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01/03/21 17:25 / Atualizado em 03/03/21 19:47

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Estado e investimentos precisam voltar à cena econômica”, esta foi a tônica da segunda edição do Ciclo de Debates Fenae e Anapar

Com a coordenação de Cláudia Ricaldoni, o debate destacou o potencial de fundos de pensão para retomada do crescimento e ressaltou obstáculos políticos para o investimento

“Estado e investimentos precisam voltar à cena econômica”, com este prisma, a segunda edição do Ciclo de Debates da Fenae e Anapar, da última sexta-feira de fevereiro, dia 26, contou com a coordenação de Cláudia Ricaldoni, membro do Conselho Deliberativo da Forluz e coordenadora regional da Anapar em MG e a participação do economista e diretor do Reconta aí, Sérgio Mendonça; do diretor de Investimentos da Previ, Marcelo Wagner e do advogado especialista em previdência complementar Fabiano Silva dos Santos. Também estavam presentes no evento, o dirigente da Apcef/SP, da Seeb/SP e da Anapar/Regional SP, Valter San Martin Ribeiro e o diretor de Relações Humanas e Relacionamento com Aposentados da Agecef/SC, Adenir Marcarini.

Sob o tema mitos e verdades dos fundos de investimentos e participações (FIP), Cláudia ressaltou que um dos obstáculos para esse novo ciclo de crescimento é a política nacional. “Estamos na contramão do mundo, com um governo que faz uma defesa de posições neoliberais que nem os países neoliberais estão sustentando mais. Chamar nossos liberais de liberais é injusto com os liberais. Os nossos estão no mercantilismo, no feudalismo”, alertou.

Para o economista Sérgio Mendonça, que discorreu sobre os desafios dos fundos de pensão no Brasil atual, não há futuro para os fundos de pensão se não houver futuro para a economia brasileira. “Há seis anos, não só estamos andando para o lado como, mas em alguns casos, retrocedendo”, enfatizou. 

De acordo com Mendonça desde 2015 um ciclo vicioso interrompeu o desenvolvimento brasileiro, o que coloca enormes desafios para os investimentos dos fundos. “Os indicadores da economia real foram positivos, de 2003 a 2014. A taxa de investimento chegou a 25% entre 2010 e 2014. Hoje, para compararmos, está em 15%. Isso significa cerca de R$ 350 bilhões a menos anualmente de investimentos”, explicou.

Segundo Sérgio, se a economia retomar uma trajetória de crescimento teremos o aumento de empregos formais e o estancamento do enfraquecimento das empresas públicas, que são peças importantes para que o sistema possa se reequilibrar.  “Estado e investimentos precisam voltar à cena. Instituições conservadoras, como FMI e Banco Mundial dizem que nenhum governo deve recuar de apoio fiscal e que se deve realizar investimentos de infraestrutura com protagonismo do Estado”, disse.

Ao concordar com o economista, Marcelo Wagner ressaltou que o passo inicial para um novo momento de grandes investimentos deve ser dado pelo Estado, o que depende dos governantes.

“O Brasil tem mais de 40 anos de déficit em investimentos em infraestrutura. Agora, tudo passa pela nossa capacidade de retomar o crescimento e isso depende dos nossos governantes. O Brasil já precisava de um choque de investimento, mas agora é urgente”, destacou.

Segundo o dirigente Valter San Martin Ribeiro, este foi um debate de importantes esclarecimentos, e um deles foi sobre os caminhos que os fundos de pensão tomam para atingir suas metas atuariais. “Uma importante reflexão apontada foi a de que os fundos de pensão devem buscar outros caminhos para atingir as metas atuariais de seus planos que não sejam os já conhecidos títulos públicos, pois estes não atingirão seu objetivo atuarial”, disse. 

Para o diretor Adenir Marcarini, dado as falas dos participantes é necessário que a Funcef diversifique seus investimentos, inclusive em nível internacional. “A diversificação é considerada o ‘último lanche grátis’ do mercado. Segundo Markowitz, Nobel de Economia em 1990, a composição ideal e vencedora de portfólio tem que levar em conta a diversificação de ativos”, explicou.

Já o apontamento trazido por Fabiano Santos, destaca que o que ficou do legado da operação Lava Jato, que levou até a abertura de uma CPI no Congresso, foi um grande abalo nos fundos de pensão.

“Para matar a doença, a Lava Jato matou o doente. Ela errou na dose do remédio, o que provocou uma grande crise no setor inteiro. Então, há uma quebradeira generalizada de fundos”, criticou Santos, que também apontou que ao detectar desvios em fundos de investimentos, a operação Lava Jato teria mirado não só nos gestores diretos, mas também em investidores como os fundos de pensão, o que prejudicou a continuidade de investimentos desse tipo. Para ele, não se pode confundir atos criminosos com a criminalização de uma atividade.

Agenda - No próximo dia 4 de março, a Anapar debaterá os riscos dos processos de privatização para os participantes de fundos de pensão e a necessidade de mobilização dos trabalhadores. O evento será realizado pelo zoom, das 14h às 18h, e as inscrições são gratuitas.

 

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