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09/04/20 16:41 / Atualizado em 09/04/20 17:13

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Presidente da Contraf reforça necessidade de proteção a bancários e isolamento social

Presidente da entidade, Juvandia Moreira, destaca que demissões não serão aceitas durante a crise e critica lentidão do governo na assistência à população

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) permanecerá cobrando diariamente dos bancos as medidas em proteção à saúde dos trabalhadores. Em live realizada nas redes sociais, na noite dessa quarta-feira (8), Juvandia Moreira, presidente da entidade, respondeu questionamentos dos bancários sobre a atuação das instituições financeiras na crise e ressaltou o compromisso das entidades representativas dos empregados na briga pelos direitos da categoria.

Juvandia, que também é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários, afirmou que que não se pode aceitar demissões neste período e que o governo brasileiro “tem sido lento” nas ações de assistência emergencial à população. Ela também defendeu o isolamento social ao máximo e observou: “Para que as pessoas fiquem em casa, elas precisam de renda e o Estado tem que garantir isso a elas”.

Confira as principais questões abordadas na live:

Por que os bancos não podem fechar?

Porque existem normativas, regulações do Banco Central, que determinam que os bancos funcionem, no mínimo, cinco horas. O nosso esforço tem sido para que as agências só atendam os casos necessários. Nós pedimos a redução do horário de atendimento (que foi flexibilizado pelo Bacen) e da jornada dos trabalhadores.

O bancário pode se recusar a trabalhar sem álcool em gel e EPIs (Equipamentos de Proteção Individual)?

Sem álcool em gel e sem segurança para o trabalhador, a agência não pode funcionar. Isto é o que estamos defendendo. Se isto acontecer, o trabalhador deve recorrer ao sindicato.

Como é feita a seleção para trabalho home office, quem fica em casa?

Todo o nosso esforço foi e é para se manter o maior número possível de trabalhadores em casa. A regra primordial é home office para quem está no grupo de risco, como gestantes, lactantes — caso em que alguns bancos ainda se mostram resistentes — e pessoas que coabitam com idosos. Estes são os principais critérios. Para os empregados que estão trabalhando presencialmente, pedimos o estabelecimento de rodízios para que o bancário não fique o tempo todo na agência.

Em casos de suspeitas de trabalhador infectado, o que se deve fazer?

Afastar imediatamente o trabalhador, colocá-lo em quarentena. E proceder a higienização — a sanitização — do local onde o trabalhador (com suspeita da doença) estava atuando. Também temos defendido a realização de testes rápidos para o coronavírus. Ninguém pode estar no local de trabalho correndo risco!

É obrigatório o rodízio? É para todas as funções?

Sim, deveria ser para todas as funções. Continuamos insistindo no rodízio. Lembrando que quem está no grupo de risco tem que fazer home office.

E o contingenciamento do atendimento, o chamado “atendimento escalonado”?

A nossa campanha é para o cliente não ir para a agência e fazer o pré-agendamento por telefone, usar o atendimento virtual para tudo o que é possível. Alguns bancos dizem que não conseguem. Pedimos para que as pessoas não lotem as agências; principalmente, o interior delas. Que seja observado o tamanho da agência. É grande o risco de contaminações em uma agência fechada, com ar condicionado ligado e muita gente dentro dela.

Como fica a questão das filas e aglomerações?

Temos recebido vídeos e informações sobre ocorrências de filas. Pedimos para que seja feita a marcação dos espaços para a manutenção da distância recomendada. Pedimos também o apoio de autoridades públicas (para a organização das filas do lado de fora das agências). Pedimos que não fiquem bancários no auto-atendimento; mas, sabemos que alguns bancos estão mantendo empregados no autoatendimento. Reforçamos que os trabalhadores estejam sempre muito bem protegidos; inclusive, com máscaras. Esta semana, os bancos têm que acabar com as filas. A Caixa é um dos bancos que mais tem fila, principalmente por causa do auxílio emergencial de R$ 600.

E a proteção de acrílico nas agências?

Estamos cobrando de todos os bancos, desde a semana passada. Fazemos reuniões diárias com os bancos. A direção da Caixa disse que já comprou as proteções para 1,6 mil agências. Estamos cobrando agora (da direção da Caixa) o cronograma de instalação destas proteções.

Como resolver as filas?

Todos têm que ajudar! A concessão do auxílio de R$ 600, por exemplo, é toda pelo aplicativo ou site. Não é na agência. Tem que divulgar os procedimentos (sobre a concessão do auxílio). É importante que a pessoa não vá à agência porque ela não vai receber (o benefício) lá. Existe um cronograma de pagamento.

Então, há falha na divulgação sobre o auxílio, pelos bancos?

É preciso deixar claro que o cliente não tem que ir para a agência (para receber o auxílio emergencial de R$ 600). Sobre esta questão das filas, estamos discutindo com a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) e o MPT (Ministério Público do Trabalho) novas medidas de proteção a todos: trabalhadores e clientes.

