No Dia Internacional de Conscientização sobre o Autismo, celebrado neste 2 de abril, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) se une ao Coletivo Caixa Autista para chamar atenção para a necessidade de inclusão e igualdade de oportunidades para as empregadas e empregados com Transtorno do Espectro Autista (TEA) que trabalham no banco. 


De acordo com o Coletivo Caixa Autista, grupo que reúne autistas empregados da Caixa de todo país, nos últimos anos, tem crescido a visibilidade das dificuldades enfrentadas pelos empregados autistas e com outras neurodivergências na Caixa Econômica Federal. Muitos deles encontram barreiras, que vão desde o reconhecimento da sua condição como pessoa com deficiência até a obtenção de suporte adequado no ambiente de trabalho.


Segundo a coordenadora-geral do Coletivo Caixa Autista, Larissa Argenta Ferreira de Melo, a jornada começa já na busca pelo diagnóstico. A rede credenciada do Saúde Caixa possui poucos profissionais especializados em avaliação neuropsicológica para adultos, tornando o processo ainda mais difícil. Muitos empregados descobrem sua condição após o diagnóstico de seus filhos, mas esbarram na falta de recursos para obterem sua própria avaliação.


“Mais do que números, essa luta é sobre pessoas. Empregados autistas existem na Caixa, mas muitos têm medo de se assumir por conta das barreiras e do preconceito. Estamos aqui para mudar essa realidade e garantir que todos tenham seus direitos respeitados”, defende Larissa, que é autista e bancária da Caixa. 


O presidente da Fenae, Sergio Takemoto, reforça que a Caixa precisa assumir seu compromisso com a inclusão e garantir que empregados autistas tenham seus direitos respeitados. “É inaceitável que ainda enfrentem barreiras para o reconhecimento da sua condição, acesso a suporte adequado e igualdade de oportunidades. A Fenae assume o compromisso de cobrar da Caixa medidas concretas para assegurar um ambiente de trabalho mais inclusivo, com políticas claras de acolhimento e respeito à neurodiversidade", destaca Takemoto. 


Segundo Larissa, o Coletivo Caixa Autista surgiu dentro do movimento de neurodivergentes da Caixa Econômica Federal, diante das dificuldades enfrentadas pelos empregados autistas no reconhecimento de sua condição como pessoa com deficiência. Além disso, há desafios na obtenção de profissionais credenciados pelo Saúde Caixa para avaliação neuropsicológica e acompanhamento de autistas adultos, bem como obstáculos relacionados ao preconceito, capacitismo e até descomissionamentos após a apresentação do diagnóstico.

O coletivo será lançado oficialmente no dia 2 de abril, em um evento no Sindicato dos Bancários de Brasília, trazendo à tona uma pauta urgente: a subnotificação dos empregados autistas na Caixa e a necessidade de mudanças estruturais.

“O coletivo tem como objetivo fortalecer a inclusão, promover a conscientização sobre o autismo no ambiente corporativo e garantir que todos tenham voz, apoio e oportunidades para crescer profissionalmente em um espaço que valorize suas singularidades”, finaliza. 

Saiba mais 

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento que afeta a comunicação, a interação social e o comportamento, com características e níveis de suporte variados. O diagnóstico precoce e o tratamento personalizado são essenciais para o desenvolvimento e a qualidade de vida da pessoa com autismo.