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25/09/07 05:18 / Atualizado em 13/12/08 10:55

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Financiamento bancário ignora crise global e cresce

A crise que atingiu o mercado financeiro em agosto não conteve o avanço do crédito bancário nem interrompeu a tendência de queda nas taxas de juros cobradas dos empréstimos, mostram dados divulgados ontem pelo Banco Central.

O volume de crédito na economia cresceu 2,9% em agosto, para R$ 841,507 bilhões, cifra que equivale a 33,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Os juros médios cobrados nos empréstimos livres, com condições livremente pactuadas pelas partes, caiu de 35,9% para 35,7% ao ano.

O que mais chama a atenção nas estatísticas é que, em agosto, aumentou o custo de captação dos bancos, mas as instituições financeiras não repassaram esse incremento para os clientes - no geral, preferiram cortar as suas margens, sobretudo nos empréstimos a pessoas físicas.

O custo médio de captação dos bancos subiu de 10,8% para 11% ao ano em agosto. A crise internacional das hipotecas deixou o mercado financeiro brasileiro mais volátil, e os negócios passaram a embutir o risco de os juros ficarem mais altos no país. Os bancos foram atingidos, pagando mais caro para captar recursos sob a forma de depósitos, por exemplo. Mas os dados do BC mostram que preferiram absorver essa alta de custos. Na média, o "spread" caiu de 25,1 para 24,7 pontos percentuais (pp).

A crise internacional, porém, afetou de forma diferente o crédito a pessoas físicas e jurídicas. No caso das empresas, o juro bancário final cobrado das empresas subiu ligeiramente, de 23% para 23,1% ao ano, e o "spread" também, 12,1 para 12,4 pp. Houve ainda queda no custo de captação - de 10.9% para 10,7%. Isso ocorreu porque uma parte importante das operações fechadas com empresas utiliza taxas flutuantes, que caíram graças à redução na taxa Selic.

Nas operações com pessoas físicas, houve queda nas taxas de juros, de 47% para 46,6% ao ano, e no "spread", de 36,3 para 35,3 pp. O custo de captação dos bancos nas operações com pessoas físicas subiu, de 10,7% para 11,3%.

"Os juros nos empréstimos às pessoas físicas caiu porque ainda há gordura nos spreads que pode ser queimada pelos bancos", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. Segundo ele, a volatilidade nos mercados não deve encarecer as taxas de juros a pessoas físicas no curto prazo. "Teríamos algum impacto apenas se a volatilidade persistir por um período mais longo de tempo", afirmou.

No pior dos cenários, afirmou, em que a crise internacional se mostre mais intensa e duradoura, mesmo assim a tendência é de continuidade na expansão do crédito. "O prazo das operações de crédito está se alongando, o que amplia a capacidade de endividamento das familias. Em agosto, o prazo médio das operações a pessoas físicas cresceu de 408 para 414 meses. Em 12 meses, o crescimento do prazo médio já chega a 70 dias.

Os dados divulgados pelo BC também sugerem que haveria espaço para a queda dos juros médios cobrados mesmo que, individualmente, as taxas de juros subam. Isso porque os segmentos mais dinâmicos no mercado de crédito são justamente aqueles com juros mais baixos.

O volume de operações no crédito consignado, por exemplo, cresceu 38% no período de 12 meses encerrado em agosto. As demais linhas de crédito pessoal, porém, cresceram apenas 14%. A participação do crédito consignado no credito pessoal cresceu de 51,6% para 56,3% no período.

Na medida em que cresce a participação do consignado no crédito total, caem os juros médios . Os juros médios do crédito consignado, que estava em 30,7% ao ano em agosto, representa menos da metade dos 64,1% ao ano cobrado no crédito pessoal. O juro total no crédito pessoal, considerando o consignado e as linhas mais tradicionais, caiu de 59,1% para 49,9% em 12 meses.

Outro segmento de crédito com juros baixos que cresce fortemente são os financiamentos para veículos. Os empréstimos para a compra de veículos cresceram 23,2%, sempre no acumulado em 12 meses, e as operações de leasing, 79,8%. Não há levantamento das taxas de juros das operações de leasing, mas no caso dos financiamentos de veículos, sabe-se que elas eram de 28,7% em agosto. O crescimento dos empréstimos para aquisição de veículos ajuda a puxar a taxa média das operações de crédito com pessoas físicas, que era de 42,7% em agosto.

O crescimento do crédito ocorre de maneira mais expressiva nas operações com recursos livres. No chamado crédito direcionado, em que as taxas são definidas pelo governo, o crescimento foi de 2,3% em agosto e de 16,6% em 12 meses. Um dos nichos mais dinâmicos do crédito direcionado são os financiamentos habitacionais, que cresceram 22,6% nos 12 meses encerrados em agosto. Os empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) cresceram só 13,7% nos 12 meses terminados em agosto.

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