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17/12/20 12:36 / Atualizado em 17/12/20 12:37

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‘Precisamos aumentar movimento contra privatização a partir dos bancários’, diz Zé Carlos

Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos, o deputado afirmou que mobilizações populares têm chances de impedir as privatizações, mas precisam ser maiores

O presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos, deputado Zé Carlos (PT-MA), fez um apelo aos bancários, nesta quarta-feira (16), para a importância de ampliarem sua participação na luta em defesa destas instituições públicas.  O parlamentar afirmou que a frente congrega, hoje, 261 assinaturas, entre parlamentares de direita, de centro e de esquerda. “Temos condições de lutar contra a privatização no Congresso, mas precisamos de uma mobilização cada vez mais forte, a partir dos bancários”, destacou.

O alerta foi feito durante evento sobre frentes parlamentares de defesa do serviço público no Congresso Nacional, realizado pela Agência Servidores. Zé Carlos sugeriu a articulação de um dia de protesto integrado em todo o Brasil por parte de bancários, com a participação da população, dos sindicatos, de associações em defesa de moradores e associações de agricultura familiar, entre outras entidades da sociedade civil. “Temos de mostrar para todos que os bancos públicos são nossos”, afirmou.

Ele também contou que pretende, logo após a pandemia, cumprir uma agenda de eventos presenciais nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais de todo o País, para discutir o tema nos Estados e municípios.

“Nossa frente parlamentar foi criada após o golpe dado ao governo da presidente Dilma Rousseff, quando a ameaça de privatização pelo presidente Michel Temer ficou muito caracterizada para todos nós. O motivo pelo qual Temer foi para a Presidência da República, do jeito que isso aconteceu, bem como as pessoas e entidades que o bancaram deixaram claras as intenções disso, que foi vender nosso País”, explicou.

Neste sentido, o deputado acrescentou que foi fundamental a mobilização do Congresso para se contrapor a essa intenção, por meio da criação da Frente – reinstalada neste governo.

“Minha origem é bancária. Durante toda a vida profissional fui da Caixa Econômica. E fui o superintendente da Caixa no Estado do Maranhão que mais tempo passou no cargo, oito anos. Com essa vivência e conhecedor de todos os nossos parceiros, como Banco do Brasil (BB), Banco da Amazônia (Basa) e Banco do Nordeste (BNB), não poderia jamais me furtar a estar na frente de uma luta em defesa dessas instituições. Não as defendo por ideologia, mas por conhecimento de causa”, revelou.

O deputado afirmou que ao longo da sua vida pôde vivenciar essas empresas, conhecendo as suas importâncias. “E sei, por isso, que o Brasil não pode ser jamais economicamente próspero e viável, sem instituições públicas realmente fortes, como esses bancos. São instituições que não visam apenas o lucro, mas também o lucro social. Fazem valer a sua criação em benefício do nosso povo”, salientou.

Anúncio do governo

Ele lembrou que no último dia 2 o governo anunciou a privatização de nove estatais, dentre as quais Correios, Engea, Ceasa MG e Trensurb. Destacou que o Ministério da Economia, que já tinha anunciado ter 126 PPIs – sigla do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), criado pelo Governo Federal para reforçar a coordenação das políticas de investimento e parcerias diversas com o setor privado –, nesse dia ampliou a meta para 201 projetos de PPI.

De acordo com o parlamentar, na Caixa Econômica em especial, existe uma dicotomia muito grande nos discursos. “Bolsonaro sobe nos palanques e diz que não vai privatizar a Caixa, nem o BB, nem a Casa da Moeda, mas ao mesmo tempo o presidente da Caixa iniciou ações no sentido de retalhar nossa empresa. É um governo que mente para nós, porque estão desmembrando”.

A ação mais recente, denunciou Zé Carlos, foi a criação do banco digital, que pretende ofertar para a sociedade brasileira pagamentos de benefícios sociais, microcrédito e financiamento imobiliário para classes menos favorecidas. “O presidente da Caixa tem dito que essa empresa terá um capital aberto. Isso é um desmembramento, um fatiamento por meio de subterfúgio grosseiro, para vender parte da instituição”.

O deputado destacou que no BB há uma coisa muito parecida com a Caixa. Lembrou que quando o PT esteve no governo, tinha a intenção de ter no Banco do Brasil uma instituição forte, um banco para democratizar o acesso ao crédito, para atuar no desenvolvimento sustentável e ajudar em projetos prioritários de geração de emprego e renda e de infraestrutura.

“Nesse governo a intenção do palanque parece não ser tão diferente, mas a realidade é. No início de agosto o ex-presidente do BB, Rubens Novaes, vendeu para o banco Pactual uma carteira que tinha valor estimado em R$ 12,9 milhões por R$ 371 milhões. Como o presidente de um banco público toma uma ação neste sentido? Isso é um acinte contra o povo brasileiro”, denunciou.

Em função dessa venda, Zé Carlos e outros deputados, como Erika Kokay (PT-DF) entraram com uma representação no Ministério Público Federal contra Novaes. “O BB vendeu porque tem a intenção de fatiar e privatizar o banco”, disse.

Ele destacou como questão importante, a ser mostrada para todos, pesquisas de opinião pública do País sobre privatização. Ressaltou que conforme pesquisa feita pela Revista Exame, o povo é contra a privatização da Caixa. “Essa pesquisa mostrou que 49% do total de entrevistados disse ser contrário. Por outro lado 28% do total da população entrevistada disse que não tinha opinião a respeito”.

Segundo Zé Carlos, outra pesquisa, da Revista Fórum, mostrou que 60,6% das pessoas rejeitam a privatização da Caixa. No Banco do Brasil, por essa mesma pesquisa, a rejeição é de 50% da população. A rejeição à privatização da Petrobrás foi de 57% e a dos Correios, de 50% neste mesmo levantamento.

“Portanto, a sociedade está dizendo que não quer essa privatização. Basta que a gente agora fortaleça nossas ações para aumentar o número de pessoas que rechaçam a privatização”, pediu.

O deputado citou como exemplo de danos provocados pela privatização o caso do apagão no Amapá. “A empresa responsável pela distribuição da energia elétrica e privada tinha responsabilidade de resolver o problema e não cumpriu o prazo, não teve a capacidade de apresentar um resultado imediato. O problema só foi resolvido pelos servidores da Eletrobras”, contou.

‘Corpo e alma’

Outro ponto também destacado por Zé Carlos é o descontentamento da população brasileira com o governo Bolsonaro. “O presidente tem 33% de aprovação popular, mas é evidente que se utilizou da pandemia e do auxílio emergencial para aumentar a popularidade. Agora que esse auxílio acabou, as pessoas vão perceber sua incapacidade de levar o País ao desenvolvimento econômico”, afirmou.

“O ano de 2021 não será um ano fácil. O descontentamento da sociedade brasileira estará em alta”, destacou, ao reforçar a importância de ser feita uma mobilização cada vez mais forte, “a partir dos bancários”. “Os bancários precisam entrar de corpo e alma nesta luta”.

A live com o presidente Frente Parlamentar em Defesa dos Bancos Públicos fez parte de uma programação que está sendo promovida pela Agência dos Servidores no seu canal do You Tube, de debates com vários deputados e senadores que coordenam frentes parlamentares com atuação em defesa e valorização dos serviços e dos servidores públicos.

No mesmo dia da programação, também participou do evento o presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público (Servir Brasil), deputado Israel Batista (PV-DF), que falou sobre a reforma administrativa.

 

 

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