Notícias

pedro600400.jpg

05/05/2020 15:41 / Atualizado em 05/05/2020 16:39

minuto(s) de leitura.

Pedro Eugenio: “Com a pandemia, empregados da Caixa dão exemplo de compromisso com a sociedade”

Ex-presidente da Fenae declara que, mesmo desvalorizados e com os direitos atacados pelo governo federal e pela direção do banco, trabalhadores mostram novamente a importância da Caixa 100% pública e social para o país

Diante do atual cenário de isolamento social e expansão dos casos de coronavírus pelo país, o ex-presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (gestão 2008-2014) afirma que a implementação de medidas de preservação da saúde de empregados e clientes do banco surge como ponto de destaque na luta das entidades representativas por condições dignas de trabalho, com o respeito à jornada da categoria bancária.

Em conversa com o portal da Fenae, Pedro Eugenio Leite reitera que, se a Caixa não existisse como banco público e social, a situação seria ainda pior. “A defesa do banco 100% público é uma luta que deve ser endossada por toda a sociedade”, defende. Segundo ele, os empregados da Caixa merecem todo o respeito da população, governo e mídia. Confira a entrevista: 

Como você enxerga os desafios a serem enfrentados pelos trabalhadores do sistema financeiro público, caso ocorra o agravamento da crise?


Pedro Eugenio – A julgar pelo descaso e incompetência do atual governo, preocupa o fato de que ocorra nos próximos dias, com o registro de pico da doença, um aumento desordenado das notificações por coronavírus. Tão logo surgiram as primeiras notícias a respeito da pandemia, o país apresentou dificuldades em fazer o isolamento, por conta da enorme desigualdade social e devido ao Presidente da República incentivar a população a não seguir regras, mesmo aquelas estabelecidas pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

Em plena pandemia, os bancários estão na linha de frente da crise sanitária, mantendo o atendimento de um serviço essencial à população e enfrentando diariamente os riscos da exposição ao vírus.

No caso da Caixa, onde os empregados estão fazendo um trabalho de muita qualidade, em condições muitas vezes adversas, o desafio será conseguir aumentar o home office e as linhas de atendimento remoto. O banco atua como o braço social do governo na aplicação de políticas públicas. A Caixa faz isso muito bem, através do dedicado trabalho de seus empregados.

Fale sobre o papel da Caixa e dos demais bancos públicos nesse momento...

Pedro Eugenio – Até o momento, a Caixa está carregando sozinha o peso do pagamento do auxílio emergencial para 50 milhões de pessoas. A empresa é 100% pública e, assim, cumpre o seu papel. O trabalho dos empregados do banco é exemplar!

Mas será preciso que o Banco do Brasil, o Banco da Amazônia (Basa) e o Banco do Nordeste (BNB) também venham a cooperar. Do jeito que a estrutura foi montada, levando-se em conta que o volume é grande demais, está muito difícil para os empregados e para a população. Falta coordenação do governo.

Em outros momentos de graves crises, como a que ocorreu em 2008, a Caixa, o BB e o BNDES garantiram o crédito para a população e para micros e pequenas empresas. Desta vez o destaque da Caixa é ainda maior. São bancos públicos imprescindíveis para o desenvolvimento social e econômico do país.

A história da Caixa é marcada por ser a empresa que sempre socorre a população. Seja durante as enchentes, seja com o pagamento de benefícios como o Bolsa Família, o FGTS, o seguro-desemprego, o seguro defeso e, agora, este imenso desafio representado pelo pagamento do auxílio emergencial.

Qual a importância da atuação da Fenae, das Apcefs e dos sindicatos no enfrentamento da pandemia do coronavírus? 

Pedro Eugenio – As entidades representativas estão fazendo o seu papel: cobram condições dignas de trabalho, Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), home office, revezamento. Tudo isso faz parte do portfólio de conquistas importantes.

Os dirigentes das entidades associativas e sindicais visitam agências, ajudam a solucionar problemas e vêm, inclusive, dialogando com a população que procura a Caixa desordenadamente. São eles que cobram da Caixa, por exemplo, o cumprimento das normas trabalhistas e de saúde e segurança em prol dos trabalhadores. Por conta dessa pressão, a Caixa comprou EPIs para as unidades, ocorrendo, por tabela, a contratação de mais atendentes e seguranças desarmados.

