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12/07/19 18:39 / Atualizado em 17/07/19 19:37

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Papel dos bancos públicos é tema de debate no Espírito Santo

VI Congresso Estadual dos Bancários e das Bancárias abre debate sobre luta em defesa de direitos da categoria e sociais

O papel dos bancos públicos e a luta contra a privatização dessas instituições foi tema de debate nesta sexta-feira (12), no Espírito Santo, durante a abertura dos congressos específicos da Caixa e do Banco do Brasil, que integraram a programação do VI Congresso Estadual dos Bancários e das Bancárias. O evento segue até domingo (14), no Hotel Praia Sol, no município de Serra.

O debate foi conduzido pelo presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Jair Pedro Ferreira, que falou sobre a influência dos bancos públicos na economia brasileira e no Espírito Santo. “Das 422 agências bancárias no ES, 298 (71%) são de bancos públicos, como Caixa, Banco do Brasil, Banestes”, destacou.

Os dados apresentados mostram que essas instituições são responsáveis por 93% das operações de crédito no Estado, de um total de R$26 bilhões em empréstimos concedidos, garantindo o acesso bancário à população. Na área rural, cerca de 95% dos financiamentos são feitos pelo Banco do Brasil. “Os números revelam a relevância do papel social e econômico dos bancos públicos no desenvolvimento da região”, completou.

Apesar dessa histórica atuação, o presidente afirma que o setor vem sofrendo ameaças na conjuntura atual, por isso o tema deve ser amplamente discutido.  A presença dos bancos privados é mínima no Estado e representa apenas 7% dos empréstimos. “São os bancos públicos os grandes instrumentos de financiamento e de atendimento à população, mas seguem sob fortes ataques.  O governo tem uma política direcionada para diminuir o papel das empresas, querem fatiar, separar e diminuir o tamanho delas”, enfatiza Ferreira.

A Caixa e o Banco do Brasil também se destacam como maiores operadores de crédito, sendo a Caixa responsável, atualmente, por R$158 milhões, e o BB por R$115 milhões. Os bancos públicos são ainda atuantes em políticas o Financiamento Estudantil (Fies), beneficiando 2,2 milhões de estudantes em 2015 (76% da rede pública) e o Bolsa Família (em 2019 foram mais de R$31 milhões repassados aos beneficiários), viabilizando a manutenção de importantes políticas públicas para a população. Segundo o presidente, o tema deve ser debatido não só entre os bancários, mas levado para toda a sociedade que também será afetada. 

O debate contou com a presença do membro da Comissão de Empresas dos Empregados do Banco do Brasil e da Fretraf-RJ/ES, Danilo Funke, e demais representantes do sindicato dos bancários do ES e funcionários de outras instituições públicas e privadas do setor.

Danilo Funke, avaliou a importância do sindicato tomar a iniciativa e conversar com a sociedade sobre esse cenário, despertando a consciência das pessoas. “Estamos vendo nossa categoria ser extinta no Brasil. Precisamos voltar a nos organizar, e principalmente entender nossa participação e responsabilidade”, frisou.

Retrocesso nas conquistas

Por orientação do Governo, agora a Caixa está sendo retirada do Conselho Curador, uma conquista da classe trabalhadora em 1991. Sobre o episódio, Ferreira comentou que a conquista iniciou com uma campanha chamada Caixa do Povo, resultando na centralização do FGTS na Caixa. Na época, o FGTS podia ser administrado por qualquer banco (públicos e privados) e os privados tratavam o FGTS como mercadoria de custo barato. Na ocasião, foi aprovado em lei que a Caixa assumiria o papel de agente operador da gestão da aplicação do FGTS e isso trouxe uma série de benefícios para os trabalhadores. “Foi quando a população passou a entender aonde estava o seu FGTS, a ter acesso às informações. Lembro que tivemos o primeiro trabalhador fazendo parte do conselho curador, foi o Douglas”, completou Jair Pedro.

Outro destaque do debate foi o papel dos bancos públicos na geração de emprego e renda e a retomada das políticas de investimento na classe. “Se a gente não tiver política para criar emprego e renda, nós não vamos recuperar nada. Não vamos recuperar 13º salário do Funcef, não vamos fazer a economia crescer, nem criar novos empregos. De 2016 para cá a Caixa já perdeu 20 mil vagas de trabalho. As pessoas aposentaram e esse número não foi reposto”, alertou.

Estratégias 

Otimista, Ferreira apontou caminhos. “Nós da classe trabalhadora temos condições de resistir e já provamos isso historicamente. Certamente vamos ter dificuldade, mas não vamos desistir. Esse tipo de evento que está acontecendo hoje reafirma isso. A única alternativa é estar preparado”.

Durante o debate, aberto aos presentes, também foram apresentadas algumas estratégias de luta da categoria diante da conjuntura política e econômica do país como a criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos que conta com 209 membros no Congresso Nacional, além da realização de audiências públicas com importantes representantes do setor. A entidade pretende ainda criar um banco de dados com informações dos municípios para integrar os estados. O site Reconta Aí, que reúne informações dos bancos públicos, também foi citado.

 

 

 

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