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23/07/10 18:34 / Atualizado em 23/07/10 18:40

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'O bancário precisa se proteger da violência urbana, moral e psicológica'

A 12ª Conferência Nacional dos Bancários, que ocorre no Rio entre os dias 23 e 25 de julho, debateu na tarde desta sexta segurança bancária e saúde mental. O painel contou com a exposição da psicóloga do trabalho e professora da Universidade de Brasília (UnB), Ana Magnólia Mendes. A mesa foi coordenada pelo secretário de saúde da Contraf-CUT, Plínio Pavão.

Plínio ressaltou o longo trabalho que Ana Magnólia vem desenvolvendo junto ao movimento sindical bancário. "A parceria entre a pesquisadora e os bancários é antiga, remonta a 2003, início de uma pesquisa que depois daria origem à clínica do trabalho, no Sindicato dos Bancários de Brasília. Essa relação se mantém até hoje", pontuou.

A pesquisadora abordou os efeitos da cobrança por produtividade e o estresse pós-traumático. Para ela, é uma tendência cada vez mais constante no serviço bancário a adoção dos chamados modos perversos de gestão, tais como o 'produtivismo' e o 'gerencialismo'. "Esses modos se constituem em verdadeiras ideologias, e estão na raiz de muitos dos problemas do ambiente de trabalho, tais como a busca desmedida de desempenho, a cobrança excessiva da perfeição no trabalho e as relações autoritárias e competitivas entre os trabalhadores bancários", afirma.

Segundo Ana, as questões são geradas coletivamente, porém analisadas individualmente. "Com isso, o trabalhador deixa de se comunicar, de enxergar sentido em seu trabalho, o que é acentuado pelos modos distorcidos de avaliação", analisa.

A psicóloga ainda ressaltou a relação existente entre as doenças físicas e psicológicas observadas na categoria bancária e os problemas na organização do trabalho. "O trabalho deveria ser visto como uma fonte de prazer, mas este elemento está ausente na maioria das vezes. Por isso, o trabalhador tende a desenvolver vários mecanismos de defesa, tais como a aceleração do ritmo de trabalho, que podem levar ao adoecimento físico e psicológico".

"Uma das alternativas é o desenvolvimento de métodos de avaliação mais qualitativos do trabalho. O que há é uma organização baseada no controle, que ameaça e exige uma qualidade total, algo que só é possível às máquinas", diz Ana.

Segurança e estresse pós-traumático

Segundo Ana, o estresse pós-traumático está relacionado à vivência de situações violentas no local de trabalho, como assaltos, ou situações de sofrimento psicológico intenso, sendo de difícil diagnóstico. "Temos dados que mostram que 66% dos bancários se sentem tensos ou preocupados com a possibilidade de assalto, e isso acontece porque de fato a violência urbana é um problema que atinge fortemente a categoria, especialmente nas agências. É preciso lutar para que os bancos se responsabilizem realmente por expor seus trabalhadores a esse ambiente de risco", ressalta a pesquisadora. Os sintomas do estresse pós-traumático incluem fobias, tremores, calafrios, emagrecimento, tiques nervosos, entre outros.

Medidas preventivas

Ana Magnólia ainda apontou algumas formas de lutar contra o sofrimento psicológico e o consequente adoecimento do trabalhador bancário. Segundo ela, fortalecer a organização dos bancários em seus locais de trabalho é uma das formas de diminuir o sentimento de desamparo. "Além disso, é fundamental que as pessoas consigam identificar as situações de sofrimento psicológico e que conversem sobre o assunto. O representante sindical pode e deve ter um papel fundamental nesse trabalho, discutindo o assunto diretamente com a base".

Para ela, a saúde do trabalhador exige uma mobilização individual e coletiva contra o sofrimento. "É essencial buscar mecanismos para combater este sofrimento gerado no ambiente de trabalho a fim de buscar modos para se proteger da violência urbana, moral e psicológica, do ponto de vista individual e coletivo", conclui.

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