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02/02/17 13:00 / Atualizado em 12/05/17 12:45

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Invepar representa R$ 541,2 milhões no deficit da Funcef

Investimento está com desvalorização de quase 22%. Participantes anseiam por explicações sobre o futuro dos ativos

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A Invepar, concessionária que administra o Aeroporto de Guarulhos (GRU), além de outros empreendimentos como MetrôRio, MetrôBarra, VLT Carioca e mais uma série de rodovias, está entre os investimentos da Funcef com maior desvalorização. Do total de R$ 7 bilhões de deficit a equacionar em 2015, a Invepar responde por R$ 541,2 milhões.
 
No REG/Replan Saldado, com deficit a equacionar próximo a R$ 6 bilhões, o impacto da Invepar representa R$ 493,4 milhões ou 8,2% da conta. No Não Saldado, cujo deficit a equacionar é de aproximadamente R$ 1 bilhão, o impacto chega a R$ 47,9 milhões ou 4,7%. Para o REB, a perda contábil de 2014 para 2015 foi de R$ 16,3 milhões, e para o Novo Plano, R$ 55,4 milhões.
 
Parecer da KPMG Auditores Independentes, agregado às demonstrações financeiras da Fundação, registra “incerteza que pode levantar dúvida significativa quanto à capacidade de continuidade operacional”. Em 2014, a participação da Fundação na Invepar valia cerca de R$ 2,8 bilhões; em 2015, caiu para aproximadamente R$ 2,2 bilhões, uma redução total que chega a R$ 613,1 milhões ou 21,9%. Com tamanha perda, a Invepar contribui para o deficit da Funcef, que por sua vez, detém ¼ das ações da empresa. A situação atual do investimento e o seu impacto no deficit dos planos administrados pela Funcef precisam ser esclarecidos aos participantes.
 
“É importante que a Funcef mostre ao participante as condições do investimento e a expectativa para o futuro. Transparência nunca é demais e esse é um direito de quem coloca o dinheiro na fundação”, explica Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae.
 
Invepar opera no negativo

Especialmente na operação do GRU, a Invepar enfrenta dificuldades com o valor da outorga - taxa anual que se paga ao Estado pelo direito de uso da estrutura , que se tornou caro demais ante o faturamento da concessionária, inferior ao estimado em 2012, quando ocorreu a concessão. O balancete mais recente da Invepar, publicado em setembro de 2016, indica R$ 3,2 bilhões em passivos circulantes, causados, principalmente por empréstimos, debêntures e passivo da concessão de serviço público. Por outro lado, a companhia acumula R$ 2,9 bilhões em ativos.
 
Situação atual do investimento

A Invepar detém a concessão do aeroporto desde 2012, devendo mantê-la por 20 anos. Naquele ano, as operações de crédito no país representavam mais da metade do PIB, a dívida pública líquida mantinha-se estável e a taxa básica de juros (Selic) - referência para os títulos públicos e aplicações em renda fixa, havia se reduzido de 11% em 2011 para 7,25%, o que tornava necessária a diversificação dos investimentos para o alcance das metas atuariais.
 
Hoje, o patrimônio negativo da empresa coloca em risco a sua própria existência, ao mesmo tempo em que dificulta qualquer negociação. Diante da situação, a solução proposta pela concessionária do GRU ao governo federal foi a renegociação das bases contratuais, algo que para os acionistas da companhia pode ser bom, mas para o país nem tanto.
 
Para a Funcef, que entre 2009 e 2012 aportou R$ 1,2 bilhão no negócio – segundo informações publicadas pela própria fundação - uma eventual opção por vender as ações da Invepar significaria realizar um enorme prejuízo. Os outros acionistas - Previ (25,4%); Petros (25%) e OAS (24,6%) - vivem o mesmo dilema.
 
A Funcef determina o valor da sua participação na Invepar pelo método de fluxo de caixa descontado, ou seja, como as ações da concessionária não estão na bolsa de valores, a variável considerada é a expectativa de faturamento. Isso explica a perda de valor, por enquanto contábil, do investimento.

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