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24/11/2017 11:16 / Atualizado em 25/11/2017 07:20

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Investidores disputam participação na Invepar

Com dificuldades de liquidez, concessionária é considerada atrativa pelo mercado. Venda reduzirá presença dos fundos de pensão e trará prejuízos

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Segundo maior ativo de renda variável da Funcef e um dos principais fatores de deficit da Fundação, a Invepar é objeto de disputa de ao menos três investidores. Além da francesa Vinci e do fundo Mubadala, dos Emirados Árabes, agora quem se apresenta é a CCR, controlada pelas construtoras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Com dificuldades de liquidez e credibilidade abalada por sua ex-sócia OAS, empresa investigada que passa por liquidação extrajudicial, a Invepar é vista como atrativa e pode ser vendida em condições nada vantajosas. Para os demais sócios – entre eles a Funcef – as chances de realizar prejuízo são grandes.
 
A proposta em negociação prevê a incorporação da Invepar pela CCR mediante troca de ações e injeção de capital. Segundo informações divulgadas na imprensa, a concessionária carioca precisa de cerca de R$ 800 milhões para equilibrar o caixa. Os jornais também mostram que a fatia de 25% da Invepar que era da OAS e hoje está nas mãos de credores poderia entrar na troca de ações ou ser vendida. A negociação também prevê que as participações dos fundos de pensão (Funcef, Petros e Previ) seriam diluídas, ou seja, reduzidas. Com isso, a CCR passaria a ter o controle da empresa. Mais à frente, o capital da Invepar poderá ser aberto e as fundações teriam liberdade de negociar seus papeis na Bolsa.
 
Na opinião da diretora de Saúde e Previdência da Fenae, Fabiana Matheus, é importante observar o quanto os investimentos tidos como deficitários estão despertando interesse no mercado e o quanto isso pode demonstrar a capacidade de recuperação desses ativos. “Fica nítido que os fundos de pensão terão sua participação reduzida e que as perspectivas de receita a partir desses investimentos cairão se a participação da OAS for vendida dessa maneira. Corremos risco de realizar grande prejuízo”, alerta a dirigente.
 
Especialistas do mercado apontam que a crise da OAS comprometeu o fluxo de aportes previsto para a Invepar, o que prejudicou o negócio como um todo. Além disso, os demais investidores poderiam ter procurado muito antes um novo sócio para comprar a participação da empreiteira. A medida evitaria muitas perdas financeiras e de credibilidade.
 
Investimento da Funcef

Segundo relatórios da Invepar, a companhia apresentou resultados positivos de 2009 a 2014. Em 2015, houve perdas em decorrência da liquidação de debêntures e do valor da outorga do Aeroporto de Guarulhos. Em 2016, as ações da Invepar sofreram desvalorização de 22,1% e provocaram no fundo de pensão do pessoal da Caixa uma perda contábil de R$ 483 milhões, conforme o balanço anual da Fundação.
 
Segundo a Funcef, que detém 25% das ações da empresa, entre 2009 e 2012, foi aportado R$ 1,2 bilhão no negócio. A concessionária encerrou o ano passado com um passivo de R$ 2,8 bilhões e fechou o terceiro trimestre de 2017 com R$ 239 milhões de prejuízo. No entanto, não há nos balanços dos planos de benefícios da Funcef especificação sobre a rentabilidade obtida com a Invepar.
 
Em setembro, a Invepar anunciou a devolução ao governo da concessão do trecho de 936 quilômetros da rodovia BR-040 entre o Distrito Federal e Juiz de Fora (MG). Segundo a concessionária, a conjuntura econômica e a queda do tráfego estimado dificultaram o cumprimento do plano de negócios, o que a levou a aderir ao processo estipulado pelo Governo, que prevê a repactuação amigável do contrato e realização de novo leilão.
 
Além do Aeroporto de Guarulhos, a empresa detém nove concessões de rodovias, entre as quais a Raposo Tavares, em São Paulo, e também atua em mobilidade urbana, com o MetrôRio, VLT Carioca e MetrôBarra.

 

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