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27/03/20 20:00 / Atualizado em 27/03/20 20:15

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Jair Pedro Ferreira ressalta importância da Caixa pública para conter crise do coronavírus

Para o presidente da Fenae, as entidades representativas têm sido desafiadas a agir para preservar a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. Ele diz ser preciso levar em conta ainda a necessidade de atendimento das demandas da população, como parte da missão do único banco 100% público do país

Nesta entrevista, Jair Pedro Ferreira, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), avalia os impactos da crise na economia e nas atividades dos empregados do banco. Ele analisa ainda os efeitos práticos das medidas adotadas até agora, o atendimento a clientes e usuários e a relevância do papel da Caixa para o desenvolvimento do país. Confira. 

Que avaliação pode ser feita sobre a atual crise e os impactos na economia do país?

Jair – A economia brasileira já vinha com problemas muito antes, com altas taxas de desemprego e momentos de incerteza e insegurança. Agora, com essa pandemia, a presença do Estado mostra-se fundamental. A Caixa e outros bancos públicos têm papel importante nesses períodos mais difíceis da economia, pois atuam, de maneira decisiva, para a realização de políticas públicas. Isso, no caso da Caixa, é parte de sua característica de banco público e social. Tal como ocorreu em outras situações conjunturais, a empresa está pronta para ajudar o país a retomar o crescimento econômico.

A atual crise quebra por completo uma das teses difundidas pela equipe econômica do governo, de ser preciso vender todo o patrimônio público nacional. Com isso o discurso sobre a necessidade de fatiamento da Caixa, baseada na privatização das subsidiárias mais rentáveis (seguros, loterias, cartões e ativos), não se sustenta mais. Os bancos públicos continuam sendo os principais instrumentos do Estado para reduzir o impacto da crise causada pela pandemia.

Temos que nos preocupar com as pessoas. É preciso demonstrar cuidado e respeito com o fato de como a população sairá dessa pandemia. Como as medidas anunciadas até agora pelo governo são insuficientes, a busca de soluções para ampliar a segurança de todos os trabalhadores faz-se cada vez mais necessária.

As medidas adotadas pela Caixa atendem o propósito de ampliar a rede de proteção aos empregados na prevenção ao coronavírus?

Jair - A direção da Caixa precisa olhar para as demandas dos empregados. Apesar de algumas medidas adotadas até agora, muita coisa ainda precisa melhorar. Os empregados estão com medo e manifestam a intenção de ficar em casa, conforme orientação dada pelo governo. Atender à população está na missão da Caixa. Isso precisa ser levado em conta.

A gestão do banco tem a responsabilidade de garantir atendimento nas agências dos casos de extrema necessidade e com agendamento. Um contingente mínimo de 30% de empregados está em atividade, com horário intercalado e em sistema de rodízio. O importante, nesse caso, é reforçar ações de segurança para que os trabalhadores não sejam contaminados.

Qual tem sido o peso da atuação da Fenae e de outras entidades representativas na cobrança de ações para assegurar a saúde dos trabalhadores?

Jair – As entidades representativas, entre elas a Fenae, têm sido desafiadas a agir para preservar a saúde e o bem-estar do pessoal da Caixa. Isso tem sido feito com negociações com a atual gestão. É importante que os trabalhadores sejam ouvidos, com o banco atendendo reivindicações de acordo com a necessidade de cada situação.

A Caixa tem caráter público e social. As demandas da população precisam ser atendidas, naquilo que for emergencial e essencial. Nesse momento de grave crise, estamos fazendo todo um esforço para assegurar a nossa forma de atuar em defesa da Caixa 100% pública. Esse é um desafio gigante que temos pela frente.

Outra medida que deve ser tomada, por parte da Caixa, é o fornecimento aos trabalhadores de equipamentos individuais adequados, como álcool gel, máscaras, materiais de limpeza e outros utensílios. Esse cuidado o banco precisa ter.

As entidades representativas têm ajudado também na orientação aos empregados e à população, pois a cada dia recebemos demandas de todos os estados e lugares. Esse serviço torna-se imprescindível em meio a situações de risco. A tarefa de tratar as pessoas com respeito está diretamente associada à necessidade de olhar a sociedade como um todo.

Como você avalia a situação de quem está trabalhando nas agências, mesmo em horário reduzido?

Jair – É fundamental que tenhamos um conhecimento direto e permanente do grupo de empregados que presta um serviço em prol da sociedade. Na Caixa e em outras instituições financeiras públicas, há sempre gente trabalhando para ajudar a população. Isso não tem preço, pois funciona como uma missão.

É preciso contribuir para que a Caixa continue a exercer seu papel social. Por isso é importante o esforço de garantir a proteção à saúde dos trabalhadores do banco, que sempre demonstraram garra e determinação todas as vezes que foram acionados.

Qual o papel da Caixa neste momento do Brasil?

Jair – A Caixa, na condição de principal operadora das políticas públicas no país, atua como uma empresa sólida, com capacidade técnica e a serviço de um projeto de desenvolvimento nacional, com foco na geração do emprego e na recuperação econômica de estados e municípios.

Nesse momento de acentuada crise, a importância do banco público aumenta no sentido de permitir que os setores mais desassistidos da população não sofram mais. Para a sociedade brasileira, com registro de índices elevados de desigualdade social e econômica, é imprescindível ter um banco com as características da Caixa.

A existência da Caixa e de outros bancos públicos é essencial para conter os impactos do coronavírus no Brasil. Sem o crédito dessas instituições hoje, a crise seria muito mais profunda.

 

 

 

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