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20/07/2020 12:34 / Atualizado em 20/07/2020 12:46

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Live do Canal Brasil discutiu Não Toque em Meu Companheiro, documentário coproduzido pela Fenae

Para Sérgio Takemoto e Jair Ferreira, atual e ex-presidente da Fenae, respectivamente, a história contada pela cineasta Maria Augusta Ramos revela a semelhança entre os governos privatistas de Collor e Bolsonaro

“É um filmaço. Eu recomendo e muito”. Esta é a opinião do repórter do Canal Brasil, Kiko Mollica, sobre o documentário Não Toque em Meu companheiro, que estreou em plataformas de streaming na semana passada. Em uma live realizada na noite deste domingo (19), Mollica entrevistou a cineasta e diretora do filme, Maria Augusta Ramos; o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal, Sérgio Takemoto e o diretor de Formação e ex-presidente da Federação, Jair Pedro Ferreira.

O enredo do filme é a greve geral dos bancários em 1991, que culminou na demissão injusta de 110 empregados da Caixa Econômica Federal. Aí começa uma história de empatia e solidariedade - o movimento sindical organizou uma mobilização dos 45 mil trabalhadores do banco em defesa da readmissão dos empregados. Por meio de um desconto no contracheque, os 45 mil bancários da Caixa pagaram o salário dos demitidos e não sossegaram até a reintegração dos 110 colegas, em 1992.

“É um filme urgente nesse momento. Ele fala de solidariedade mas, ao mesmo tempo, fala dessas políticas neoliberais que querem adotar, de privatização das empresas públicas à diminuição dos direitos”, ressalta a diretora do filme, Maria Augusta Ramos. “Achei uma história belíssima, que precisava ser contada. Foi importante trazê-la para o presente e promover uma reflexão sobre o que estamos vivendo agora, essas novas políticas que afetam diretamente o trabalhador e o cidadão brasileiro”.

Durante a live, a cineasta contou como foi criar um paralelo entre o governo da época e o atual. Naquele ano de 1991, o presidente era Fernando Collor de Mello. Sob o pretexto de “moralizar” o serviço público, extinguiu empresas estatais, retirou direitos e perseguiu trabalhadores. Agora, a história se repete. Bolsonaro e seu ministro da Economia, Paulo Guedes, adotam a mesma prática de tentar desqualificar os trabalhadores, retirar direitos e promover privatizações, especialmente a da Caixa. A diretora conta que durante a pesquisa dos arquivos da época, ela e o pesquisador, Zeca Ferreira, perceberam a semelhança do discurso dos dois presidentes da direita.

Assim como Guta Ramos, o presidente da Fenae, Sérgio Takemoto, acredita na similaridade de Collor e Bolsonaro. “Como disse o filósofo, a história se repete duas vezes - a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa. E a Guta foi muito feliz de fazer esse paralelo”, avalia.

Para Takemoto, os dois governos utilizam a mesma tática de desqualificação do funcionalismo público e esvaziamento dos serviços como desculpa para privatizar empresas estatais. “Na época nos chamavam de marajás; agora, de parasitas. Naquele tempo a gente vivia o processo de sucateamento da Caixa, o esvaziamento de suas atividades. Agora, novamente, o banco é ameaçado de privatização. O presidente da Caixa anunciou que mesmo durante a pandemia vai vender partes da Caixa. Tem muita coisa parecida”.

Jair Pedro Ferreira também participou do bate-papo do Canal Brasil. Ele era presidente da Fenae quando o filme foi gravado e também compara os dos governos. “Se você analisar, a tentativa de acabar com as empresas públicas, os temas, os discursos, são os mesmos”, compara. “Eu lembro que na época do Collor havia a Zélia Cardoso (então ministra da Economia). Aquele governo tomou o dinheiro das pessoas (confisco da poupança do Plano Collor). E aqui tem o Paulo Guedes, que também está tomando o emprego das pessoas. Sem emprego, sem renda, não se gera riqueza”, analisa. “E este é tão pior que acabou com o Ministério do Trabalho e o Ministério da Cultura”, lembra.

