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10/12/19 19:38 / Atualizado em 10/12/19 19:49

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Privatização do BB é tema de audiência da Câmara

Na audiência pública, o presidente do banco confirmou que a favor da venda, mas o assunto tem divergências no governo

 

A ameaça de privatização do Banco do Brasil tem provocado instabilidade nos trabalhadores da instituição. O tema foi discutido nesta terça-feira (10) em audiência pública da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). Empregados do banco, Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Sindicato dos Bancários do Distrito Federal estiveram presentes na audiência.

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, voltou a confirmar seu desejo e do ministro da Economia, Paulo Guedes, de privatizar a instituição. No entanto, o assunto tem divergências no governo. Rubens apresentou que no acumulado dos primeiros 9 meses de 2019, o BB teve lucro líquido ajustado de R$ 13,2 bilhões, sendo que o retorno sobre o patrimônio líquido foi de 17,5%.

"Eu poderia ficar aqui e explicar como seria vantajoso a privatização. Mas seria chover no molhado. Eu sou a favor da privatização? Sou", afirmou Rubem Novaes, voltando a dizer também que, apesar de sua opinião, o BB não será vendido.

A posição do governo cria instabilidade porque, mesmo negando, o banco já vendeu sua participação na resseguradora IRB, fez oferta secundária de ações e vendeu frações na BB Seguridade, Neoenergia, Companhia Brasileira Securitização (Cibrasec) e Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação (SBCE).

A afirmação de Novaes não convenceu aos empregados do banco, entidades representantes dos trabalhadores e deputados contrários à medida. O presidente Fenae, Jair Pedro Ferreira, ressaltou que as declarações do presidente do Banco do Brasil causam instabilidade nos trabalhadores.

"Nós entendemos que os bancos públicos, principalmente o banco do Brasil, tem um papel importante na sociedade brasileira. Tem setores estratégicos do Brasil que dependem do financiamento do Banco do Brasil, principalmente o setor agrícola e de infraestrutura. Então não podemos perder uma empresa deste tamanho que são fomentadores de emprego e renda, que é o que o Brasil hoje precisa. Nós da Fenae somos solidários aos nossos colegas do Banco do Brasil e as entidades que defendem os bancos públicos”, defendeu Ferreira.

Presente na mesa de discussão, o presidente da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (ANABB), Reynaldo Fugimoto, também destacou a vulnerabilidade que os trabalhadores estão sentindo ao não saber o rumo que o banco irá tomar. “Quando ouvimos presidente do Banco do Brasil contrariar o presidente da república fica a incerteza. O que a sociedade brasileira precisa é de menos ruído. Precisamos da verdade das informações corretas a respeito do destino do Banco do Brasil”, declarou.

Dirigente da Contraf-CUT e empregado do Banco do Brasil, Wagner Nascimento, questionou os interesses de grandes empresários na privatização do banco. Nascimento destacou ainda que as entidades defendem o patrimônio do Brasil. “Não interessa para o Brasil privatizar. E não é só a empresa mãe, as subsidiárias também. Porque senão vamos comparar a empresa mãe com o conglomerado privado. Isso o mercado gosta de fazer para dizer que a empresa pública é ineficiente. E nós estamos defendendo o Banco do Brasil como empresa, como patrimônio nacional”, reforçou.

Os deputados também questionaram sobre uma possível reviravolta na decisão do presidente Bolsonaro. O deputado federal Zé Carlos (PT-MA), salientou que a Câmara será um ponto de apoio dos trabalhadores do Banco do Brasil para que a privatização não aconteça. “Quando o senhor diz que discutir a privatização é chover no molhado, eu não acredito nisso. A história mostra que não se pode confiar no que o presidente diz. O que vai fazer esse banco não ser privatizado é exatamente essa Casa que não concorda de maneira nenhuma”, afirmou Zé Carlos.

Os bancos públicos cumprem um papel importante na cadeia de desenvolvimento do país, fornecendo crédito a juros mais baixos, financiando moradias para quem deseja a casa própria, está na agricultura, nas grandes empresas, microempresas e setores informais. A deputada federal Érika Kokay (PT-DF), defendeu esse papel estratégico do Banco do Brasil no desenvolvimento do país. “O povo brasileiro precisa do BB. O BB é um instrumento estratégico para o desenvolvimento nacional. Um banco como esse não poderia ter na sua presidência alguém que diz que: ‘É minha opinião, não é do governo. Mas eu acho que em algum momento a privatização do Banco do Brasil é inevitável’. Se o banco não será privatizado, suas subsidiárias estão em risco”, defendeu Érika.

Técnica do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e assessora do Sindicato dos Bancários do DF, Mariel Lopes, reforçou a função relevante dos bancos públicos na vida dos brasileiros, principalmente aqueles que moram em cidades menores onde os bancos privados não têm interesse em instalar uma agência.

“Os bancos públicos são o primeiro acesso das pessoas ao sistema bancário e de crédito. Em cidades pequenas, que dependem do crédito federal, a presença dos bancos públicos é essencial para que a atividade econômica seja dinamizada. A presença do BB e da Caixa torna o mercado menos concentrado e o desmembramento desses bancos aumentaria o spread bancário e todas as consequências de concentração bancária”, explicou.

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