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26/11/20 20:12 / Atualizado em 27/11/20 08:06

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Live conclui: condições de trabalho adequadas fortalecem a Caixa, o atendimento à população e o Brasil

Debate foi realizado pela Fenae em parceria com a Contraf/CUT e ocorreu nesta quarta-feira, dia 25, com foco em PDV, metas e contratações. Participaram da transmissão Sergio Takemoto, Fabiana Uehara, Mairton Neves e Albucacis de Castro

Face a um governo que mira a privatização de estatais como principal foco de gestão, os desafios são cada vez maiores para os empregados da Caixa Econômica Federal. Nas unidades, Brasil afora, aumentam os casos de adoecimento por conta de jornadas exaustivas e de metas estabelecidas sem aviso ou negociação prévia com os trabalhadores e suas entidades representativas. A reivindicação, portanto, é por menos metas e mais respeito, combinada com mais contratações e menos filas. O maior referencial dessa luta é a manutenção da Caixa 100% pública e por nenhum direito a menos.

Para debater como andam o clima e as condições de trabalho dos colegas do banco, recentemente impactados por mais um Programa de Desligamento Voluntário (PDV), a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) realizaram a live “PDV, metas e contratações”. O encontro online ocorreu nesta quarta-feira (25), com transmissão ao vivo pelo Facebook e Youtube.

Na bancada do debate virtual, mediado pela jornalista Ana Paula Bessa, estiveram Sergio Takemoto (presidente da Fenae), Fabiana Uehara Proscholdt (coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados – CEE/Caixa), Mairton Garcia Neves (presidente da Federação Nacional das Associações dos Gestores da Caixa/Fenag) e Albucacis de Castro Pereira (gestor da área de saúde e consultor da Fenae).

Sergio Takemoto

Sergio Takemoto abriu os debates criticando o fato de que, depois de um ano conturbado pela pandemia do coronavírus, os empregados da Caixa são surpreendidos com o anúncio de mais um PDV e com o reajuste da política de metas do banco, havendo relatos de duplicação e até triplicação para alguns trabalhadores. Ele lembrou que, entre 2014 e 2020, a instituição perdeu mais de 17 mil bancários, por meio de planos de demissões, podendo chegar a uma defasagem de mais de 20 mil, com mais sobrecarga de trabalho. “Não há, por parte da direção da Caixa, nenhuma resposta para os questionamentos sobre reposições. O atual quadro de empregados, cada dia menor, poderia ser recomposto pela contratação dos aprovados no concurso de 2014, o último realizado pela empresa”, denunciou.

Durante a transmissão, o presidente da Fenae criticou a fala de Pedro Guimarães quando do ato de apresentação do resultado contábil do terceiro trimestre de 2020, realizado nesta quarta-feira (25), em Brasília. Segundo Takemoto, no lugar do presidente da Caixa estar preocupado com a melhoria das condições de trabalho dos empregados e com a qualidade do atendimento à população, o foco é o inverso: dirige-se, basicamente, a uma economia de R$ 580 milhões nas despesas com pessoal no período de 12 meses. “Portanto, a preocupação não é com as pessoas, mas com o lucro. A redução do número de empregados é vista como economia, o que prova o descaso para com os trabalhadores e para com o banco público e social. Se assim não fosse, Guimarães ressaltaria o papel social da empresa, as condições dignas de trabalho para os empregados e a melhoria do atendimento à população”, declarou.

No debate online, Sergio Takemoto disse que a Fenae irá continuar lutando por melhores condições de trabalho e por mais contratações. “É preciso lutar e resistir contra os desmandos e o desmonte da Caixa perpetrados pelo governo Bolsonaro e pela gestão Pedro Guimarães”, resumiu.

Fabiana Uehara

Para Fabiana Uehara, o que vem acontecendo é a tentativa de desmontar a Caixa. Segundo ela, os números apresentados pelo balanço do terceiro trimestre de 2020 apontaram para o seguinte: o banco público é lucrativo e tem condições de ser vendido, na perspectiva dos atuais gestores da instituição. Sobre as metas abusivas, a coordenadora da CEE/Caixa foi taxativa: “Desde 2015, há redução no quantitativo de trabalhadores sem reposição. Sem condições de trabalho, os empregados estão cada vez mais doentes e sem a mínima condição de fazer melhor a sua tarefa profissional. E aí a direção do banco vem com essa história de metas, uma falácia sem tamanho”.

