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09/09/2021 15:07 / Atualizado em 09/09/2021 15:12

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Sinais de retomada com baixo ritmo de crescimento da economia aprofundam a desigualdade

Para César Andaku, a pandemia deixou nítidas algumas contradições do mercado de trabalho brasileiro, que é desigual, concentrador de renda e privilegia os setores mais ricos. Ele disse que vacinação lenta, desemprego e inflação nas alturas desafiam a recuperação da atividade econômica

Para o economista César Andaku, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o Brasil registrou a retomada de um baixo ritmo de crescimento na economia que vinha de antes da pandemia, com aprofundamento das desigualdades. Ele definiu essa situação restrita como heterogênea, resultado ao mesmo tempo do aumento das disparidades sociais e regionais e de um processo muito lento da vacinação contra a Covid-19, provocando em consequência contaminação e milhares de mortes que poderiam ser evitadas.  
 
“A retomada da atividade econômica depende menos do avanço da cobertura vacinal e mais da política governamental na condução da economia ou do que pode ser feito para diminuir a desigualdade social no país, mesmo com perda do emprego e da renda no mercado de trabalho”, afirmou o economista do Dieese. Segundo César Andaku, o cenário de crescimento baixo e inflação alta volta a rondar o Brasil, não sendo positivo para a economia o processo de estagflação, com pandemia, desemprego alto e instabilidade política, aliada a uma onda de revisões do Produto Interno Bruto (PIB) para baixo e dos preços para cima.  
 
O técnico do Dieese lembrou que a pandemia deixou ainda mais nítidas muitas das contradições existentes no mercado de trabalho brasileiro, que é desigual, concentrador de renda e que privilegia os setores mais ricos em detrimento dos mais pobres. Ele opinou também que, durante a crise sanitária, vem acentuando-se um aumento do número de pessoas em situação de extrema pobreza e desempregadas, notadamente daquelas com menor nível de escolaridade.  
 
O economista disse ainda que a inflação alta tem impactado mais intensamente as classes com rendimentos mais baixos, para as quais o custo da alimentação apresenta um peso maior. E declarou: “Muita gente está sendo excluída do mercado de trabalho e a concentração da renda não permite um crescimento econômico mais equilibrado”. 
 
De acordo com Andaku, a questão da pandemia deveria influenciar mais a economia. “O avanço da vacinação tem relação direta com a redução das mortes por coronavírus no país. Para turbinar a economia, com mais controle da inflação e ações de enfrentamento do desemprego, que é um dos sinais da desigualdade, o economista citou a necessidade e urgência da tributação incisiva sobre os mais ricos, com melhor distribuição de renda e riqueza, além de um conjunto de medidas que poderiam ser adotadas. 
 
O crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre de 2021, em comparação ao mesmo período e ao último de 2020, registrou heterogeneidade entre os setores econômicos. O técnico do Dieese citou o setor farmoquímico como um dos que retomaram a atividade, ainda assim em um cenário sem a oferta de emprego, o que impede o crescimento econômico. Para ele, a recuperação expressiva da economia no país, especialmente em condições como as atuais, requer a iniciativa e a coordenação do Estado, exatamente o que falta na situação brasileira.  
 
Segundo César Andaku, falta apoio governamental mais incisivo para que os índices de cobertura vacinal produzam impactos na economia de forma segura. Além disso, o economista observou que há um risco de crise iminente no setor elétrico, decorrente da crise hídrica. Ele argumentou que apagões ou racionamento de energia impedem uma recuperação positiva do PIB, hoje com menos emprego e renda. 
 
O economista manifestou a opinião de que a persistente pandemia, contaminando e matando, e a economia a passos lentos, em um governo omisso, têm levado milhares de pessoas nas diversas regiões a reivindicar a superação desses tempos negativos vividos no Brasil. 

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