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19/06/19 17:02 / Atualizado em 19/06/19 17:09

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Contraf-CUT pede esclarecimentos sobre participação de empregados da Caixa em ato político

Trabalhadores que realizaram curso de Libras, gerentes e superintendentes, foram convocados a participar da assinatura de convênio que contou com a participação de Pedro Guimarães e o presidente Jair Bolsonaro

A Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) encaminhou ofício à direção da Caixa Econômica Federal solicitando informações sobre a convocação de empregados para participar de ato político sem relação com a atividade-fim do banco. O fato aconteceu na manhã desta quarta-feira, em São Paulo, quando trabalhadores que realizaram curso de Libras, gerentes e superintendentes, foram convocados a participar da assinatura de convênio do banco com o Centro Paralímpico Brasileiro (CPB). Além do presidente da empresa, Pedro Guimarães, o evento contou também com a presença do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

 “Achamos louvável um convênio que leve à inclusão de pessoas com deficiência. A categoria bancária é uma das primeiras a ter direitos específicos estabelecidos na Convenção Coletiva de Trabalho. Mas, ao convocar os empregados para participar do ato, os demais ficaram ainda mais sobrecarregados nas agências e a população é, mais uma vez, penalizada com problemas no atendimento devido a questões alheias ao banco”, explicou o secretário de Finanças da Contraf-CUT e vice-presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Sergio Takemoto. “Depois, ainda vão dizer que banco público é ineficiente e precisa ser privatizado. O que o banco precisa é deixar de ser usado para atender interesses pessoais de sua gestão”, criticou.

O que reforça o caráter político do evento é o fato de que a Caixa e o CPB não terem firmado um convênio novo. O patrocínio das ações do Centro Paralímpico já existia, mas havia sido cortado pelo governo federal. “Os desavisados podem achar que o governo é bonzinho, que está criando políticas de inclusão. Na verdade, ele está voltando com o que havia sido cortado”, explicou o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Francisco Pugliesi.

Segundo o dirigente, a Caixa tem realizado vários cortes nos investimentos em esportes, afetando corridas de rua, projetos sociais e eventos pontuais. O próprio Comitê Paralímpico Brasileiro, segundo reportagem da Folha de S. Paulo, recebeu em 2019 apenas as verbas relativas ao mês de março.

Francisco diz que, historicamente, a Caixa patrocina o esporte brasileiro, Paralímpico e Olímpico, e que os cortes foram feitos há aproximadamente um ano, sob a gestão do presidente Temer. Em 2017, a Caixa cortou 20% das verbas destinadas ao atletismo e aos esportes paraolímpicos. Neste ano, o pagamento das verbas, já reduzidas, são contingenciadas e sofrem constantes atrasos.

PCDs

Durante a assinatura do convênio, o presidente da Caixa anunciou a contratação de 2 mil pessoas com deficiência. Mas, segundo Sergio Takemoto, esse número não será suficiente para que o banco cumpra a cota mínima de 5% de PCDs prevista em lei. “Além de patrocinar os atletas, o banco precisa abrir suas portas para pessoas com deficiência trabalharem”, enfatiza o dirigente.

O cumprimento da cota legal dos PCDs aprovados no concurso de 2014 foi determinado pela Justiça. Decisão acatou ação civil pública do Ministério Público do Trabalho, em que Fenae é assistente. Entre os aprovados do concurso de 2014, quase três mil são PCDs.
 

*Com informações da Contraf-CUT e Reconta Aí

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