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FeneEntrevista Sergio Takemoto

13/05/20 18:37 / Atualizado em 13/05/20 19:37

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Sérgio Takemoto: “Bem-estar dos empregados é a prioridade da Fenae e das Apcefs”

Novo presidente da Fenae reflete sobre o cenário adverso que a entidade terá de enfrentar entre 2020 e 2023, para seguir com a mobilização por mais conquistas e por novos desafios para o movimento nacional dos empregados da Caixa

A nova Diretoria da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), cuja posse em 30 de abril ocorreu por videoconferência, terá o mesmo desafio de sempre para o próximo período: a defesa do caráter público do banco e por melhores condições de trabalho para todos os empregados. A declaração é de Sérgio Hiroshi Takemoto, presidente eleito para a gestão de 2020 a 2023.

Na entrevista ao portal da Fenae, Takemoto defendeu as campanhas e mobilizações contra o fatiamento do banco e por nenhum direito a menos aos trabalhadores. “O foco da nossa gestão será o bem-estar do pessoal da Caixa, na perspectiva de continuidade das ações existentes e de ampliação dos projetos que visam aproximar ainda mais a Fenae dos associados das Apcefs”, explicou.

Confira a íntegra da entrevista com o novo presidente da Fenae:

Quais as perspectivas do movimento associativo dos empregados da Caixa para o próximo período?


Takemoto – O cenário que se apresenta para o movimento associativo do pessoal da Caixa, assim como para o restante do movimento organizado dos trabalhadores, é muito difícil. Após a pandemia, vamos enfrentar um momento de profunda recessão econômica no país, o que irá trazer consequências negativas para o conjunto da classe trabalhadora. Na Caixa, provavelmente, o debate sobre privatização, com a possível operação de venda de ativos nas áreas de seguros, cartões e loterias, deverá retornar com força.

Nessa conjuntura, os empregados do banco e as entidades representativas precisam estar preparados para enfrentar os dois maiores desafios para o próximo período: uma crise econômica muito difícil e a luta contra a tentativa governamental de entregar à iniciativa privada partes rentáveis do único banco 100% público e social do Brasil.

Face a esse cenário, mais uma vez será preciso apostar na unidade de todas as correntes políticas que atuam no movimento associativo, somando-se assim aos esforços de todas as entidades representativas na defesa da Caixa pública e na mobilização por nenhum direito a menos. Isso será fundamental para que esse período tão adverso, em futuro próximo, seja devidamente superado.    

Agora como presidente da Fenae, eleito pelo voto dos associados às Apcefs, como pretende conduzir a relação com o movimento dos trabalhadores?

Takemoto – A Fenae sempre teve uma relação muito próxima com todas as entidades de trabalhadores, incluindo aquelas vinculadas aos diversos movimentos sociais. Isso está no DNA da nossa Federação e foi construído ao longo dos anos. Pretendemos continuar com esse trabalho. O bem-estar dos empregados da Caixa é uma das missões da Fenae e isso se articula com a defesa de uma vida digna para todos os trabalhadores.

No nosso programa de campanha para a disputa do comando da Fenae, um dos principais pontos é a mobilização por um mundo melhor, justo e solidário. E assim vamos continuar atuando. A luta é contra o inimigo comum: a concepção neoliberal da sociedade. Vamos melhorar cada vez mais a parceria com entidades dos movimentos sindical, sociais e de moradia. A Fenae, aliás, é produto da mobilização coletiva.

Como será dada sequência à mobilização em defesa da Caixa pública e dos direitos dos empregados?


Takemoto – Em todos os momentos em que a Caixa Econômica Federal esteve sob ataques, a Fenae realizou campanhas para reafirmar o caráter público e social do banco, mobilizando-se ainda por condições dignas de trabalho e contra a retirada de direitos dos empregados. Esse compromisso em defesa do patrimônio público irá continuar e terá como alicerce a unidade de todos os segmentos dos trabalhadores da Caixa, com o apoio do movimento sindical e de entidades dos movimentos sociais e de moradia.

