Notícias

30/04/2016 12:05 / Atualizado em 30/04/2016 12:13

minuto(s) de leitura.

Dia do Trabalhador: momento é de luta contra retrocessos e a retirada de direitos

Sem mobilização, a tendência é de que as forças conservadoras avancem cada vez mais. Classe trabalhadora precisa manter papel fundamental na organização da resistência

Notícias

Milhares de trabalhadores vão participar dos atos que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e as demais centrais sindicais realizam em todo o país neste domingo, 1º de maio. As atividades, organizadas em comemoração ao Dia Internacional do Trabalhador, terão como foco o repúdio ao golpe político em curso no Brasil e apelam para que os setores democrático-populares continuem lutando em defesa da democracia e dos direitos da classe trabalhadora.

Os atos serão norteados pela integração entre amplos setores da sociedade civil organizada, reunindo representantes de categorias profissionais, estudantes, mulheres, negros, LGBT, juristas, intelectuais, artistas e todos os que estão na luta. O momento é de alerta máximo, pois existe uma agenda conservadora por trás de todo esse movimento conduzido por forças políticas municiadas sistematicamente pela mídia oligopolizada, numa sórdida campanha de manipulação de fatos e notícias.

Será o 1º de Maio contra a agenda neoliberal que foi derrotada nas urnas. Os que advogam a tese do impeachment escondem o desejo de submeter o país aos interesses que não são os da população, com a entrega do pré-sal para petrolíferas estrangeiras e a retirada de direitos. Uma das maiores ameaças vem do projeto de lei que amplia a terceirização, por representar uma reforma trabalhista disfarçada. Caso seja aprovada, a medida rasga a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) ao liberar a terceirização para atividade fim (primordial da empresa) e acaba com a responsabilidade solidária, tornando a precarização um grande negócio.

Na programação da CUT constam manifestações no Acre, Alagoas, Amapá, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, Roraima, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins. A meta é o diálogo com o sentimento do povo brasileiro, que luta para aprofundar as transformações no país. Haverá também atos religiosos ecumênicos, shows musicais, danças, feiras gastronômicas, atrações para as crianças e outros serviços à população.

Opinião da Fenae

A Fenae é da opinião que cabe aos trabalhadores continuar a ter um papel fundamental na organização da resistência ao retrocesso. Já o governo deve propor um plano emergencial de combate à crise, com medidas que atendam aos interesses dos setores democrático-populares. A batalha para barrar o cenário que ameaça seriamente a classe trabalhadora precisa ser decidida com a pressão da categoria e dos movimentos sociais nas ruas.

Esses desafios conferem às manifestações do 1º de Maio deste ano um caráter especial. Brasil afora, as mobilizações devem unir desenvolvimento com geração de emprego e distribuição de renda, ratificação da Convenção 158 da OIT (proíbe demissões imotivadas), valorização das aposentadorias, salário igual para trabalho igual entre homens e mulheres, mais investimento público, valorização do meio ambiente e correção da tabela do Imposto de Renda.

Sem luta, a tendência é de as forças conservadoras avançarem cada vez mais. Para contrapor-se a isso, os trabalhadores precisam intensificar a mobilização e preparar novas manifestações de massa por todo o país, como as programadas entre os dias 9 e 11 de maio, para pressionar o Senado a se posicionar contra a continuidade do processo de impeachment.

Histórico

Em 1º de maio de 1886, a cidade de Chicago, nos Estados Unidos, amanheceu em completo silêncio. As fábricas, os transportes e o comércio ficaram paralisados. O movimento foi protagonizado por um grupo de operários que cruzou os braços por oito horas de trabalho, oito horas de sono e oito horas de lazer. A rebelião surgiu no então centro do anarquismo na América do Norte, mas rapidamente as manifestações tomaram conta das principais cidades daquele país, numa verdadeira babel de linguagens que refletiam a disposição de quem não aguentava mais trabalhar 16 horas diárias seguidas.

Em represália, os setores patronais reprimiram o movimento com violência, punindo de morte suas principais lideranças. Em 1889, durante o Congresso Internacional de Paris, na França, a data de 1º de maio foi adotada oficialmente como Dia Internacional do Trabalhador. A partir de então, o 1º de Maio passou a fazer parte dos próprios anais do trabalho, tornando-se uma data que é a crônica de milhões de seres humanos e de milhares de revoltas.

No Brasil, as celebrações nas ruas começaram em 1917. Antes, as comemorações ocorriam em recintos fechados. No entanto, a data de 1º de maio de 1907 representa um marco da luta pela conquista da jornada de oito horas diárias. O estopim, por influência dos imigrantes europeus, ocorreu em São Paulo (capital), devido a uma greve por tempo indeterminado deflagrada por trabalhadores de diversas categorias.

As paralisações cresceram em apoio ao proletariado paulistano e se estenderam a cidades como Campinas, Santos, São Bernardo do Campo, Ribeirão Preto e Itu. Os trabalhadores de outros estados, como no caso Rio de Janeiro, realizaram manifestações pelas ruas do antigo estado da Guanabara. Diante de adesões massivas ao movimento, os patrões tiveram de ceder. No Brasil, a primeira categoria a conquistar a jornada de oito horas foi a dos marmoristas e canteiros, direito depois estendido a diversas outras categorias do país inteiro.

Acesse as redes da Fenae:

Acesse e conheça as vantagens de ser um associado

Veja também
Nenhum registro foi encontrado.

selecione o melhor resultado