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07/07/2021 09:57 / Atualizado em 07/07/2021 10:11

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Vacinação contra a Covid-19: mistura de sentimentos entre os que já se imunizaram e os que ainda aguardam

Para especialista, a demora acaba criando situações conflitantes nas famílias e comunidades. De qualquer modo, todos devem ter atenção e as medidas de prevenção não devem se afrouxar

A convivência entre quem já tomou a vacina contra a Covid-19 e aqueles que ainda aguardam pode causar medo, insegurança e apreensão. Além da angústia acarretada pela situação de pandemia, sentimentos conflituosos surgem nas famílias e comunidades onde alguns já estão protegidos e outros não.

Sem uma coordenação eficiente da política nacional de vacinação, integrando estados e municípios, as falhas nos calendários e cronogramas para os grupos prioritários e por idade geram muitas incertezas. 

Jovens não vislumbram um calendário que venha atendê-los a curto ou médio prazo. Outros, que já receberam as doses, convivem com um ente querido, em situação também vulnerável, que ainda aguarda a hora de tomar a vacina.

Laura Cruz, 22 anos, estudante do curso Gestão de Agronegócios da Universidade de Brasília (UnB), diz que se sente feliz com o fato de seus pais já terem se vacinado e por diminuir a preocupação com a saúde de ambos, mas ainda tenta se adaptar à rotina de fazer tudo de casa e imagina a longa espera que ainda terá pela frente para se vacinar. 

“Me sinto feliz por meus pais já terem tomado a vacina. Isso reduz um pouco a preocupação diante da vulnerabilidade deles, que têm mais necessidade de sair de casa, e por eles já terem tido a doença uma vez. Não sei quando chegará a minha vez de vacinar. Procuro me adaptar a essa situação complicada de fazer tudo de casa pelo computador, mas fico com a sensação de que deveria estar fazendo alguma coisa à mais. A mistura de ambiente de estudo e de lazer traz muito nervoso", diz Laura Cruz que reconhece como vantagem poder estudar em casa de onde pode continuar compromissos sem sair e se expor. 

A estudante conta que passou a evitar usar o computador após o fim do semestre letivo da universidade para diminuir os sentimentos de ansiedade devido ao confinamento: "Eu acordava na madrugada pensando nos estudos, pensando que estava faltando algum compromisso. Achei que para evitar isso eu devia diminuir o uso do computador até as coisas irem melhorando. Mas ainda bem que meus pais já vacinaram, é mais tranquilo. Também não vejo a minha hora de ser imunizada e que todos também consigam se vacinar", ressalta Laura.

A psicóloga Daniela Sanches Tavares, que integra o projeto Covid-19 como uma doença relacionada ao trabalho diz que a pandemia pode ser equiparada a uma situação de emergência ou grande desastre em saúde pública. “As populações, comunidades e indivíduos serão atingidos em graus e modos muito diferentes, de acordo com a posição que ocupam no tecido social: melhor ou pior situados".

A especialista avalia que as disputas políticas no país não pouparam nem as medidas preventivas mais elementares, como o provimento de vacina e a demora do processo de vacinação da população acaba criando situações conflitantes e esdrúxulas nas famílias e comunidades. "O grande intervalo de tempo entre a imunização dos pais e dos filhos cria situações de difícil manejo. A demora na vacina já afetou a saúde mental, a escolarização e o futuro de muitos jovens, e a família toda, claro, tem sua saúde mental afetada com isso", sentencia.

A servidora pública que atua em licenciamento sanitário em Brasília, Valdirene Santana, foi a primeira da família a se imunizar devido à possibilidade de exposição ao novo coronavírus no trabalho, mas ficou apreensiva por mais de cinco meses pela situação da família, sem a mesma proteção. 

“Assim que me vacinei tinha pessoas na família com comorbidades que ainda não tinham se vacinado. Minha mãe de 76 anos, minha filha e o meu marido, todos com mais de uma comorbidade. Eu ficava muito preocupada, pois acabava convivendo com todos e, mesmo seguindo todos os protocolos, me sentia insegura, angustiada e preocupada", conta Valdirene, ao observar que depois de ser contaminada pela Covid-19 precisou fazer tratamento de reabilitação pulmonar, situação que levou cerca de seis meses. 

“Fiquei com nódulos nos pulmões, mas me tratei. Só não voltei a repetir os exames para saber como ficou. Quis me resguardar e evitar alguns ambientes. Mas me sinto bem e espero que os pulmões estejam 100%. Vou seguindo a vida e, agora, um pouco mais tranquila porque os que têm comorbidade já se vacinaram. Mas ainda tem as duas crianças em idade escolar que não deixo voltarem para a escola para evitar qualquer coisa”, diz Valdirene ao afirmar que manter todos os cuidados recomendados pelas autoridades de saúde é o melhor se fazer. 

A psicóloga Daniela Tavares reconhece que o medo das famílias agora é com os jovens e crianças, já que aumentaram os relatos de mortes nessa faixa etária. Além dos dramas da pandemia, dos sintomas prolongados das sequelas, das situações em família e no ambiente de trabalho, ainda há as informações vindas de autoridades políticas que contradizem as recomendações de especialistas, avalia Daniela. 

Pesquisa 

A partir do projeto Covid-19 como uma doença relacionada ao trabalho, a psicóloga e pesquisadora Daniela Tavares afirma que os dados levantados vão ajudar na organização de ações de combate à doença, de promoção da saúde do trabalhador, além da busca pelos direitos dos trabalhadores, caso seja necessário. 

A pesquisa é de iniciativa de um grupo autônomo de pesquisadores para a produção de um dossiê sobre a doença nas diversas atividades de trabalho por meio de informações e percepções de pessoas que trabalharam e trabalham durante a pandemia fora de domicílio ou dentro de suas casas em companhia de colegas. 

A pesquisa conta com aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual de São Paulo (UNESP) e o apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT) de Campinas. Articulada com o campo da sociologia e política da FESPSP - Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo do Instituto Walter Leser, a investigação quer ouvir tanto os trabalhadores do mercado formal como informal.

Acesse e responda a pesquisa

A Fenae é uma das entidades que assinaram acordo de cooperação técnica para realização da investigação, já que empregados da Caixa, assim como os bancários, estão expostos ao novo coronavírus no ambiente de trabalho. Sergio Takemoto ressalta que cerca de 70% dos bancários da Caixa Econômica Federal atuam em agências ou em outras unidades do banco onde faltam ventilação, janelas ou abertura para o ambiente externo. 

Junto com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), a Fenae vem se mobilizando, desde o início da vacinação, pela inclusão da categoria bancária nos planos nacional, estadual e municipal de imunização, tendo como referência a reivindicação por vacina já para todos.

Onde procurar ajuda psicológica neste momento de pandemia? 

Ligue para uma Unidade Básica de Saúde do SUS e informe-se sobre as opções.

Se tiver um vínculo de trabalho que inclua um plano de saúde, é provável que tenha direito a tratamento psicológico (verifique se seu plano inclui sessões de psicoterapia).

Os sindicatos também costumam oferecer algum tipo de apoio psicológico e alguns desenvolvem práticas grupais de apoio a adoecidos pelo trabalho, o que poderá também ajudar.

Para quem não tem acesso a essas opções (trabalhadores com contratos precários ou autônomos), existem opções de apoio psicológico online, algumas delas gratuitas e outras com valores acessíveis. Há ainda opções online que criam oportunidades de conversa, de escuta e de apoio. Confira as sugestões aqui

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