Fabiana Uehara disse que até o encerramento do PDV, em 20 de novembro, o déficit do quadro de pessoal superava a marca de 17 mil profissionais. Em 2014, segundo ela, a empresa contava com 101,5 mil trabalhadores, chegando atualmente a 84,2 mil empregados. A coordenadora da CEE/Caixa afirmou que é justamente para reivindicar mais trabalhadores que a Fenae e a Contraf/CUT lançaram um abaixo-assinado em defesa de contratações e contra as metas abusivas, já com muitas adesões em todo o país.  Lembrou ainda de outra iniciativa em passado recente, cujo mote era reivindicar “mais empregados para a Caixa e mais Caixa para o Brasil”. Isso, segundo ela, mostra que a luta por mais contratações é histórica.

“Tivemos as adesões ao PDV na Caixa com o desligamento de colegas nos locais de trabalho. Somada a isso, metas mais que abusivas, metas adoecedoras e a ausência de contratações. Essas são questões que têm deixado os empregados estafados”, reiterou a coordenadora da Comissão Executiva dos Empregados. Ela considerou o debate da live da Fenae e da Contraf/CUT importante para reforçar a mobilização para que a Caixa ofereça condições de trabalho, respeite os empregados e faça novas contratações. “Nossa luta, portanto, é para que os empregados tenham condições de trabalho respeitadas, melhorando a qualidade de vida e atendendo melhor a população”, esclareceu.

Mairton Neves

O presidente da Fenag, Mairton Neves, ponderou que a atual situação dos empregados é bastante difícil, devido, entre outros fatores, a condições de trabalho estressantes.  Disse que o aumento de metas na Caixa, no último período, está sobrecarregando os empregados. E questionou o porquê disso tudo.

“As jornadas têm sido desgastantes, em função da grande demanda por atendimento nas agências de todo o país. Para prestar esse atendimento, os gestores da Caixa contam com suas equipes reduzidas, devido ao home office, e ainda têm que prestar atendimento aos sábados, reduzindo ainda mais o tempo para se dedicarem às suas famílias, que vivem esse momento de isolamento social”, salientou.

Mairton Neves opinou que as metas abusivas comprometem os resultados e a sustentabilidade do banco. “Para a gestão do banco, tudo parece resumir-se apenas a números e há um completo esquecimento sobre a história dos empregados”, pontuou.

Para o presidente da Fenag, a defesa da Caixa é importante. Ele afirmou que o banco digital, ainda a ser criado, poderá contribuir para o fortalecimento da Caixa pública e social, pois conhecimento é o ativo do futuro. “Isso, no entanto, precisa estar a serviço da sociedade brasileira”, acrescentou.

Albucacis de Castro

O médico Albucacis de Castro considerou uma situação estressante o bancário da Caixa trabalhar em condições inadequadas, com filas e mais filas nas unidades do país. “Isso é expor os empregados, isso leva a adoecimento e a casos de depressão, com muitas consequências nocivas aos trabalhadores.

O consultor da Fenae definiu saúde como o bem-estar físico, mental e social e não como apenas a ausência de doença. “Os problemas são causados por menor quantidade de empregados, aumento das tarifas, preocupação com a saúde e insegurança no ambiente de trabalho. São por essas situações danosas que os empregados na Caixa estão ficando doentes”, explicou.

Gestão "criminosa"

Ao fim do debate online, todos os participantes condenaram a política de meritocracia na Caixa, responsável por situações de assédio moral, adoecimento e esgotamento dos empregados. O presidente da Fenae definiu como criminosa a gestão Pedro Guimarães pelo que vem fazendo: fala uma coisa e faz outra totalmente diferente.

Assim, a live “PDV, metas e contratações” pode ser resumida nas palavras finais de Sergio Takemoto, que falou o seguinte: “A atual gestão da Caixa se recusa a dialogar com os empregados e com as entidades representativas. É preciso reagir a isso, pois não dá para admitir uma situação dessa. A política de mais empregados fortalece a Caixa, o atendimento à população e o Brasil”.

 

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