Como o cenário que se prevê para o país pós-pandemia é de muitas dificuldades, temos o propósito de continuar participando de atividades nos estados e municípios contra o retrocesso. Queremos conscientizar a sociedade sobre a importância do setor público para o Brasil. 

A crise do coronavírus mostrou que, se não fossem a Caixa e os demais bancos públicos, ficaria inviável o pagamento do auxílio emergencial e de todos os outros programas sociais. A lição aprendida dessa mobilização é a de que o Brasil precisa de um banco público forte, sólido e competitivo, capaz de dar conta tanto da concorrência privada quanto de suas responsabilidades sociais.

Constatamos, assim, que o modelo atual da Caixa não está esgotado e nem se mostra inviável. A instituição financia ações de desenvolvimento urbano, cresceu de maneira progressiva em um período recente e se tornou um dos maiores bancos do país, estando aí algumas das razões para continuar público. 

Que medidas serão adotadas para fortalecer a política de aproximação com as Apcefs?

Takemoto – Esse trabalho foi realizado com sucesso por outras gestões e pretendemos aprofundar essa aproximação com as Apcefs. De que maneira isso poderá ser feito? Principalmente através do diálogo. Vamos conversar muito com todas as associações, para assim tornar possível a continuidade das ações já programadas, como Jogos da Fenae, Rede do Conhecimento, Inspira e Talentos.

A ampliação do diálogo com as Apcefs permitirá a realização de mais atividades regionais e mais campanhas na busca por novos associados. Tudo isso, então, está no radar da nossa gestão. Vamos, portanto, combinar a continuidade dos programas existentes com a difusão de novas ações. Muitas novidades virão por aí.

Neste momento de ataque ao patrimônio público, mais do que nunca precisamos de união em torno das Apcefs. Estamos enfrentando uma das piores ofensivas à sobrevivência da Caixa. Precisamos de entidades fortes e os empregados ao lado de seus representantes, para que possamos derrotar essa ideia nefasta de privatização e de fatiamento do banco.   

Na missão associativa da Fenae, qual o peso dos eventos sociais, esportivos e culturais?


Takemoto – Temos de atender aos associados em todas as suas dimensões. Então os eventos culturais, esportivos e sociais registram um peso muito grande para o movimento associativo. Consciente disso, a nossa gestão pretende manter iniciativas como Rede do Conhecimento, Inspira, Talentos, Movimento Solidário, Jogos da Fenae e #ProntoFalei, por entender que a Fenae e as Apcefs devem oferecer benefícios ao pessoal da Caixa, os mais amplos e exclusivos possíveis.

Mas, em primeiro lugar, está a defesa do banco 100% público e dos direitos dos trabalhadores. Não podemos deixar de oferecer programas e projetos nas áreas sociais, culturais e esportivas aos nossos associados, mas isso deve vir combinado com a mobilização para preservar empregos, direitos e por uma Caixa pública e sintonizada com os desafios sociais do país.

O que os empregados da Caixa podem esperar de ações como Rede do Conhecimento, Talentos e do Movimento Solidário?

Takemoto – Hoje, a Fenae se define com base em quatro pilares: defesa dos empregados e da Caixa, bem-estar do pessoal da Caixa, gestão sustentável do patrimônio e compromisso com a sociedade. Tendo esses propósitos como parâmetro, a Fenae e as Apcefs darão passos decisivos para posicionar-se em torno de um novo ciclo de atuação, que começou em 1971 e se fortalece em 2020.

É assim que buscaremos ampliar ainda mais a contribuição do movimento associativo para um Brasil e uma Caixa melhores, mirando-se no exemplo do programa Movimento Solidário, cujas ações em Belágua (Maranhão) e no Lar das Crianças Nossa Senhora das Graças (Petrópolis/RJ) têm sido possíveis graças à participação de todos os associados às Apcefs, de empregados da Caixa e de funcionários da própria Fenae. O envolvimento de todos esses segmentos, cada um com a sua singularidade, é bastante positivo.  

