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25/03/21 22:00 / Atualizado em 26/03/21 10:12

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Pedro Eugenio Leite, um militante em defesa da Caixa 100% pública presente

Diretoria da Fenae presta homenagem ao ex-presidente da entidade. Como empregado do banco público, Pedro Eugenio sonhava com um Brasil com mais democracia e transformou esse sonho em uma luta contra o autoritarismo

“Só morre do coração quem tem coração”, afirmou em meados da década de 1980 a psicanalista e escritora Maria Rita Kehl, quando da morte de Hélio Pelegrino (1924-1988), seu colega de psicanálise. É exatamente este o sentimento de vazio que deixa no movimento nacional dos empregados da Caixa Econômica Federal o falecimento súbito de Pedro Eugenio Beneduzzi Leite, defensor de primeira hora do banco 100% público e dos direitos dos trabalhadores, cuja vida foi um permanente exercício da liberdade e da luta sem tréguas contra o autoritarismo.

Nada do que era humano era estranho a esse jornalista por formação, bancário por profissão e militante em defesa da democracia por vocação, morto nesta quarta-feira (24) em Brasília, cidade onde morava atualmente, vítima de um enfarto agudo de miocárdio. Guiada por esta máxima, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) registra homenagem em memória de Pedro Eugenio, um lutador incansável na defesa da Caixa, contra a privatização do banco e pelo seu caráter público e social, assim como na defesa dos direitos dos empregados da instituição. Essa jornada de militância social começou em agosto de 1982, quando ingressou na Caixa por concurso público. 

Na Fenae e na condição de empregado do único banco 100% público do país, o maior da América Latina, Pedro Eugenio escolheu e traçou seus próprios caminhos, bem como seu próprio destino. Consequência direta dessa opção de vida foi a militância no movimento nacional dos empregados da Caixa. Ali liderou a mobilização pelo enquadramento dos escriturários básicos e a campanha das seis horas, no Paraná. Foi eleito presidente da Apcef/PR e reeleito em 1991. Fez parte da coordenação nacional em defesa da Caixa em 1990 e exerceu o cargo de diretor financeiro do Sindicato dos Bancários de Curitiba em 1993, sendo ainda presidente da entidade no período de 1996 a 1999.

Também na Fenae Pedro Eugenio foi diretor administrativo (1999 a 2002), diretor administrativo financeiro (2002 a 2005), vice-presidente (2005 a 2008) e presidente (2008 a 2014). Sob sua gestão, a Federação seguiu firme na luta pelos direitos trabalhistas e previdenciários dos empregados em atividade e aposentados da Caixa. Sua administração à frente da entidade foi marcada por muitos investimentos nas 27 Apcefs espalhadas pelo país, com construções de ginásios poliesportivos, apartamentos nas sedes de praias, hotéis-fazendas e sedes pesqueiras. Isto em um período no qual clubes tradicionais tiveram muitas dificuldades, alguns sendo definitivamente fechados, enquanto os clubes de todas as Apcefs cresceram e melhoraram suas instalações.

A gestão Pedro Eugenio na Fenae investiu muito também na área de esportes, com Jogos Regionais e os Jogos da Fenae de 2008, 2010 e 2012. Na esfera da cultura, por exemplo, alguns destaques foram o investimento em melhorias para a realização do festival Música Fenae (hoje Talentos Fenae/Apcefs), a exposição itinerante e outras formas de incentivo aos participantes dos concursos Circuito Cultural. Coube ainda a Pedro Eugenio aumentar as adesões ao Movimento Cultural do Pessoal da Caixa (MCPC), com a realização de três edições do projeto Eu Faço Cultura, levando shows e oficinas culturais a mais de 290 mil pessoas.

Por dois mandatos consecutivos, a gestão Pedro Eugenio implantou a Gerência de Responsabilidade Social, que desenvolve as ações do Movimento Solidário e os projetos de incentivo à sustentabilidade e cuidados com o meio ambiente. Como resultado deste trabalho, casas foram recuperadas e construídas em Caraúbas do Piauí (PI), assim como ocorreram melhorias no Lar Nossa Senhora das Graças, em Petrópolis (RJ). 

Na área de representação dos trabalhadores da Caixa, Pedro Eugenio atuou sempre em parceria com a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) e sindicatos filiados. No período de 2008 a 2014, os principais destaques foram a conquista de reajustes salariais acima do INPC todos os anos e a conquista da unificação do Plano de Cargos e Salários (PCS), em 2008, e o Plano de Funções Gratificadas (PFG), em 2010.

Pedro Eugenio Leite foi criado na cidade de Coroados, em São Paulo, e nasceu em Biriguí (SP). Outro legado por ele deixado foi a militância no Partido dos Trabalhadores (PT), agremiação na qual era filiado e exercia a função de liderança dos trabalhadores na Caixa. Foi também, por um certo período, superintendente nacional durante o governo da presidenta Dilma Rousseff. 

Antes de fazer a passagem rumo ao desconhecido, Pedro Eugenio estava aposentado da Caixa. Após se aposentar, o ex-presidente da Fenae criou o Instituto Datagenio, um canal não oficial, mas de confiança, que atuava nas redes sociais para informar ou denunciar decisões que afetassem a Caixa pública ou seus empregados. De maneira lúdica, o Instituto Datagenio interagia com os trabalhadores do banco e emitia opiniões sobre a conjuntura no Brasil. Por conta disso, em 2019, o atual presidente da Caixa moveu ação judicial contra Pedro Eugenio, buscando proibi-lo de se manifestar contra o banco e exigindo danos morais. Essa ação provocou uma onda nacional de solidariedade. 

Para a Fenae, a morte súbita de Pedro Eugenio Leite representa momento de dor e luto, além de constituir-se em perda irreparável para a Caixa Econômica Federal e para a luta de todos os trabalhadores do país. Pedro Eugenio faleceu em casa no dia 24 de março de 2021. Deixou a esposa Isabel Gomes, 3 filhas, 3 netas e um neto, além de um rico legado de mais de 30 anos para a Caixa pública e social e contra a retirada dos direitos de seus empregados. Essa mobilização, para ele, sempre esteve associada com a defesa da democracia e de um Brasil sem desigualdades sociais.  

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