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22/08/07 05:16 / Atualizado em 13/12/08 10:55

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Justiça quebra sigilo bancário da Bancoop

A Justiça quebrou o sigilo bancário da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop), alvo de inquérito policial que apura supostos crimes de estelionato, apropriação indébita e formação de quadrilha. A devassa atinge todos os dados cadastrais e bancários de contas correntes, contas de poupança, fundos de investimento e fundos de ações de titularidade da Bancoop. A ordem foi dada pelo Departamento de Inquéritos Policiais (Dipo), setor da Justiça estadual que fiscaliza as investigações da polícia.

O pedido para acesso às informações bancárias da Bancoop foi feito pelo delegado Sérgio Ricardo Silva, que dirige o inquérito Bancoop, número 232/07. O requerimento, integralmente acolhido pela Justiça em julho, é também subscrito pelo promotor de Justiça José Carlos Blat. A Justiça mandou a Bancoop fornecer os números das contas correntes de todos os empreendimentos imobiliários, com a respectiva agência, apontando os responsáveis pela movimentação financeira. Na semana passada, começaram a chegar os extratos bancários da cooperativa, criada há 11 anos por iniciativa do Sindicato dos Bancários.

O deputado Ricardo Berzoini (PT) é fundador da entidade, que tem entre os cooperados o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Ministério Público suspeita que 3 mil cooperados tenham sido lesados - eles alegam não ter recebido a chave dos imóveis nem a escritura e denunciam pressões para desembolsar valores não previstos contratualmente para cobrir rombo financeiro da cooperativa.

A Bancoop não pode ter fins lucrativos, mas, segundo o promotor, seus membros são “sócios cotistas de empresas que prestam serviços como empreiteiras e fornecem matéria prima”. O promotor Blat destaca que os associados “agem com proveito econômico próprio, com efetiva finalidade lucrativa, transformando, assim, a cooperativa em verdadeira empresa comercial”. Segundo ele, “verifica-se que a cooperativa está voltada para o mercado imobiliário como uma empreiteira qualquer”.

“Transformaram a Bancoop em negócio lucrativo, utilizando os benefícios da lei para lesar, em tese, milhares de cooperados. Não há fiscalização na gestão dos empreendimentos e da movimentação bancária. Há notícia de captação de recursos junto ao mercado financeiro através de um contrato de cessão de direitos e obrigações de cooperados criando um Fundo de Direitos Creditórios”, afirma o promotor.

O presidente da Bancoop, João Vaccari Neto, afirmou que a cooperativa já colabora com a apuração. Por sua assessoria, Vaccari explicou que participou de reunião com o Ministério Público. “Nessa reunião, registrada inclusive em ata do Ministério Público, colocamos todos os documentos à disposição”, informou. Ele reiterou que sua gestão é pautada pela transparência. “Não havia necessidade da quebra do sigilo porque já passamos todos os documentos. Concordamos com a investigação.”

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