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23/06/20 20:24 / Atualizado em 23/06/20 20:31

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Sob risco de enfraquecer o papel social da Caixa, Pedro Guimarães confirma privatização de áreas estratégicas do Banco

Na avaliação do presidente da Fenae, setores que estão na mira da privatização são fundamentais para sustentar os programas sociais da Caixa

A crise causada pela pandemia confirmou a importância das empresas estatais como o Sistema Único de Saúde (SUS) e a Caixa Econômica Federal. O banco público demostrou ser imprescindível no socorro à população, com o pagamento do auxílio emergencial; e à economia, com a concessão de empréstimos ao setor produtivo. Ainda assim, o presidente do Banco, Pedro Guimarães, voltou a reforçar os planos de privatização da Caixa.

Em entrevista ao jornal Estadão na tarde desta terça-feira (23), Guimarães, confirmou a venda de setores estratégicos do banco público. “Nós podemos e iremos abrir o capital. Temos ainda algumas decisões internas para serem tomadas, mas o caminho está muito claro: abertura de capital das operações de seguros, de cartões, de asset [gestão de recursos] e uma discussão de loterias que passa por uma outra discussão legal”, disse.

Para Sérgio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), a declaração de Guimarães não é uma surpresa e reacende a intenção de privatizar o banco público, fundamental para auxiliar a população durante a pandemia e para reerguer a economia no período pós-crise.

Na opinião de Takemoto, com a crise econômica causada pela Covid-19, a Caixa mostrou, mais uma vez, seu papel imprescindível para os brasileiros e para a economia do País. Diante da omissão do governo e dos bancos privados, a Caixa assumiu, sozinha, a sua função social e realizou o pagamento do auxílio emergencial para mais de 64 milhões de brasileiros. E manteve, de pé, os outros programas que ajudam a população a enfrentar a crise”, ressaltou.

Além do pagamento do auxílio emergencial, agora a Caixa vai focar na oferta de crédito para as micro e pequenas empresas. Para o presidente da Fenae, é mais uma prova da fundamental contribuição da Caixa para fazer a economia do País voltar a girar.

Durante a entrevista, Guimarães ressaltou que a Caixa vai manter seu papel social, mas a venda dos quatro setores (seguros, de cartões, asset management e loteria) são importantes para a Caixa e “não são o coração do banco”. Takemoto discorda. “Atingem não só o coração como a razão de existir da Caixa como banco público. Estes setores são essenciais para sustentar os programas como o Minha Casa Minha Vida, Bolsa Família, Fies (Financiamento Estudantil) e outros tantos programas”, disse.

Como exemplo, Takemoto lembrou o balanço da Caixa divulgado em maio deste ano. As Loterias Caixa arrecadaram R$ 4 bilhões no primeiro trimestre. Cerca de R$ 1,5 bilhão foram transferidos aos programas sociais do Governo Federal nas áreas de seguridade social, esporte, cultura, segurança pública, educação e saúde. O repasse corresponde a 37,2% do total arrecadado. “De onde sairão estes recursos se a Loteria for vendida?”, questiona o presidente da Fenae.

Projeto de Lei prevê paralisação das privatizações até 2022 – Para tentar segurar “o ímpeto do Governo de entregar o País” com as privatizações, tramita na Câmara dos Deputados o PL 2715/2020, que propõe a suspensão das privatizações até 1 ano após o fim do estado de calamidade pública. Na prática, os processos de desestatização e desinvestimentos só poderão ser retomados em 2022.

 Para o deputado Enio Verri (PT/PR), um dos autores do projeto, além de vender barato por conta da desvalorização das empresas diante da pandemia, a privatização dos setores anunciados por Guimarães também vai prejudicar a população. “Privatizar setores essenciais como o de cartões, loterias e o de seguros é um equívoco, dentro do princípio de reduzir a desigualdade regional e social no país. Se a Caixa fica menor ou mais frágil, sua capacidade de negociação ficará reduzida. Isso fará com que o banco passe a intervir menos na economia e na vida das pessoas mais pobres”, alerta.

As deputadas Fernanda Melchionna (Psol/RS), Joênia Wapichana (Rede/RR) e Perpétua Almeida (PCdoB/AC) também são autoras do PL, que recebeu 93% de apoio popular. Neste link é possível dar sua opinião e votar na enquete da Câmara: https://forms.camara.leg.br/ex/enquetes/2252846    

 

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