O que melhor simboliza iniciativas como a do Movimento Solidário é o dinamismo da atuação associativa com a consciência da solidariedade para com as pessoas em situações socioeconômicas precárias.

Na Rede do Conhecimento, temos vários cursos e há a tendência de que sejam disponibilizados cada vez mais. Quanto ao Talentos, devido ao momento muito difícil por que passa o país, tivemos que fazer algumas adequações. Mesmo com essa crise, as atividades relativas ao concurso cultural, que desperta e revela aptidões artísticas do pessoal da Caixa, não serão suspensas. Entendemos ser necessária a oferta de oportunidades para os associados em home office, alvos de muito desgaste e tensão. Portanto, mesmo à distância, o concurso de Talentos fica mantido. Ainda não sabemos quando haverá a final do evento, pois ninguém pode prever o período de duração dessa pandemia.

Assim que essa crise passar, faremos a grande final do Talentos como sempre fizemos: através do encontro de empregados/participantes, numa grande confraternização entre colegas de trabalho.

Ações como o Movimento Solidário, a Rede do Conhecimento, o Talentos e o #ProntoFalei representam o que o movimento associativo dos empregados da Caixa têm de melhor: força, autonomia, independência e solidariedade. Os investimentos nesses programas sempre retornam em forma de bem-estar para os associados das Apcefs, reafirmando assim a importância das políticas participativas para a defesa da Caixa pública e social e para o respeito aos direitos dos empregados.

O que a Fenae poderá fazer para ampliar a parceria com os aposentados?


Takemoto – A maneira de como atrair a participação dos aposentados será uma grande preocupação do nosso mandato. No último período, por exemplo, algumas ações foram desenvolvidas, como a destinação de vagas específicas ao segmento para eventos como Talentos e Inspira. Nos jogos nacionais, temos disponibilizado cada vez mais espaço para a participação desses colegas.

Outro destaque dessa parceria é a comemoração do Dia Nacional do Aposentado. A Fenae também contribui com os Jogos dos Aposentados, evento organizado pela Fenacef, e participa do Simpósio Nacional dos Aposentados da Caixa, realizado todos os anos pelas entidades do segmento.  

Consideramos fundamental ouvir muito os associados e as Apcefs, para que, efetivamente, os aposentados possam integrar-se ao cotidiano da Fenae e das 27 associações do país. Teremos novidades no futuro em relação a isso.

Há dois lados no caminho de atuação da Fenae: o político e o comercial. Como a sua gestão pretende combiná-los?

Takemoto – Essa é uma questão que aparece quando o movimento representado pela Fenae sempre é lembrado. O lado comercial é o que possibilita condições para desenvolvermos todas as ações políticas em prol da Caixa pública e dos direitos dos empregados. A Fenae dispõe de funcionários qualificados para assessorar a Diretoria Executiva na parte comercial. Nossa principal fonte de recursos é a Corretora e sabemos que, neste período de pandemia, as dificuldades tendem a aumentar.

Face a essa situação conjunturalmente adversa, vamos fazer algumas readequações no nosso orçamento, mas nada disso vai impedir a nossa ação política. Também não será afetada a nossa atuação em defesa dos direitos dos empregados e em defesa do banco público, assim como as nossas ações nas áreas sociais, esportivas e culturais.

Consideramos fundamental o lado comercial da Fenae, pois é ele que permite subsidiar todas as ações nas esferas políticas, esportivo-sociais e culturais. 

Em 29 de maio, a Fenae completa 49 anos. Quais os principais desafios desse momento?

Takemoto – Em 49 anos de Fenae, nunca enfrentamos uma crise como essa. Então, provavelmente, os principais desafios para o próximo período estarão baseados em um cenário de recessão econômica, com mais dificuldades para o país e para os trabalhadores, em especial.

O atual governo, todas as medidas que vem adotando, busca jogar nas costas dos trabalhadores a responsabilidade por sua completa incompetência no estabelecimento de políticas públicas. O investimento público é uma das alternativas para tirar o Brasil do atoleiro em que se encontra, imposto pelas políticas de cunho privatista.