Que medidas ainda podem ser adotadas para impedir aglomerações e filas nas agências?

Pedro Eugenio – Como a situação é de calamidade pública, é preciso reforçar a limpeza e higiene nas agências, disponibilizando máscaras para todos os trabalhadores e para a população. É correta a posição do Comando Nacional dos Bancários de exigir dos bancos a organização das filas e dentro das unidades, para manter a proteção de empregados e clientes.

O auxílio emergencial é o principal fator de aglomerações fora e dentro das agências. Necessária é a ampliação de seguranças desarmados para ajudar na organização das filas, além das proteções de acrílico nos guichês dos caixas.

Outra medida que pode ser adotada é a manutenção do contingenciamento para a entrada nas unidades, mesmo com as filas nas portas. Importante ainda, como política de prevenção, é o respeito à jornada dos empregados, assim como a testagem de todos os bancários.

É preciso também reafirmar que essa situação de superlotação nas agências não é culpa dos empregados, que estão dando um verdadeiro exemplo de compromisso com a sociedade e adoecendo por excesso de trabalho, mas sim do governo. O Executivo federal vinha promovendo o desmonte dos bancos e empresas públicas, o que dificulta muito o pagamento do auxílio para a população e coloca trabalhadores e clientes em risco de contágio.

Desde o início do processo de pagamento do auxílio que faço coro às reivindicações das entidades representativas para que a Caixa realize uma forte campanha de mídia. A empresa se engana ao acreditar que bastam as matérias nos telejornais e entrevistas de seus principais gestores. Está provado que apenas isto é insuficiente. Essa medida já está muito atrasada, mas antes tarde do que nunca.

O que você acha da proposta de descentralização do pagamento do auxílio emergencial?

Pedro Eugenio – Todos precisam ajudar, já que essa responsabilidade não é só da Caixa, que faz muito bem a parte dela. Para evitar as filas e aglomerações em diversos municípios do país, o atendimento aos beneficiários do auxílio emergencial deve ser descentralizado para outros bancos e instituições.

Torna-se impossível prestar um atendimento que a população merece apenas com a Caixa. O governo federal precisa assumir seu papel na gestão de todos esses problemas. Com o fechamento do comércio, as agências da Caixa viraram o local de grande concentração de pessoas pelo país, provocando filas e aglomerações.

Apesar do trabalho essencial promovido pela Caixa e pelos seus empregados, infelizmente o caos foi instalado por culpa exclusiva do governo, que deveria ampliar informações à população, aprimorar o aplicativo do auxílio emergencial e implantar um sistema para o atendimento nas agências, como ocorre nas unidades do INSS, por exemplo.

A Caixa é o principal banco público do país. E, no momento de pandemia, mostra-se ainda mais essencial, apesar dos ataques e sucateamento que vem sofrendo por parte do atual governo. Se a Caixa não existisse como banco público e social, a situação seria ainda pior. Portanto, a defesa da Caixa 100% pública é uma luta que deve ser endossada por toda a sociedade. Por outro lado, os empregados do banco merecem todo o respeito da população, governo e mídia.

Como as entidades representativas devem agir para apresentar alternativas estruturais à atual conjuntura do país?

Pedro Eugenio – Há muitas tentativas nesse sentido, apesar de não ser nada fácil diante de um governo autoritário e que é contra sindicatos e entidades associativas. Um governo que busca isolar esse segmento e que não aceita o diálogo. Propostas existem sob o ponto de vista do trabalhador, mas encontram dificuldades de transitar no âmbito institucional.   

Em relação ao futuro, quais são as perspectivas para o setor público no Brasil? 

Pedro Eugenio – A área econômica do governo é tocada por especuladores financeiros. São ultraliberais e o propósito é de privatizar tudo. A pandemia deixou claro, até para os liberais, a importância dos bancos e das empresas públicas em momentos de crise. A população também começa a perceber de onde vem o socorro.  Penso que o Sistema Único de Saúde (SUS), a Caixa e o BNDES, entre outras joias da República, sairão fortalecidos dessa crise.

 

Acesse as redes da Fenae:

Acesse e conheça as vantagens de ser um associado

Veja também
Nenhum registro foi encontrado.

selecione o melhor resultado