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11/05/17 12:39 / Atualizado em 11/05/17 13:58

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Gestão da Funcef preocupa participantes

Com atrasos e falta de transparência, fundo de pensão do pessoal da Caixa demonstra dificuldade para se organizar

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Um dos maiores fundos de pensão do país, a Funcef administra um patrimônio de R$ 54 bilhões que pertence aos 147 mil participantes, pessoas que confiam na Fundação para garantir um futuro confortável. Diante da crise vivida no Brasil e de sucessivos deficits, a gestão da Fundação dá sinais de dificuldade. O balanço de 2016 continua guardado a sete chaves, denúncias feitas por diretor do fundo de pensão não foram esclarecidas, o equacionamento está suspenso. Sem dar explicações, a Funcef deixa os participantes preocupados.
 
Ao longo dos últimos meses, a Fenae protocolou mais de uma dezena de ofícios dirigidos à presidência e à diretoria da Fundação, solicitando esclarecimento sobre diversos aspectos que impactam a vida dos participantes e sobre os quais a Funcef resiste a se manifestar. A Federação, que representa o pessoal da Caixa, desenvolveu um serviço de difusão de informações sobre o fundo de pensão e lançou o hotsite Por dentro da Funcef. Na página, estão disponíveis notícias atuais e de fácil entendimento sobre os investimentos da Fundação, aspectos da gestão e regulamentação do setor. As informações também são distribuídas por meio do WhatsApp (61 98142-8428).
 
“Os participantes procuram a Fenae angustiados. Muitos dizem que querem deixar a Fundação. A Funcef sequer vem a público para dar satisfação de seus atos”, critica a diretora de Previdência e Saúde da Fenae, Fabiana Matheus. A falta de transparência tem sido uma das principais críticas sofridas pela atual gestão da Funcef. Órgãos de imprensa, entidades representativas e participantes questionam a dificuldade de acesso a informações sobre os investimentos e atos dos gestores. “Há tempos, não se tem notícia das decisões da diretoria executiva e Conselho Deliberativo”, questiona .
 
Venda de ativos em momento inadequado
No último sábado (6), matéria de O Estado de S. Paulo informou que a Fundação realizou enorme perda ao vender as ações da JBS em dezembro. O jornal sugere averiguar como se deu a decisão de venda, que pode estar baseada em laudos incorretos. A Fenae defende que a Funcef seja transparente e forneça informações sobre os investimentos.
 
Denúncias sem esclarecimento
Em fevereiro, a revista IstoÉ divulgou denúncia do diretor de Planejamento e Controladoria da Funcef, Max Pantoja, sobre o investimento na Eldorado Brasil Celulose. O diretor, que integra o conselho de administração da empresa, apontou ao Ministério Público Federal supostas irregularidades, mas a Funcef ainda não se manifestou, apesar dos reiterados questionamentos da Fenae.
 
Precipitação na comunicação com o mercado
Em janeiro, o presidente da Funcef, Carlos Vieira, deu declarações à imprensa sobre a possível venda dos ativos da Vale. O gesto foi avaliado como precipitado já que o acordo de acionistas da mineradora estava em renegociação e investidores rondavam a companhia. A Fenae propôs uma consulta aos participantes, que foi negada pela Fundação.
 
Atraso na publicação do balanço
Sob alegação de que aguarda avaliação da Eldorado, a Fundação ainda não publicou o balanço anual de 2016. A diretoria de Planejamento e Controladoria da Funcef, ocupada por Max Pantoja, é a responsável pelo fechamento do balanço. O atraso gera insegurança e especulação, entre outros prejuízos.
 
Retenção dos resgates
No início de abril, após questionamento da Fenae, a Funcef divulgou o cronograma de pagamentos de resgates aos participantes que aderiram ao PDVE. O pagamento, parcelado e em lotes, vai demorar para ser concluído e deixará milhares de pessoas aguardando o dinheiro.
 
Postergação do equacionamento
A Fenae solicitou à Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) informação sobre o plano de equacionamento do deficit de 2015. Aprovado em novembro de 2016, o plano está parado. Postergar o pagamento das contribuições extraordinárias pelos participantes pode agravar o deficit e dá à Caixa a prerrogativa de jogar para frente uma despesa que impacta os resultados do banco.
 
Crédito ao participante ficou pior
Nos últimos meses, a Funcef promoveu alterações desvantajosas nas linhas de crédito ao participante, como a adoção do Sistema de Amortização Constante (SAC). Ao substituir o modelo anterior (PRICE), a Fundação impôs o pagamento de prestações mais elevadas.
 
Gestão terceirizada
A Funcef anunciou a contratação de consultoria para rever o modelo organizacional, uma espécie de terceirização do planejamento estratégico. A Accenture Strategy montará um plano de ação para modernização, revisão de processos e governança. A Fundação, que dispõe de gerência específica para trabalhos dessa natureza, vinculada à diretoria de Planejamento e Controladoria, não informa o valor investido na contratação do serviço devido a um acordo de confidencialidade. Entre 2014 e 2015, a Funcef gastou cerca de R$ 1,3 bilhão em consultorias empresariais.
 
Omissão diante do contencioso
Dados de novembro de 2016 mostram que a provisão da Funcef para o passivo trabalhista gerado pela Caixa, o contencioso, subiu de R$ 2 bilhões em dezembro de 2015 para R$ 2,4 bilhões, alta de 21,06%. O maior impacto do contencioso no deficit a equacionar de 2015 se dá no REG/Replan – 1/4 do deficit a equacionar na modalidade Saldada e 42% da conta no Não Saldado. “A Funcef não se mobiliza para negociar junto à Caixa a solução desse problema. Como administradora dos planos, sua omissão é desastrosa”, afirma a diretora de Administração e Finanças da Fenae, Fabiana Matheus.  Maior fator de deficit da Funcef, o contencioso é formado por ações movidas pelos empregados contra o banco e motivadas, em sua maioria, por horas extras, perdas de função e CTVA.

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