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01/10/2020 15:09 / Atualizado em 01/10/2020 15:13

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Idosos cobram respeito e fim de todas as formas de violência

No Dia Internacional do Idoso, comemorado nesta quinta-feira (1º de outubro), maiores de 60 anos lutam contra a invisibilidade, o preconceito e outras agressões injustificáveis. No Brasil, a reivindicação é por políticas públicas de atendimento

Nas ruas, no trânsito e até dentro da própria casa, os maiores de 60 anos – os chamados idosos – têm sido alvos de diversas formas de violência. Há registro de situações de apropriação indevida das aposentadorias por familiares, assédio de instituições financeiras que insistem na oferta de produtos, desrespeito aos lugares especiais nos transportes públicos, más condições das calçadas e até mesmo casos de fome e desnutrição.

As ocorrências de ataques contra pessoas socialmente vulneráveis, no caso os idosos, têm aumentado em todo o país, principalmente neste período de isolamento social por conta da pandemia de coronavírus. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui 7,7 milhões de trabalhadores ocupados com mais de 60 anos. Mais da metade desse contingente atua no setor de serviços e depende, para sobreviver, do auxílio emergencial de R$ 600, benefício que o governo Bolsonaro pretende acabar até o fim deste ano.

Pesquisa recente do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) aponta que, com o fim da política de valorização do salário-mínimo e com a famigerada “reforma” da Previdência, a renda das famílias mantidas por idosos fica ainda mais escassa. Isso leva, na maioria das vezes, ao perigo da exposição dos maiores de 60 anos ao vírus, todos os dias, na busca para trazer sustento para dentro de casa.

Perante o descaso por parte do governo federal, agravado pela falta de políticas públicas diante da maior crise sanitária, econômica e social, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) considera fundamental denunciar que os mais velhos sofrem violência, inclusive a psicológica. “Uma medida precisa ser adotada urgentemente pelo Brasil: ratificar a Convenção Interamericana sobre a Proteção dos Direitos Humanos dos Idosos, criada em 2015 e que, desde então, está parada no Congresso Nacional”, propõe Sergio Takemoto, presidente da Fenae.

Sergio Takemoto cobra o fim das agressões explícitas ou veladas, como o preconceito, e reivindica políticas públicas de atendimento para as pessoas da melhor idade. No Brasil, hoje, de acordo com o presidente da Fenae, há uma população que vem passando por um processo acelerado de envelhecimento, ao mesmo tempo em que inexiste a devida preocupação com esse tema.

“A omissão do Estado em políticas de proteção, que inclui moradia digna, saúde, transporte e lazer, entre outros, é também outra forma de agressão àqueles que deveriam ser tratados com respeito e dignidade”, pontua.  Ele classifica o desmonte na Previdência, causado por uma reforma imposta pelo atual governo federal, como outra prática violenta. Em contraposição a isso, Takemoto defende a tese de que a construção da cidadania, com inclusão de direitos dos idosos, funciona como uma resistência a essa onda de privatização do patrimônio público. 

É justamente nesse cenário de abandono e de retirada de direitos que 35 milhões de brasileiros com mais de 60 anos comemoram nesta quinta-feira, em 1º de outubro, o Dia Internacional do Idoso, data que integra o calendário de celebrações da Organização das Nações Unidas (ONU).  Esse dia foi instituído em 1991 e, desde então, reflete o momento histórico pelo resgate de direitos e antecipa o futuro, propondo uma mudança radical na experiência do tempo. No Brasil, a principal reivindicação é a adoção de políticas públicas de atendimento.

O dia 1º de outubro, portanto, é reservado para pensar sobre todas as questões fundamentais a respeito do idoso. A data serve para fomentar a reflexão sobre a situação da assistência, integração e participação dos mais velhos na sociedade. 

Para Vera Lúcia Barbosa Leão, diretora de Assuntos de Aposentados e Pensionistas da Fenae, cabe ao Estado compensar eventuais deficiências no atendimento aos idosos com políticas públicas que protejam os mais velhos e desamparados. Ela esclarece que isto poderá ser feito pelo reconhecimento e respeito aos direitos dos maiores de 60 anos, conquistados à custa de muitos anos de trabalho, luta e sofrimento. 

Fazem parte desse grupo, segundo a diretora de Assuntos de Aposentados e Pensionistas, milhares de homens e mulheres que cumpriram com louvor uma missão de atuação na defesa da cidadania e do desenvolvimento humano do nosso país. 

“Estatísticas apontam que políticas públicas são necessárias para atender e fortalecer a capacidade funcional, aumentando a sobrevida e o desempenho de percepção e raciocínio de uma população da melhor idade, que representa, hoje, quase 15% dos brasileiros que estão envelhecendo mal, num país em crise e com cortes nas despesas em educação e saúde. Vamos cuidar bem de quem cuidou de muita gente a vida toda”, enfatiza.

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