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16/02/2018 15:10 / Atualizado em 16/02/2018 15:23

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Estresse, dor extrema e suicídio: a gestão que adoece e mata

Estudo no Paraná confirma realidade de todo o país: bancários lideram notificações de transtornos relacionados ao trabalho. No caso da Caixa, modelo de gestão e falta de interesse em política de saúde mental agravam a situação dia após dia

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No final de janeiro, a Secretaria de Saúde do Paraná divulgou estudo que coloca a categoria bancária na primeira colocação nas notificações de transtornos mentais relacionados ao trabalho, no período de 2006 a 2017. Nada menos que 19,63% delas vieram da categoria. “Em uma perspectiva sociológica, os adoecimentos metais e até os casos extremos de suicídio são fruto de um produto social, um efeito colateral da organização do trabalho”, explica o médico Elver Moronte, do Ministério Público do Trabalho.

Segundo Moronte, em um primeiro momento, pode parecer que o trabalho bancário não adoece, já que os trabalhadores permanecem em locais estruturados, climatizados e aparentemente confortáveis. “Porém, há um sofrimento ético, uma carga psicológica extrema produzida pela concorrência acirrada, a urgência do cumprimento das metas individuais e a necessidade de manutenção da renda”, afirma o médico.

Caixa

No caso especifico da Caixa Econômica Federal, consulta anual realizada pelo Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba tem detectado que a precarização das condições de trabalho - devido à falta de empregados, cobrança de metas abusivas e jornada extenuante, além das ameaças de retirada de função e transferências compulsórias - tem causado o adoecimento de todo o quadro. “O número de trabalhadores afastados para tratamento de saúde mental é assustador e a quantidade dos que estão em atividade sob efeito de medicação controlada é igualmente alarmante”, diz Genésio Cardoso, dirigente do sindicato.

Fabiana Matheus, diretora de Saúde e Previdência da Fenae, lembra que há tempos o movimento sindical pauta no GT Saúde do Trabalhador, do qual participam representantes dos empregados e da Caixa, a necessidade de adoção de uma política de saúde mental, com a realização de uma oficina com especialistas da academia para a elaboração de propostas.

“Mas não há interesse da Caixa, e cada vez fica mais claro que essa política de ataque aos trabalhadores tem a ver com a destruição do próprio caráter público do banco, ou seja, na tentativa de se igualar às outras instituições financeiras para disputar o mercado, não há consideração sequer com a vida das pessoas para o atingimento de metas” critica Fabiana. No entendimento dela, por suas características de banco público e social, a instituição poderia perfeitamente adotar uma postura mais humana com seus trabalhadores, sem com isso prejudicar seu desempenho.

Nos últimos três anos, a Caixa realizou vários Planos de Demissão Voluntária (PDV), reduzindo seu quadro em mais de 15 mil empregados no país. Por outro lado, o número de operações realizadas aumentou consideravelmente, por conta de ações do como o saque das contas inativas do FGTS e, no caso de Curitiba, a aquisição da folha de pessoal da Prefeitura, com aproximadamente 50 mil contas. Tudo isso sem realizar uma única contratação.

Suicídio

“Tal situação tem levado os empregados da Caixa ao desespero”, destaca Genésio Cardoso. Em Curitiba e região, somente nos últimos três anos, cinco empregados do banco cometeram suicídio. Em 2015, um empregado tirou a própria vida na porta da agência bancária. Segundo relatos, teria deixado um bilhete dizendo não aguentar mais a pressão. Em 2017, outro empregado se jogou do oitavo andar do edifício da Praça Carlos Gomes, justamente no dia da confirmação de sua aposentadoria. Conforme relatos, teria dito que a Caixa era a sua vida. No último dia 2, mais uma vítima cometeu suicídio, desta vez na sede do Sindicato, exatos três dias após assinar um acordo como banco, por ter saído no PDV. Segundo relatos, estava arrependido de ter saído da Caixa.

Há informações de outros dois casos na capital paranaense, em situações semelhantes. Há o relato de outro empregado da Caixa, da agência Avenida Brasília, que faleceu logo após passar mal, trabalhando. Segundo os colegas, sabia que precisava se afastar e não o fez por medo de perder a função de confiança, por não querer desfalcar ainda mais a equipe e pela possibilidade de transferência após seu retorno. No final de 2016, outro ocorrido marcante: um empregado da área meio em Salvador tentou atingir a chefe, baleou duas colegas (uma veio a óbito) e depois se matou.

“Esse modelo de gestão implantado na Caixa, que visa apenas o lucro, é gravíssimo. Não podemos tolerar, pois vidas estão sendo desprezadas e destruídas. Por isso, é fundamental que a categoria se conscientize e se mobilize cada vez mais contra a retirada de direitos. Não há outro caminho a não ser lutar”, afirma Fabiana Matheus.

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