Encontro de diferentes gerações

O filme promove um encontro entre os empregados demitidos e a nova geração de trabalhadores. Maria Augusta Ramos explica que o objetivo foi promover o debate para perceber a diferença das gerações e das relações de trabalho. De um lado, colegas que se uniram em solidariedade, na busca por direitos em um momento em que o sindicalismo vivia período de grande força. De outro, jovens que já nasceram na democratização. O debate mostra um conflito de diferentes relações de trabalho e aponta para o perigo do individualismo em detrimento da luta coletiva por direitos.  “De onde vem esse individualismo e o que significa para a sociedade essa ideia de que o trabalhador é um empreendedor de si mesmo? Isso gera uma perda da solidariedade. Empreendedor de si mesmo não pensa no outro, não existe uma luta coletiva”, avalia a diretora.

Para Takemoto, a nova geração de empregados está começando a viver agora os ataques que os trabalhadores sofreram à época da greve dos bancários. Em sua opinião, o documentário é fundamental para mostrar aos jovens a importância da coletividade. “Naquela época a gente lutava por direitos. Agora vivemos um período de resistência para manter as nossas conquistas. Os novos empregados estão enfrentando essa realidade agora, de ter que lutar para manter o que já têm. Eles estão percebendo o momento em que vivemos e que não dá para se calar nesta situação”, avalia. “É essencial que a gente resgate essa história porque teremos que fazer o processo de resistência novamente. E essa luta precisa ser coletiva, porque individualmente não vamos conseguir barrar todos esses ataques”, disse. Como exemplo de novas lutas por direitos, Takemoto citou a recente paralisação dos motoristas de aplicativos. “Há esperanças de reverter este quadro”, acredita.

Importância social da Caixa

Durante a live, o repórter do Canal Brasil, Kiko Mollica, falou sobre sua percepção da importância da Caixa em dois momentos do filme – a chegada de uma agência-barco para atender a população de uma região da Amazônia e a entrega de apartamentos de um conjunto habitacional em São Paulo, pelo programa Minha Casa Minha Vida. “Aí a gente tem ideia da dimensão do valor do banco. Quem coloca um barco daquele no lugar que colocou, definitivamente, não está querendo lucro. Tem um outro papel”, ressalta. “A maioria das pessoas enxerga a Caixa como um banco qualquer, mas ali são dois momentos que apontam para a outra realidade da Caixa”.

A cineasta concordou. “Precisava mostrar a importância do papel social da Caixa e dos bancos públicos para o País. É importante desconstruir essa falácia de que o mercado é virtuoso e de que o público é ruim, ineficiente, burocrático e pseudo-corrupto. Eu acho que isso é uma falácia e não é a realidade de muitas empresas públicas brasileiras”, finalizou.

Exibição exclusiva

O bate-papo no Instagram do Canal Brasil aconteceu depois de uma exibição especial do longa-metragem para os empregados da Caixa. A bancária aposentada, Diva Maria Fernandes, aproveitou a oportunidade para assistir pela primeira vez ao filme e ouvir dos próprios personagens o relato de solidariedade que ouvia dos colegas enquanto estava na ativa. “Durante um bom tempo em que fui delegada sindical, ouvi muito sobre essa história. Eu e meus colegas ficávamos admirados com o companheirismo entre os empregados que estavam na ativa e os que foram demitidos”, conta. “Achei muito legal a iniciativa da Fenae de organizar essa rede de solidariedade. Afinal esses colegas estavam lutando por melhores condições de trabalho para todos. É uma história de unidade, um exemplo de companheirismo. Tenho muito orgulho dela”, ressalta Diva Fernandes, que hoje é diretora cultural da Apcef/RS.

Preços e Acesso

Não Toque em Meu Companheiro pode ser assistido nas cinco plataformas aos preços de R$ 6 (FilmeFilme), R$ 6,45 (Vivo Play), R$ 7,45 (Net Now), R$ 9,99 (Looke) e R$ 12,90 (Oi Play). Em breve, o documentário também estará no iTunes (R$ 14,90) e no Google Play (R$ 6,90).

Assista a live aqui.

 

  

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