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24/01/20 19:06 / Atualizado em 24/01/20 19:09

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Reestruturação desconsidera papel social da Caixa e causa apreensão entre os empregados

Para a conselheira Rita Serrano, privatização das operações é o principal motivador das mudanças que a direção da empresa quer implementar

 

“Fica claro que o que se pretende é preparar a rede para o processo de privatização da Caixa”. A declaração é da representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, ao avaliar a proposta de mudança na área de varejo, anunciada esta semana pela direção do banco. A conselheira eleita lembra que o projeto ainda não foi votado nas instâncias deliberativas da empresa e defende o fortalecimento da organização dos trabalhadores e as ações junto a suas entidades, buscando preservar direitos dos trabalhadores. “Não há outra alternativa. É preciso que a comunicação seja estabelecida para que seja possível negociar e evitar prejuízos a empregados e sociedade”, afirma Rita, ressaltando a importância da defesa do banco público para o desenvolvimento do País.

Para o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, indefinição provocada por medidas de reestruturações sem qualquer debate com os trabalhadores é motivo de insegurança entre os bancários das áreas afetadas. “É preciso respeitar os empregados da instituição. A Caixa precisa negociar com as entidades”, enfatiza.

Segundo a conselheira, “as alterações propostas estão vinculadas ao desejo de aumento nas vendas de produtos em Seguros, Cartões, cheque especial, entre outros. Ou seja, estão diretamente ligadas às áreas que o banco quer privatizar, nas quais haverá ainda mais cobrança de metas para os empregados. Não se leva em consideração todo o esforço e sucesso obtido com pagamento de FGTS, PIS, programas sociais. O foco é apenas o negócio”, aponta Rita.

A conselheira questiona ainda a potencialização na segmentação de clientes, em especial os de alta renda, e que a restruturação não apresenta nenhuma proposta para bancarizar os quase 45 milhões de brasileiros que estão excluídos do sistema bancário. “A alteração brusca no modelo tradicional de gerenciamento e a extinção de superintendências regionais também menospreza a experiência e excelência que fizeram com que as SRs chegassem a uma alta performance no ano passado”, acrescenta.

Impactos

Do ponto de vista do dia a dia de trabalho há ainda mais controvérsias, pois a maioria dos que perderem função terá que se submeter ao PSI (Processo Seletivo Interno), desconsiderando-se que já passaram por seleção e têm experiência na atividade desempenhada. Não há garantia de realocação instantânea.

“É lamentável que, mais uma vez, a empresa adote medidas que mexem com a vida funcional dos trabalhadores sem discussão com as representações deles. A indefinição provocada por medidas de reestruturações sem qualquer debate com os trabalhadores está gerando um clima de medo e insegurança no ambiente de trabalho, acarretando muitas dúvidas entre todos os bancários das áreas afetadas”, afirmou Sérgio Takemoto, Secretário de Finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) e vice-presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae).

Segundo informações da direção do banco, a reestruturação reduzirá o número de Superintendências (Sure) de oito para seis (as Sure passarão a se chamar Superintendências Nacionais de Varejo – SUV). As superintendências regionais também serão reduzidas das atuais 84 para 54.

“É um desrespeito com os empregados, que estão bastante apreensivos com a notícia de mais uma etapa da reestruturação que vem sendo promovida desde 2016 e que já resultou no descomissionamento de centenas de empregados”, protesta Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) e diretor da Fenae.

  

 

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