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27/04/21 18:18 / Atualizado em 27/04/21 18:29

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“Vamos dar nome aos bois: o que estão fazendo com a Caixa é, sim, privatização”, diz Maria Fernanda, ex-presidenta do banco

Live explicou a estratégia do governo e da direção da Caixa para privatizar o único banco 100% público do país

IPO da Caixa Seguridade e a devolução dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCD) têm objetivos comuns: são ações orquestradas pelo Governo e pela direção do banco para privatizar a Caixa e esvaziar sua capacidade de manter as políticas públicas e investir no desenvolvimento do país. Tudo isso para o governo pagar juros da dívida pública, em benefício dos bancos e investidores privados – maiores detentores dos títulos públicos. Estas afirmações foram consenso entre os participantes da live que a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal realizou ontem, segunda-feira (26).

O presidente da Federação, Sergio Takemoto, explicou que os recursos com a privatização da subsidiária não voltam para aumentar o capital do banco. A possível venda da Caixa Seguridade vai retirar recursos que dão sustentação aos programas sociais para a população. E mais – a abertura de capital do braço de seguros vai na contramão dos outros bancos.

“Se fosse bom, os bancos privados fariam. O braço de seguros representa uma fatia muito lucrativa. No Bradesco, a área costuma ser responsável por cerca de 50% do lucro do banco; na Caixa é a mesma coisa”, informou Takemoto. “Mesmo se fosse um bom negócio para a Caixa – o que não é, este não seria o momento adequado. Várias empresas com objetivo de fazer abertura de capital suspenderam o negócio por entender que o momento é péssimo. A direção do banco está vendendo a Caixa Seguridade pela metade do preço avaliado no final do ano passado”, destacou.

Juvandia Moreira, presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), lembrou que o Banco do Brasil abriu o capital do BB Seguridade em 2013, mas a decisão fez o banco perder rentabilidade. “A gente não abre mão do setor que dá mais lucro, a gente não divide os lucros com a iniciativa privada. Não tem cabimento isso que o governo Bolsonaro e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, estão fazendo. Eles estão entregando uma parte importantíssima da riqueza que a Caixa tem”, analisou Juvandia.

Parte dos recursos da possível venda das ações será destinada à antecipação dos Instrumentos Híbridos de Capital e Dívida (IHCDs), que não tem prazo para serem devolvidos. Portanto, a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), determinou a devolução dos recursos, contraria a auditoria do próprio Tribunal quando deu parecer favorável às operações. É o que confirmou a ex-presidenta da Caixa, Maria Fernanda Coelho.

“Para que a Caixa fizesse estas operações, passou por todos os órgãos de controle e fiscalização, inclusive o TCU. Passou pelo Banco Central, Tribunal de Contas, auditorias internas e externas – todos deram parecer de que as operações foram rigorosamente auditadas e consideradas regulares”, informou.

Maria Fernanda considerou que tanto a devolução dos IHCDs como a oferta pública das ações da Caixa Seguridade têm objetivo de fazer Caixa para o Governo pagar dívida e também privatizar a Caixa. “Uma coisa super importante que a Fenae e a Contraf estão fazendo é dar nome aos bois – a gente tem que chamar de privatização o que é privatização. A gente ouve falar em desinvestimentos, venda de ativos. Mas temos que nominar corretamente – estão privatizando a Caixa”.

Paralisação -  A coordenadora da Comissão Executiva de Empregados da Caixa (CEE/Caixa), Fabiana Uehara Proscholdt, falou sobre a paralisação do dia 27 de abril. A mobilização dos empregados é motivada por uma série de ataques tanto contra a instituição financeira, como aos direitos históricos dos trabalhadores. Além do enfrentamento ao IPO da Caixa Seguridade e da pressão do governo para a devolução dos IHCDs, Fabiana informou outras razões para a paralisação.

“Também lutamos pelo pagamento correto da PLR Social, por melhores condições de trabalho e de atendimento à população, por meio de mais contratações, pela proteção contra a Covid-19 e vacinação prioritária para os bancários. Para tudo isso a Caixa precisa continuar 100% pública. Não nos faltam motivos para a paralisação. A direção do banco precisa respeitar os nossos direitos e vamos sobreviver a todos esses ataques”, destacou a coordenadora da CEE/Caixa.

Se você perdeu a live, assista aqui. E conheça as estratégias do Governo Bolsonaro e do presidente do banco, Pedro Guimarães para privatizar o único banco 100% público do país.

 

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