Na Caixa, devemos enfrentar um cenário de muitas dificuldades. O nosso primeiro ano de gestão será marcado por momentos de muita resistência. Isso significa que nosso trabalho terá como foco a manutenção dos direitos dos empregados e da Caixa 100% pública. Lutaremos ainda contra a privatização de partes rentáveis do banco, como o governo já anunciou que ocorrerá tão logo todas as atividades da cadeia produtiva sejam retomadas com o fim da pandemia.
  
Temos, porém, uma certeza: o primeiro ano da nossa gestão será de muita luta. Ao longo de todo o nosso mandato, daremos continuidade ao que foi realizado pelas gestões anteriores. A Fenae vai continuar lutando por uma Caixa pública, mais forte e que valorize os empregados do banco. Também irá atuar todos os dias para promover o bem-estar da categoria e oferecer benefícios exclusivos.

Nunca estivemos tão fortes no que diz respeito à representatividade política, associativa e de nossas empresas. Isso é resultado de uma sequência de gestões que fomentaram a luta coletiva e de um jeito de gerir bem o patrimônio.  

Os 49 anos da Fenae são resultado de uma história muito bonita, construída coletivamente. O olhar está voltado para a democracia, para a participação dos trabalhadores, para o diálogo transparente e para a defesa da qualidade de vida dos empregados e aposentados. Não chegamos aqui sozinhos. Somos resultado da atuação de outras gestões e de toda uma luta coletiva consistente.

Que cenário conjuntural é vislumbrado para o Brasil para o próximo período?

Takemoto – O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) calcula que, até o fim do ano, o Brasil registre um quadro de mais de 17 milhões de desempregados. Esse número representa um aumento de quase 50% em um cenário já devastador de 12 milhões de desempregados. E isso já vem ocorrendo com o pagamento do auxílio emergencial, com praticamente 100 milhões de pessoas inscritas para receber o benefício, quase metade da população brasileira, sem que haja o mínimo planejamento por parte do governo.

Todo esse contingente de pessoas não é formado apenas por pessoas comprovadamente pobres, mas a maioria viu-se obrigada a ficar pobre. São autônomos, profissionais liberais e que, de um dia para o outro, ficaram sem renda. Infelizmente esse cenário não vai acabar em três meses, havendo até mesmo a previsão de muita dificuldade pós-pandemia, devido a uma recessão profunda na economia. Antes da crise ser deflagrada, o país já enfrentava muitos problemas, agravados agora pelo caos nas áreas sanitária e de saúde.

Apesar de tudo, temos que fomentar o otimismo, não deixando-nos abater pelo desânimo. Será preciso muita unidade de toda a sociedade, na busca de solução para superar essa crise. Uma coisa importante, porém, precisa ser ressaltada: a Fenae ultrapassou os limites do movimento dos empregados da Caixa e tornou-se uma referência para o movimento do conjunto dos trabalhadores, atuando em favor do Brasil na articulação com os diversos agentes sociais: Congresso Nacional, organizações de trabalhadores e até com setores governamentais.

O papel de uma entidade como essa é o de estar sempre ao lado de todos os segmentos que lutam por um país justo e solidário. Para colocar isso em prática, precisamos não só de uma diretoria como a da Fenae, mas de empregados comprometidos com essa concepção de mundo. Os empregados da Fenae também cumprem uma tarefa fundamental na construção do nosso movimento, que tem na Federação Nacional das Associações do Pessoal uma de suas maiores referências.  

Será preciso continuar a enfrentar as forças políticas que querem o retrocesso no país. Uma das ideias que podem ser adotadas é a da formação de uma rede nacional em defesa dos bancos, das estatais e dos serviços públicos. Assim, empregados da Caixa e entidades representativas se unem para enfrentar situações difíceis, buscar soluções e adotar atitudes ousadas e decisivas.

Vamos sempre atuar em defesa da democracia e da soberania nacional. Essa é uma questão primordial.

 

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