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05/05/20 14:33 / Atualizado em 05/05/20 18:21

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Contrariando a visão privatista do governo, bancos públicos se mostram essenciais diante da crise

Representantes dos empregados acreditam que postura do Executivo dificulta ações mais efetivas para enfrentar a crise econômica causada pela pandemia

Embora a tentativa do atual Governo seja diminuir o papel dos bancos públicos, o que se vê diante da crise causada pela pandemia é a confirmação da importância deles como principal instrumento para dar suportes às empresas e às famílias. Este é o entendimento dos representantes dos empregados dos principais bancos públicos do país.

O presidente da Fenae, Sérgio Takemoto, avalia que os empregados da Caixa têm prestado um serviço heroico à população desde que o Governo, com anuência do presidente da Caixa, concentrou todo o pagamento do auxílio emergencial no banco público. Takemoto defende a descentralização dos pagamentos e uma comunicação mais efetiva do Governo para orientar a população. Um planejamento com divulgação mais ampla sobre o benefício diminuiria os problemas enfrentados. “Os empregados estão se desdobrando para atender a população como merece, reforçando o papel principal do Banco, que é ser uma empresa pública”. 

A posição de Takemoto contribui para o debate virtual que foi realizado na noite desta segunda-feira (4) pela representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano. Participaram da discussão os representantes dos empregados dos bancos públicos do País: Arthur Koblitz, do Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES); Débora Fonseca, do Banco do Brasil (BB); Gilson Lima, do Banco da Amazônia (BASA) e Rheberny Oliveira, do Banco do Nordeste (BNB).

 Serrano lembrou que as tentativas de privatização da Caixa eram constantes antes da pandemia. O Governo estava empenhado em iniciar o processo, começando por entregar as operações mais rentáveis, como a abertura de capital da Caixa Seguridade, e por tentar diminuir a função social do banco. Agora, foi obrigado a reconhecer que sem a Caixa, que é 100% pública, seria muito difícil operacionalizar o pagamento do auxílio emergencial aos trabalhadores informais. Em 20 dias, mais de 50 milhões de pessoas receberam o benefício.

A conselheira também criticou a atuação do Executivo na logística do pagamento do auxílio. Para ela, as filas nas agências da Caixa são fruto da falta de planejamento e organização do Governo. “O problema poderia ser minimizado se o pagamento fosse distribuído entre os bancos de varejo e não centralizado em apenas 1 instituição. Embora a Caixa tenha expertise e capacidade para fazer os atendimentos, não estamos em situação de normalidade”, disse.

Para Débora Fonseca, conselheira de Administração do Banco do Brasil, o Governo adota uma postura de negação tanto para não reconhecer a gravidade da crise quanto para não admitir a importância das instituições. “Agora, no cenário da pandemia, os bancos públicos se mostram essenciais na vida das pessoas, principalmente nas ações para distribuir o auxílio emergencial”, conta. Na opinião de Fonseca, a falta de interesse em dividir o pagamento do benefício com outros bancos públicos tem como pano de fundo o objetivo de apostar no “caos social” para tentar manter a coerência da privatização e usar como justificativa para acabar com as empresas públicas.

Arthur Koblitz, presidente da Associação dos Funcionários do BNDES, concorda: “eles estão tentando fazer uma agenda de combate à crise que não os contradiga completamente. Apesar do papel dos bancos públicos, é muito claro nas ações que envolvem o BNDES, a tentativa de dar um papel muito destacado para os bancos privados”, destaca.

Para Koblitz, ao adotar essa posição, o Governo demora a tomar medidas que tenham efeito mais imediato no enfrentamento da crise. “Até agora não houve uma reunião de BNDES, Caixa Econômica e Banco do Brasil, para não falar dos bancos regionais. Não se um projeto que envolvesse uma organização de ação entre esses bancos”, ressalta.

 Koblitz avalia que o País possui instrumentos para enfrentar o problema de uma maneira mais efetiva, mas para manter a lógica privatista, o Governo não apresenta uma alternativa eficaz. E isso tem consequências na forma como estão respondendo a crise. “Eu concordo que está acontecendo um reconhecimento dos bancos públicos, só que esta administração faz isso de uma maneira hesitante, sem querer dar o braço a torcer.  O Brasil não está usando seus instrumentos na dimensão e na efetividade que poderia ter”.

 

 

 

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