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27/07/2016 07:54 / Atualizado em 27/07/2016 07:57

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Latinidades alerta para o combate ao racismo nos meios de comunicação

Festival de mulheres negras da América Latina promove conferência com a norte-americana Kimberlé Crenshaw, reconhecida intelectual negra da atualidade, nesta sexta-feira (29), em Brasília

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O festival de mulheres negras da América Latina, o Latinidades, chega à 9ª edição e traz como tema para este ano a Comunicação e o combate ao racismo nos meios midiáticos, sejam eles empresariais, públicos, alternativos ou independentes. O festival será realizado até sábado, dia 30, no Museu Nacional da República (Esplanada dos Ministérios), em Brasília.

A entrada é franca e a programação dispõe de música, dança, teatro, literatura, formação, capacitação, empreendedorismo, economia criativa e comunicação. O festival começou na segunda-feira (25) e teve como marco o Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha.

Na sexta-feira (29), será realizada uma conferência com a norte-americana Kimberlé Crenshaw, uma das mais reconhecidas intelectuais negras da atualidade. Seu trabalho inovador chegou a influenciar a elaboração da cláusula sobre equidade presente na Constituição sul-africana. Também estão na programação atividades para crianças, oficina de turbantes, cinema e vários shows.

"Temos que pautar e debater as desigualdades e a discriminação em todas as camadas da sociedade. As mulheres, principalmente negras, são diariamente agredidas, em vários sentidos, em todos os espaços pelo machismo e pelo racismo institucionalizados através dos tempos", explica o diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília Jefão Meira.

Vários estados e também outros países realizam o festival que tem caráter cultural-formativo.
Segundo a organização do Latinidades, o objetivo central do festival é abordar a visibilidade (ou a falta dela) das mulheres negras e sua representação em todos os espaços. “Nos meios de comunicação, por exemplo, esta representação tem se dado de forma predominantemente discriminatória”, esclarece. Por este motivo, nesta 9ª edição, a intenção é “se apropriar de quantas ferramentas e espaços midiáticos sejam possíveis: dos grandes e tradicionais meios de comunicação aos independentes; da tradição oral; da tv e do rádio ao carro de som; das redes sociais atuais ao fanzine; sem desconsiderar o famoso correio-nagô, o boca-a-boca/buxixo”.

Informações da Fundação Cultural Palmares mostram que a população de origem negra corresponde a 53% dos brasileiros. Mesmo assim, o segmento ainda luta para eliminar desigualdades e discriminação. São cerca de 97 milhões de pessoas oprimidas e sub-representada no Legislativo, Executivo, Judiciário, na mídia e em outras esferas. “Em se tratando do gênero, o abismo é ainda maior”, afirma a Fundação, se referindo às mulheres negras.

A data

O Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha foi criado em 25 de julho de 1992, durante o I Encontro de Mulheres Afro-Latino-Americanas e Afro-caribenhas, em Santo Domingos, República Dominicana. No Brasil, a presidenta Dilma Rousseff sancionou em 2014 a Lei nº 12.987/2014, que celebra o Dia Nacional de Tereza de Benguela (líder quilombola) e da Mulher Negra.

Segundo a Fundação Cultural Palmares, Tereza de Benguela viveu durante o século 18. Com a morte do companheiro, ela se tornou a rainha do quilombo e, sob sua liderança, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas, sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído pelas forças de Luiz Pinto de Souza Coutinho e a população (79 negros e 30 índios), morta ou aprisionada.

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