E sobre as medidas editadas pelo governo?

A Medida Provisória 927 interfere muito no dia a dia dos bancários porque ela não inclui os sindicatos nas negociações. Por exemplo: o Banco do Brasil e o Santander colocaram empregados de férias sem a participação dos sindicatos neste processo. Sem os sindicatos, os empregadores fazem o que querem! As medidas relacionadas a crédito para micro e pequenas empresas são insuficientes. O crédito deveria ser a fundo perdido, sem ter que ser devolvido, com a garantia de manutenção dos empregos. Essas empresas são as que mais empregam.

Qual é a importância dos sindicatos neste momento?

Quem não tem representação sindical está perdendo direitos, salários. Está perdendo o emprego. Isso mostra a importância dos sindicatos, da organização sindical. O Comando Nacional dos Bancários tem 131 sindicatos, dez federações e a Contraf. Somos um segmento organizado, que luta pelos trabalhadores, para que eles tenham direitos, garantia de saúde, tranquilidade.

Adiantamento compulsório de férias. Isso pode?

Alguns bancos, como o Banco do Brasil, fizeram isso amparados pela MP 927. O trabalhador, sozinho, não vai questionar, porque ele tem medo de ser demitido. Dias de home office são dias trabalhados, tem que ser computados, não podem ser tratados como férias. As centrais sindicais e a CUT (Central Única dos Trabalhadores) têm batalhado para manter os sindicatos nas negociações.

E demissões durante a pandemia?

Os sindicatos e a Contraf estão acompanhando. Não vamos aceitar demissões!

E cobrança de metas?

Recebemos, sim, denúncias sobre cobranças de metas. Levamos o assunto para o Comitê de Crise. Estamos monitorando. A Caixa nos informou que suspendeu a cobrança de metas. Outros bancos nos disseram que estão revendo esta questão das metas. Ficamos sabendo também que em alguns bancos estão fazendo reuniões fora do expediente, em horários fora da jornada do trabalhador, quando ele estaria em casa, descansando. Temos cobrado responsabilidade social por parte dos bancos.

E as negociações com a Fenaban?

As cobranças são diárias. Ontem (07/03), por exemplo, tivemos reuniões para tratar da situação nas agências da Caixa, sobre as medidas para evitar aglomerações em virtude do auxílio de R$ 600. Também estamos acompanhando a implementação de medidas de assistência por governos locais para pagamento em bancos regionais e na Caixa. Defendemos o agendamento e que estes pagamentos sejam descentralizados.

E desconto salarial para quem está em home office ou rodízio?

Quem está em home office está trabalhando. Quem está impossibilitado de realizar atividades porque pertence ao grupo de risco e não pode estar nas agências tem que negociar, não pode haver desconto no salário. Qualquer mudança nisso terá que ser negociada com o Comando.

Há previsão de retorno ao trabalho?

Não dá para saber. Este é um momento que temos que seguir as recomendações da Organização Mundial da Saúde, do Ministério da Saúde, das autoridades sanitárias: manter o isolamento, o distanciamento social. O novo coronavírus é uma doença que está crescendo de forma rápida.

E a campanha nacional, a data-base? Como está a negociação com a Fenaban?

Estamos tentando adiar a data-base. Agora não temos condições de fazer negociação salarial, consultar todos os bancários. O acordo coletivo vence dia 31 de agosto. Queremos estender até janeiro, para negociar depois. A Fenaban não se posicionou. O debate volta daqui um mês. As negociações não são fáceis.

E adicional de insalubridade e periculosidade? Há algum estudo sobre algum adicional?

Este assunto ainda não entrou em pauta. Nossa maior preocupação, neste momento, é manter empregos, salários, direitos, como o plano de saúde. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) informa que são 195 milhões de desempregados no mundo. Com a Caixa, por exemplo, estamos debatendo o não descomissionamento e a suspensão da reestruturação. Nosso foco é garantir proteção aos trabalhadores, com álcool em gel, barreiras (protetores) de acrílico, EPIs. Conseguimos colocar 250 mil bancários em home office, com a garantia dos direitos.

Como ficam férias e banco de horas? O governo cogitou antecipar todos os feriados.

Tem que sentar-se para negociar. O Santander colocou banco de horas e não negociou conosco. Teremos novas reuniões do Comando (Nacional dos Bancários) com a Fenaban. Quero reforçar que tem que evitar ao máximo que as pessoas saiam de casa. E, para isso, é preciso garantir emprego, renda. O Estado tem que garantir isso às pessoas. A França suspendeu o corte de gás, água e luz. O governo brasileiro está sendo muito lento. Só por pressão do Congresso, da sociedade e das centrais sindicais é que saiu o auxílio emergencial de R$ 600, por exemplo.

 

 

 

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