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29/03/21 19:56 / Atualizado em 29/03/21 19:56

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O que o presidente da Caixa chama de Banco Digital representa a privatização da Caixa, avalia Fenae

Pedro Guimarães vai transferir as operações mais importantes da Caixa para uma nova instituição financeira, que já nasce com objetivo de privatização

Durante a apresentação do balanço da Caixa Econômica Federal no dia 18 de março, o presidente do banco, Pedro Guimarães, disse à imprensa que a Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST) já aprovou a criação de uma subsidiária, chamada de banco digital.

Questionada pela comunicação da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), a SEST confirmou que “foi favorável à criação da subsidiária da Caixa denominada Banco Digital Caixa S/A, conforme nota técnica emitida à empresa em 4 de março de 2021”. No entanto, a Caixa só terá autorização para criar esta instituição se o Banco Central aprovar, o que não está confirmado.

Segundo Guimarães, a abertura de capital deste novo banco pode acontecer ainda no final de 2021. “Assim que aprovado, eu estimo que entre final deste ano e começo do ano que vem, terá listagem aqui no Brasil e provavelmente no exterior também”, afirmou.

A base desta nova instituição financeira é o aplicativo Caixa TEM – ferramenta totalmente digital criada para realizar o pagamento do Auxílio Emergencial. A Caixa vai transferir para esta ferramenta os serviços de microfinanças, crédito rural e todas as operações de benefícios sociais do banco como o Bolsa Família e financiamento habitacional.

Para o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto, a criação desta nova instituição financeira vai representar a privatização da Caixa. “É uma das operações mais perigosas para o banco público. Está tirando da Caixa não só este imenso avanço digital, mas toda a função pública e social do banco para transferir para outro banco, que será privatizado. Qual o futuro dos programas sociais quando estiver nas mãos da iniciativa privada, que só visa o lucro?”, questiona.

Com a criação do Caixa TEM, analisa Takemoto, a Caixa deu um salto tecnológico. Este avanço digital, conquistado pelo trabalho dos empregados em tempo recorde, já existe, está consolidado e deve permanecer na Caixa como mais um serviço para fortalecer o banco.

Takemoto acrescenta que é urgente que se faça uma mobilização das entidades e empregados para denunciar esse projeto de desmantelamento da Caixa para a sociedade, para os prefeitos, governadores, deputados e senadores. 

Rita Serrano, conselheira de Administração (CA/Caixa) eleita pelos empregados, tem feito críticas à criação desta nova subsidiária e denuncia os riscos para a Caixa. Para ficar claro que a intenção da direção da Caixa não é criar um novo segmento para gerar mais concorrência e fortalecer o banco, Rita Serrano usa o exemplo de outros bancos que também têm plataformas digitais próprias.

“O Banco do Brasil e os maiores bancos privados como Bradesco, Itaú e Santander têm plataformas digitais. A diferença é que foram criadas para atrair o público jovem e entrar na concorrência com as fintechs”, disse “No caso da Caixa é diferente, é um processo quase de cisão do banco - transfere operações principais do banco para uma subsidiária que já tem objetivo de IPO. É um risco para a sustentabilidade e integridade do banco. Com isso, obviamente a Caixa vira um esqueleto. Não vai sobrar muita coisa. Isso é gravíssimo”, alerta.

 

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