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21/04/2018 15:36 / Atualizado em 08/04/2019 08:59

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Palestrantes debatem raiz das desigualdades sociais e econômicas

Djamila Ribeiro e Jessé Souza acreditam que para reduzir a exclusão presente no país é preciso refletir sobre suas origens

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Na tarde deste sábado (21), o sociólogo e escritor Jessé Souza e a filósofa Djamila Ribeiro aprofundaram a reflexão iniciada por Lázaro Ramos na parte da manhã. Em suas palestras sobre os desafios do desenvolvimento econômico e empoderamento feminino eles defenderam que o país somente se tornará mais desigual se o povo brasileiro se questionar sobre as raízes da exclusão em nossa sociedade: a escravidão como base da economia.


Para Jessé, os brasileiros foram secularmente influenciados por um conjunto de ideias hegemônicas, que excluem e marginalizam pessoas. “Porque a gente, a sociedade, escolhe não incluir ? Acho que tem a ver com as ideias socialmente hegemônicas, que são disseminadas em universidades e pela mídia e reproduzem o pensamento de uma elite que não reflete sobre a herança da escravidão típica brasileira, que perdurou por muito mais tempo do que em outros países”, afirmou. 


Na opinião do ex-presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), há um legado histórico que exclui os mais pobres, não enxerga a corrupção no Estado, põe a culpa da corrupção nas pessoas e oculta as isenções fiscais do mercado e a origem da dívida pública. Ou seja, para essa elite a melhor parte do bolo sempre fica para si mesmo e para os pobres sobra o preconceito, o ódio, a culpa.


Djamila, mulher, negra, primeira mulher da família a ter um diploma de curso superior, acredita que o feminismo precisa romper a bolha do ativismo, pois só  a partir da consciência da realidade é possível transformá-la. “Hoje falamos muito de empoderamento, mas muitas vezes não se sabe bem o que isso significa, pensamos que isso é uma coisa individual e não é. Quando o empoderamento é coletivo ele é transformador. Assim como a empatia, ele não é uma coisa que surge de repente, é um processo de aprendizado, que leva tempo e às vezes é doloroso matar o opressor dentro de nós mesmos”, afirma ela. 

Ela defende que preciso denunciar o racismo, o sexismo, o machismo, mas é preciso também mostrar as iniciativas que estão acontecendo, e citou como exemplo o trabalho da União de Mulheres de São Paulo, que ministra cursos para mulheres de baixa renda sobre noções básicas de direitos, como agir em caso de violência doméstica e desrespeito a sua condição feminina. “Muitas vezes pode parecer que somos apáticos, mas muito tem sido feito para buscar outras possibilidade de existência para as pessoas que estão excluídas e discriminadas” ressaltou

 

 

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