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13/01/21 18:56 / Atualizado em 13/01/21 18:59

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Sem novas contratações e melhores condições de trabalho, empregados recebem de presente no aniversário da Caixa a privatização, afirma Takemoto

Com empregados sobrecarregados em decorrência de metas desumanas e jornas extenuantes, a gestão da Caixa desrespeita os trabalhadores e avança na agenda de privatização

A Caixa completa 160 anos, mas as comemorações ainda são poucas. Os empregados do maior banco público da América Latina receberam como presente a privatização do Banco Digital, subsidiária da Caixa que responsável pelo pagamento de todos os benefícios sociais operados pela Caixa. As notícias da efetivação dessa subsidiária não são boas. O Banco Central (Bacen) emitiu nesta terça-feira (12), um parecer favorável à criação do Banco Digital. A rapidez com que a manifestação do Bacen foi feita chamou a atenção e pode ser mais um passo para a privatização da subsidiária.

"Nesses 160 anos onde a Caixa se mostrou fundamental para a população brasileira, desde sua fundação, nós esperávamos que a Caixa desse um presente para toda a população e para seus empregados. Esperávamos que o governo falasse que ia ter mais contratações, melhores condições de trabalho. Mas infelizmente o que vimos foi o presente da privatização", afirmou o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto.

Com empregados sobrecarregados em decorrência de metas desumanas e jornas extenuantes, a gestão da Caixa desrespeita os trabalhadores e avança na agenda de privatização. A Caixa Seguradora segue com um planejamento de abertura de IPO para o início de 2021. O Banco Digital, que está no processo de criação, está na mira do presidente da Caixa, Pedro Guimarães. A previsão é para a abertura de capital no segundo semestre do ano. Com todos os clientes da Caixa no banco digital, a Fenae as entidades representativas dos bancários alertam para o enfraquecimento da estatal.

Na cerimônia em comemoração ao aniversário do banco no Palácio do Planalto, Pedro Guimarães afirmou que a Caixa terá o maior lucro de sua história em 2020. “Vendemos R$ 56 bilhões em ativos e vamos fazer mais”, declarou Guimarães sem dar mais detalhes. O executivo, afirmou ainda que a Caixa socorreu o país na pandemia, além de ter criado mais de 105 milhões contas digitais.

Para Takemoto, o marketing do governo federal na divulgação dos grandes números da Caixa é para tornar o Banco Digital mais atrativo para a venda. "O Banco Digital é uma ferramenta feita pelos empregados da Caixa e para a população brasileira. Agora, o governo e a direção da Caixa querem entregar para o mercado privado. O lucro da Caixa, que poderia ser investido no desenvolvimento do nosso país, será entregue ao capital privado", reforça Takemoto.

Com a previsão de um novo banco, com novo CNPJ, Takemoto questionou se o papel social da Caixa será transferido para outra área ou será encerrado terminantemente. “Qual será o futuro dos programas e benefícios sociais se estiverem nas mãos do mercado privado, que só visa o lucro? As políticas públicas que atendem a população mais carente do País serão garantidas?”

A conselheira representante dos empregados no Conselho Administrativo da Caixa, Rita Serrano, já alertou sobre a grave situação em que o Banco Digital pode colocar a Caixa. Todo esse salto de qualidade tecnológica, realizado pelos empregados da Caixa com patrimônio público, deveria ser usado para fortalecer o banco e impulsionar o seu papel como instituição pública, avalia Serrano. “Mas o que a direção do banco vai fazer é o contrário – transferir toda esta herança positiva para outra instituição”, explica.

Sem contratação para 2021

A direção da Caixa afirmou que não tem autorização para novas contratação no banco. Enquanto isso, os empregados sofrem sobrecarregados e a população com o atendimento prejudicado.

O déficit no quadro do banco já alcançou 19 mil empregados nos últimos dez anos e há uma expectativa de que esse número seja maior, uma vez que a Caixa ainda não divulgou o resultado da última abertura do Programa de Demissão Voluntária (PDV). “Estamos vendo a importância do banco público para o país nesta pandemia e mesmo assim a Caixa desrespeita os empregados, que sozinhos atenderam mais da metade da população, cerca de 120 milhões de pessoas nessa crise. A falta de trabalhadores agrava não só a jornada diária dos bancários como também pode comprometer a qualidade da assistência à sociedade”, afirmou Takemoto.

Empresas públicas

A agenda de desmonte das empresas públicas seguem fortes no governo federal. Nesta semana, o Banco do Brasil anunciou o fechamento de 361 unidades - 112 agências, 7 escritórios e 242 postos de atendimento - no primeiro semestre deste ano. O banco abriu um novo Programa de Demissão Voluntária. A previsão é que cerca de cinco mil trabalhadores façam a adesão.

A notícia da reestruturação pegou os funcionários do banco de surpresa. O desmonte do Banco do Brasil, uma instituição sólida e que, de 2016 a 1019 é um retrocesso para o desenvolvimento social. O banco atua em áreas importante como o crédito rural, via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), além de fortes contribuições para o esporte, cultura e sustentabilidade do país.

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