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27/09/17 11:32 / Atualizado em 27/09/17 12:27

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Governo quer extinguir papel social da Caixa e retirar direitos de empregados

De acordo com a imprensa, medidas fazem parte do plano para abrir o capital do banco. Incluem, entre outros, reavaliar a atuação como executor de políticas públicas e diminuir ainda mais a concessão de crédito

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Segundo noticiado pelo O Globo nesta quarta-feira (27), o governo de Michel Temer está empenhado em abrir o capital da Caixa Econômica Federal. Entre as medidas para tornar o banco atrativo, o que significa na prática agradar possíveis investidores privados, estão limitar as despesas com pessoal, reduzir ainda mais a concessão de crédito, inclusive para a realização do sonho da casa própria, e rever a atuação como executor de políticas públicas.

A informação veio justamente um dia após a Caixa divulgar o balanço do segundo trimestre. De acordo com os dados, o lucro líquido foi de R$ 4,1 bilhões de janeiro a junho, o melhor resultado semestral da série histórica do banco. A carteira de crédito alcançou saldo de R$ 715,9 bilhões em junho, com participação de 22,8% no mercado. A carteira imobiliária totalizou R$ 421,4 bilhões, com ganho de 1,3 p.p. de participação no mercado, mantendo a liderança com 68,1%.

O presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, reforça que o que está em curso é um processo para diminuir e desmontar a Caixa. “Está no DNA dela a execução de políticas em favor dos brasileiros, sobretudo dos mais necessitados. Isso só é possível porque o banco é 100% público. Instituições privadas não terão qualquer preocupação com papel social. Não podemos permitir qualquer retrocesso em relação a isso”, afirma.

Rita Serrano, representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa e coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas, observa que a atuação do banco tem sido reduzida dia após dia. “A medida mais recente foi reduzir o teto do crédito para compra de imóveis usados para 50%. Somam-se a isso a venda da Lotex, que o governo quer concluir ainda este ano, e planos para privatizar as áreas de cartões e seguros”, diz.

Ainda de acordo com a conselheira, que também compõe a Diretoria da Fenae, o governo está passando por cima de decisão do Congresso Nacional. “O parlamento aprovou a lei 13.303, oriunda do PLS 555, com a retirada da possiblidade de abertura de capital da Caixa, depois de grande movimento em que derrotamos essa iniciativa. Hoje, para que isso ocorra, é necessário que se aprova nova lei por deputados e senadores”, explica.

Os trabalhadores também já estão sentindo na pele a diretriz de reduzir despesas com pessoal, como aponta Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa). “A direção do banco se gaba de reduzir despesas com planos de demissão. É um absurdo. Esse plano para fatiar a Caixa está sendo feito às custas de colegas sobrecarregados e adoecendo mais. E o que está ruim pode piorar, pois um dos alvos é o nosso plano de saúde, o Saúde Caixa”, adverte.

Diante do cenário de mais retrocessos que se aproxima, o presidente da Fenae é taxativo: é hora de empregados e sociedade se unirem na defesa do banco 100% público. “Vamos lançar no dia 3, a campanha ‘Defenda a Caixa Você Também’. Será parte do ato em defesa da soberania nacional, no Rio, que vai envolver diversas entidades e categorias. A ideia é mostrar como o banco é essencial em áreas como habitação, saneamento, infraestrutura, esporte, cultura, enfim, para a vida dos trabalhadores e brasileiros em geral”, adianta.

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