Notícias

Seminario Sp 400.jpg

26/10/19 16:53 / Atualizado em 28/10/19 12:03

minuto(s) de leitura.

Primeiro seminário regional sobre Saúde Caixa e Saúde Mental é realizado em São Paulo

Adoecimento mental e a saúde do trabalhador da Caixa foram os temas centrais da primeira parte do seminário

Neste sábado (26), em São Paulo, dirigentes sindicais, empregados e aposentados da Caixa participaram do “1º Seminário Regional de Saúde Caixa e Saúde Mental dos Trabalhadores da Caixa”. Participaram representantes da Fenae, da própria Apcef/SP, da Anapar, da Fentec e da Feeeb. 

Na abertura, a diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus, destacou que esse é um projeto de longo prazo, que teve início em Brasília e que pretende correr o Brasil promovendo esse debate que hoje é fundamental por conta do alto índice de adoecimento mental dos trabalhadores da Caixa.

O diretor da Anapar, Valter San Martin, lembrou que a Associação está dando ainda mais importância ao tema, tanto que alterou seu estatuto para incluir uma nova diretoria, a de Saúde Complementar.

A Diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus, iniciou sua apresentação destacando dados da pesquisa de saúde realizada com ativos e aposentados da Caixa.  A diretora da Fenae lembrou que transtornos psicológicos e emocionais são os mais comuns entre os empregados da Caixa. Sujeitos a sobrecarga e a um modelo de gestão que estimula o assédio, 33,1% dizem ter sofrido algum problema de saúde decorrente do trabalho nos últimos 12 meses. Entre os que ficaram doentes, 10,6% relatam depressão. Doenças associadas ao estresse e doenças psicológicas representam 60,5% dos casos.

“A Caixa precisa implementar uma política séria de saúde do trabalhador, em especial com relação à saúde mental. São milhares de pessoas que estão adoecendo e o banco negligencia isso”, afirmou. Entre os empregados que tiveram problemas de saúde relacionados ao trabalho nos últimos 12 meses, 53% precisaram recorrer a algum medicamento. Os remédios mais usados foram os antidepressivos e ansiolíticos (35,3%), anti-inflamatórios (14,3%) e analgésicos (7,6%).

Outro dado destacado por Fabiana foram os episódios de assédio moral, que costumam ser subnotificados. O sofrimento das pessoas permanece muitas vezes disfarçado pelo medo de perder a função, de sofrer outros tipos de represália ou mesmo pelo receio de se expor ou ser julgado pelos colegas. Só foram registrados junto ao departamento de Recursos Humanos em 3,1% dos casos.

A pesquisa também mostra que aproximadamente 6% dos empregados tiveram conhecimento de situações de assédio sexual. O Centro-Oeste se destaca como a região onde os empregados mais tiveram conhecimento desse tipo de violência na Caixa, com 10,7%. Em seguida, a região Nordeste (6,8%), Sudeste (5,4%), Norte (3,5%) e Sul (3,2%). O grau de conhecimento de episódios de suicídio também é maior no Centro-Oeste e nas áreas meio.

Muita gente também falou sobre suicídio. Entre os entrevistados, 46,9% tiveram conhecimento de algum episódio entre empregados da Caixa. Mais da metade (51,7%) dos entrevistados conhece colegas que passaram por sofrimento contínuo em virtude do trabalho.

A psicóloga Carolina Grando, mestre em Trabalho, Saúde e Ambiente, com aperfeiçoamento em Saúde Mental relacionada ao Trabalho destacou que o adoecimento mental, muitas vezes, é acidente de trabalho e que as pessoas não fazem essa relação. Grando afirmou que a falta de dados estatísticos dificulta as ações de combate, em especial a falta de emissão de CAT.

A psicóloga pontuou diversos fatores que levam o trabalho a ser considerado penoso e por conseguinte um disparador do adoecimento mental, como a falta de estabilidade, de controle sobre o que faz, falta de voz sobre a definição de suas metas e ter de ser forçado a ultrapassar seus limites todos os dias.

Tássia Almeida, psicóloga e mestra em Psicologia Social do Trabalho, reforçou a importância da campanha “Não Sofra Sozinho” como condição de enfrentamento ao ambiente adoecido do trabalho moderno. A psicóloga discorreu sobre as novas formas de gestão imposta aos trabalhadores e o desgaste psicológico que resulta de ações como desvio e acumulação de função, as novas formas de avaliação e controle do desempenho do trabalhador. 

Os seminários sobre Saúde Mental que vão ocorrer em várias cidades brasileiras fazem parte de um projeto de prevenção ao adoecimento mental no trabalho da Fenae com coordenação da pós-doutora, psicóloga e professora da UnB, Ana Magnólia Mendes. Os estudos e pesquisas fazem parte da campanha “Não Sofra Sozinho”, e vai subsidiar os dirigentes da FENAE e APCEFs para proposição de políticas e práticas sindicais e institucionais de prevenção das psicopatologias do trabalho na Caixa.

O próximo seminário será em parceria com a Apcef Santa Catarina, no dia 9 de novembro, em Florianópolis.

 

 

 

 

Acesse as redes da Fenae:

Acesse e conheça as vantagens de ser um associado

Veja também
Nenhum registro foi encontrado.

selecione o melhor resultado