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12/04/21 14:47 / Atualizado em 12/04/21 15:07

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Fenae repudia “incentivo” ao empregado para participar de IPO da Caixa Seguridade

Diante de seguidas ameaças ao pessoal da Caixa, presidente da Federação lembra diferentes situações em que o único banco 100% público do país provou ser crucial para a gestão de políticas focadas no fomento ao desenvolvimento econômico e social

No momento em que o Brasil mais precisa da Caixa Econômica Federal 100% pública e da sua atuação como principal agente de políticas públicas, a gestão Pedro Guimarães anuncia para o dia 29 de abril uma nova tentativa de oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da Caixa Seguridade na bolsa de valores – o terceiro maior grupo segurador do país, com o banco estudando ainda a possibilidade de devolver mais R$ 5 bilhões ao Tesouro, após a conclusão de todo o processo. Dessa vez, com base no eufemismo “empregado investidor”, utiliza-se do assédio moral para pressionar os trabalhadores a venderem mais uma fatia importante do banco público, com as chefias obrigando-os, inclusive, a comprar ações para bater as metas desumanas.

Para forçar a compra de ações por empregados, a direção do banco planeja adiantar salários e pretende autorizar a conversão de Apips ou ausências permitidas e de licença prêmio, desde que vinculadas à IPO da subsidiária de seguros. Nas unidades, castigadas por carência de pessoal que provoca sobrecarga de trabalho, a pressão aumenta e a situação fica cada vez mais grave.  Até assédio moral, com ameaças de descomissionamentos e transferências arbitrárias, é utilizado pelas chefias.

Essas medidas são adotadas em paralelo à cobrança desmedida para contribuir com a abertura de capital da divisão de seguros da Caixa. Os trabalhadores denunciam a pressão excessiva para “colaborar” com o desmantelamento do banco público, naquilo que está sendo denominado internamente de “plano de incentivos aos empregados Caixa IPO Caixa Seguridade”. Tudo isso, porém, vem causando sofrimento emocional e psicológico, o que tem levado muitos bancários a fazerem uso de medicação controlada. Há relatos até mesmo de rodízio entre os gerentes gerais das agências, intensificando em consequência a desestruturação das unidades diante de um novo pagamento do auxílio emergencial. 

“Dentro do ambiente de trabalho, a direção da Caixa busca tornar o IPO da seguradora atraente para o empregado, acenando para uma vantagem individual que nem pode se realizar, já que todo investimento em bolsa envolve riscos. O que a gestão Pedro Guimarães quer, na verdade, é desmobilizar a luta histórica dos empregados em defesa do banco público”, alerta Sergio Takemoto, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae).

Takemoto opina que, se o ganho individual no mercado de ações é incerto, o prejuízo coletivo, baseado na perda para toda a sociedade, não tem margem para dúvidas, porque a privatização da Caixa Seguridade é mais uma da série que visa diminuir o potencial da Caixa e de sua capacidade de atender à população. “Mesmo que fosse interessante a privatização, o que não é o caso, o momento não é o indicado. Descapitalizada, a atuação social do banco ficará bastante limitada e quem mais sofrerá com a situação será a população de baixa renda, justamente a que mais precisa das políticas públicas operacionalizadas pela empresa”, critica.

Segundo consta, a julgar pelo que já foi divulgado na imprensa, a Caixa Seguridade deve ser listada apenas no Brasil e estima-se que a operação do IPO seja avaliada em R$ 30 bilhões, embora até recentemente esse valor era de até R$ 60 bilhões. Essa é a quarta vez que a direção da Caixa tenta abrir o capital da subsidiária. A última tentativa, no fim do ano passado, foi suspensa diante da instabilidade do mercado, situação que ainda permanece, dado que a pandemia se agravou ainda mais no país.

“A vontade incontrolável de fatiar a Caixa para favorecer o mercado privado é tão grande que a gestão Pedro Guimarães e o governo federal vão na contramão do mundo. Muitas economias de países ditos desenvolvidos, que já passaram pela experiência de privatização, estão em um movimento inverso: reestatizam suas empresas, principalmente nesse período de pandemia, quando a presença do Estado é essencial para a população e para a retomada da chamada normalidade econômica”, avalia o presidente da Fenae. E completa: “Com a privatização, ao contrário do que dizem os colaboradores do governo Bolsonaro, os serviços nestes países se tornaram caros e ineficientes”. Ele questiona a pressa em fazer esse negócio em momento conjuntural tão desfavorável. A volatilidade nos mercados, aliás, vem provocando seguidos cancelamentos de ofertas públicas iniciais de ações por parte de algumas empresas. Já são 20 desistências de IPOs em 2021, de acordo com informações divulgadas amplamente pela mídia.

O IPO da Caixa Seguridade faz parte da estratégia de venda de ativos do banco público para este ano, com a privatização servindo de “modelo” para outras áreas, estando na fila a operação com cartões de crédito. No caso da Caixa Seguridade, a meta é vender cerca de R$ 10 bilhões em ações.

Ao repudiar esse processo de “cartas marcadas”, o presidente da Fenae lembra que a grave pandemia vivida pela população coloca à prova, mais uma vez, a importância e a necessidade de o Estado brasileiro ter um banco público como a Caixa, com expertise, capilaridade e corpo técnico para enfrentar crises, superar dificuldades e fazer investimentos para a melhoria da qualidade de vida de todos os setores da sociedade, sobretudo o dos que se encontram em situação mais vulnerável. “Precisamos de um banco sempre mais público, sustentável e focado no desenvolvimento do país. “Defendemos a Caixa pública e atuamos, cotidianamente, contra o seu desmantelamento”, sentencia.

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