Notícias

BELLUZO_BANCOS PUBLICOS.jpg

22/05/19 16:43 / Atualizado em 22/05/19 17:08

minuto(s) de leitura.

“O desenvolvimento brasileiro não é compreensível sem bancos públicos”, defende Beluzzo

O economista fez palestra sobre bancos públicos e desenvolvimento nacional, em São Paulo, como parte das comemorações dos 96 anos do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região

Durante a palestra "Bancos Públicos e o Desenvolvimento Nacional", realizada nesta terça-feira (21), o economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo, fez uma retomada histórica da importância da atuação do setor público no sistema financeiro no Brasil e em outros países do mundo como, por exemplo, Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha.

O evento fez parte das comemorações dos 96 anos do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Participaram da abertura a presidenta do Sindicato, Ivone Silva; a presidenta da Contraf-CUT e ex-presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira; Sérgio Takemoto, vice-presidente da Fenae e secretário de Finanças da Contraf-CUT; Leonardo Quadros, diretor administrativo financeiro da Apcef-SP; e Débora Fonseca, Conselheira de Administração Representante dos Funcionários (Caref) do Banco do Brasil.

“Esse debate sobre a importância bancos públicos e a sua defesa sempre fizemos no Sindicato, uma vez que os bancos públicos sempre sofrem ataques. Mas agora o ataque ele tem sido muito maior por um governo que não se importa nenhum pouco com o bem público do país”, enfatizou Ivone Silva.

O vice-presidente da Fenae, Sérgio Takemoto, falou sobre a importância da Caixa para o desenvolvimento econômico e social do Brasil.  Segundo ele, o banco viveu o auge do que é ser uma empresa de cunho social nos governos Lula e Dilma e que agora está sofrendo ataques permanentes. “Governos assumem querendo se desfazer do patrimônio público, principalmente os governos liberais”, ressaltou.

Takemoto lembrou que a Fenae tem participado ativamente da luta em defesa da Caixa e dos bancos públicos.

Palestra

“O Banco da Inglaterra, por exemplo, teve um papel fundamental na organização da economia inglesa pré-industrial e depois muito mais na industrialização. Ele funcionava como um banco que permitiu que a riqueza fundiária, a terra, se transformasse na riqueza mobiliária. O salta para a industrialização não se faria sem o Banco da Inglaterra”, disse Luiz Gonzaga Belluzo.

Como exemplo atual de bom uso dos bancos públicos para o desenvolvimento, Belluzzo citou o caso da China. “China é um exemplo de eficácia e boas políticas com bancos públicos. Mais de 80% do crédito na China é público. A articulação chinesa são bancos públicos, empresas públicas, cada vez mais refinadas, e impulso ao setor privado”, ressaltou.

Sobre os bancos públicos brasileiros, Belluzzo destacou a importância do Banco do Brasil, Caixa para setores estratégicos e a atuação dessas instituições durante a crise econômica de 2008. “No caso do Brasil, sempre os bancos privados correram atrás dos públicos quando falamos da expansão do crédito. Os bancos públicos lideravam. Vou dar um exemplo. Na crise de 2008 foi crucial o impulso dos bancos públicos – BNDES, BB e Caixa – para dar dinamismo para a economia. A economia se recuperou porque os bancos públicos foram utilizados como instrumento para a recuperação. Um exemplo é o mercado de automóveis. O mercado de carros usados paralisou. Então, para você recuperar o mercado de carros novos, você tinha que começar com o usado para dar liquidez ao mercado. Afinal, a pessoa vende seu carro usado e compra um novo. E quem financiou isso foram BNDES, Banco do Brasil, Caixa e o Banco do Nordeste.”

“Outra dimensão dos bancos públicos é a tremenda ocupação do território nacional. Se você vai lá numa cidade não sei aonde, tem lá um BB ou uma Caixa. Isso é fundamental para a cidadania”, acrescentou o economista.

De acordo com Belluzzo, o sistema financeiro no mundo inteiro se desviou um pouco da função de financiar o desenvolvimento. “É por isso que hoje existe uma movimentação grande nos EUA e na Europa para recuperar esse papel do crédito dos bancos como instrumento de desenvolvimento. Os ingleses, com o Partido Trabalhista, tem uma proposta de um banco de investimentos público. Nós estamos na contramão. Estamos pensando em um mundo que já acabou, se é que um dia existiu.” Para ele, “o desenvolvimento brasileiro não é compreensível sem os bancos públicos”.

Confira abaixo o vídeo na íntegra da palestra Bancos Públicos e o Desenvolvimento Nacional, com o economista e professor Luiz Gonzaga Belluzzo:

Acesse as redes da Fenae:

Acesse e conheça as vantagens de ser um associado

Veja também
Nenhum registro foi encontrado.

selecione o melhor resultado