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06/09/2007 05:16 / Atualizado em 13/12/2008 10:55

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Falta infra-estrutura no país, diz a OMS

A Organização Mundial da Saúde (OMS) está preocupada com a proliferação dos casos de dengue no Brasil. E alerta: o problema não será solucionado enquanto não houver uma mudança profunda na infra-estrutura sanitária nas grandes cidades brasileiras. Sediada em Genebra, na Suíça, a entidade ligada às Nações Unidas teme que o surto de 2007 possa superar a marca da doença em 2002, quando o Brasil registrou um número recorde de casos. Na terça-feira, o Ministério da Saúde divulgou números considerados “dramáticos”: houve aumento de 45,13% de registros da doença nos primeiros sete meses deste ano.

Conselheiro regional da OMS, José Luis San Martin alerta que a dengue é atualmente uma grande preocupação. Ele acompanha a situação da doença no continente americano. “Sabemos que os números da doença no país serão muito elevados em 2007”, disse. Em sua avaliação, a proliferação da dengue é um “problema de desenvolvimento” do país, citando a urbanização descontrolada, a falta de esgoto e outros aspectos sociais ligados à dengue.

Ele considera que a doença não é apenas um problema de saúde. E faz uma observação contundente: “a solução definitiva somente será encontrada quando a estratégia incluir medidas concretas em temas de meio ambiente, infra-estrutura, educação e ações sociais”.

No Ministério da Saúde, o secretário de Vigilância, Gerson Pena, fez um diagnóstico que mostra as mudanças climáticas e a dificuldade de acesso dos agentes de saúde aos focos da doença como alguns dos grandes entraves para combater o mal. O governo brasileiro prevê que a doença deve se propagar no próximo verão, devido à combinação chuva e calor que é favorável ao mosquito transmissor, o Aedes aegypti.

Especialistas da OMS fazem um apelo para que haja investimentos na luta contra a doença, além das ações preventivas deflagradas pelos governos. “Não adianta lançar campanhas de conscientização quando o surto já está ocorrendo com uma proporção significativa”, pondera Renu Dayal-Drager, pesquisadora da dengue. “Isso seria apenas evitar que o fogo se espalhe ainda mais. O que precisa ser feito é evitar que o fogo comece”.

Um dos problemas enfrentados pelos países da América do Sul, segundo a especialista da OMS, é a falta de capacidade para lidar com o problema em alguns países da região, como no Paraguai. Ela ressalta que se o vetor da doença for combatido apenas no Brasil, o país não estará isento até que seus vizinhos também tomem medidas suficientes para frear a proliferação.

“Precisamos de investimentos. Caso contrário, não vemos outra tendência senão a de um crescimento a cada ano do número de pessoas afetadas”, comenta a pesquisadora. “Desde 1950, vemos que os casos de dengue no mundo duplicam a cada década”, alertou. Segundo Renu Dayal-Drager, o surto de dengue está atingindo várias regiões do mundo este ano, incluindo Camboja, na Ásia, além de países da América Central e da África.

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