nas instituições financeiras e reforçou a necessidade de ampliar o combate à violência de gênero e ao feminicídio.

Confira a entrevista:

Fenae: A senhora tem uma trajetória marcada pela defesa dos bancos públicos. Qual é a importância da Caixa e dessas instituições para o desenvolvimento do país?

Erika Kokay: Os bancos públicos são fundamentais no Brasil, porque trabalham com uma política de crédito inclusivo. A Caixa, por exemplo, não é apenas uma empresa. Ela é a principal articuladora de políticas sociais no país e está onde a população precisa, enquanto os bancos privados, geralmente, estão onde há retorno financeiro. E, em se tratando da Caixa, é uma instituição estratégica para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. A Caixa financiou cartas de alforria ao longo da história e segue sendo um patrimônio do povo brasileiro. Nós sofremos muitos ataques no governo anterior, inclusive tentativas de fatiamento e privatização da instituição. Por isso, é fundamental preservar a Caixa e garantir que ela continue cumprindo sua função social.

Fenae: Nos últimos anos, trabalhadores do setor bancário, especialmente os da Caixa, têm relatado aumento da pressão por metas e mudanças nas relações de trabalho. Como a senhora avalia esse cenário?

Erika Kokay: Nós tivemos muitos ataques aos trabalhadores e trabalhadoras nos últimos anos, especialmente com a reforma trabalhista, a terceirização irrestrita e a precarização das relações de trabalho. O sistema de metas nos bancos se tornou um sistema opressor. Eu digo que é um assédio moral inominado, porque independe da relação interpessoal. É uma lógica de organização do trabalho que adoece. O trabalhador fica refém das metas, muitas vezes inexequíveis, e passa a carregar essa pressão para dentro da própria vida. Hoje, muitos bancários dependem das funções comissionadas para manter sua renda, e isso gera medo constante de perder salário e estabilidade. Precisamos rever esse modelo e construir ambientes de trabalho onde as pessoas possam se sentir respeitadas, realizadas e felizes.

Fenae: Quais medidas precisam ser discutidas para melhorar as relações de trabalho e combater o adoecimento dos trabalhadores?

Erika Kokay: É preciso repensar profundamente as relações de trabalho. Nós precisamos combater o assédio moral, inclusive aquele que está embutido na própria organização do trabalho. As metas precisam ser construídas com participação dos trabalhadores. Não pode existir um ambiente baseado apenas em pressão e produtividade a qualquer custo. O trabalho não pode ser um espaço de opressão e adoecimento. Nós estamos discutindo hoje temas fundamentais, como saúde mental, felicidade no ambiente de trabalho e redução da jornada. Há experiências internacionais que mostram que trabalhadores felizes produzem mais. As pessoas são mais produtivas quando se sentem respeitadas e pertencentes. Precisamos avançar em modelos que valorizem a dignidade humana dentro do ambiente de trabalho.

Fenae: A senhora é uma voz histórica na defesa dos direitos das mulheres. Como avalia os desafios para ampliar a participação feminina na política e enfrentar a violência de gênero?

Erika Kokay: É preciso dar um basta no feminicídio. As mulheres morrem porque são mulheres. O feminicídio começa antes da violência física, começa numa desumanização simbólica. Precisamos enfrentar a violência de gênero em todas as suas dimensões. Também é fundamental romper a sub-representação feminina na política. As mulheres são maioria da população, mas ocupam menos de 18% das cadeiras da Câmara dos Deputados. Isso é expressão de violência política de gênero. Defendemos cotas de cadeiras para mulheres e mais políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência. É muito importante o fortalecimento do Ministério das Mulheres e de políticas como o Ligue 180. Também precisamos discutir gênero nas escolas e combater a misoginia, porque ela alimenta a violência contra as mulheres. Queremos uma sociedade em que as mulheres possam viver sem medo e com dignidade.

Confira o primeiro vídeo da entrevista com a deputada Erika Kokay: 

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