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11/10/2007 05:11 / Atualizado em 13/12/2008 10:55

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Consórcio assume ABN e Santander fica com o Real

Após quase sete meses de negociações, chegou ao fim a disputa pelo banco holandês ABN Amro, dono no Brasil do Real. Consórcio de bancos formado pelo espanhol Santander (que assumirá o Real), pelo escocês RBS e pelo belgo-holandês Fortis anunciou finalmente ontem a compra, por cerca de US$ 100 bilhões, do ABN, instituição bancária de 183 anos, com 105 mil funcionários distribuídos em 4.500 agências em 153 países, que agora será dividida.
Conforme a Folha antecipou no dia 16 de setembro, o presidente Lula havia sido informado pela cúpula do Santander, em Madri, que o negócio estava fechado. A oferta teve 86% de apoio dos acionistas do ABN.
Maior negócio do sistema financeiro na história, a venda do ABN mudará o mapa da concorrência bancária internacional, com reflexos no Brasil, um dos países de maior potencial para o crédito, onde a união do Santander com o ABN Real cria a terceira maior instituição financeira no país -só atrás de Banco do Brasil e Bradesco. Pelo critério do Banco Central, que exclui previdência e seguros, a união ocupa a segunda posição no país, atrás só do BB.
A oferta do consórcio ultrapassou a proposta de US$ 88 bilhões do britânico Barclays, preferido pelo conselho do ABN, que envolvia 60% em ações e o restante em dinheiro. Com adesão de apenas 0,2% dos acionistas, o Barclays retirou na sexta passada sua proposta pelo ABN e ainda levou 200 milhões de indenização.
Na Holanda, o presidente mundial do ABN, Rijkman Groenink, que era publicamente contra o negócio por representar o fim da presença mundial do banco, pediu demissão. No Brasil, nem Santander nem ABN Real se pronunciaram.
O presidente mundial do Santander, Emílio Botín, chega na semana que vem ao país para assistir ao Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, do qual o banco é patrocinador. A expectativa é que Botín detalhe os planos do novo investimento. O executivo já dissera que, ao todo, o Santander deve investir US$ 27 bilhões no Brasil nos próximos anos. Apenas pela compra do Real, o banco deve pagar cerca de US$ 17 bilhões.
Com o fechamento definitivo do negócio, os acionistas do ABN Amro devem ser pagos até o próximo dia 17. Pela proposta, o consórcio deverá desembolsar 38 por ação do ABN, sendo 94% em dinheiro e o restante em ações do RBS. O consórcio deve ainda estender até o dia 31 a oferta, nas mesmas condições, aos acionistas que não aceitaram a venda.
Hoje, o consórcio deve nomear executivos do RBS, do Fortis e do Santander para os conselhos de administração e de fiscalização do ABN. Até que o negócio passe por todos os órgãos reguladores, o ABN deve se manter coeso, com o consórcio no comando a partir da constituição de bloco de controle em que o RBS terá 38,3%, o Fortis, 33,8%, e o Santander, os 27,9% restantes das ações.
Articulador do consórcio, o presidente do RBS, Fred Goodwin, disse ontem que a crise de crédito global, que derrubou o valor das ações dos bancos e levantou dúvidas sobre a saúde financeira das principais instituições, não mudou as perspectivas para o negócio. Ele admitiu, no entanto, que as condições dos mercados mudaram desde quando a oferta foi pela primeira vez ventilada, em abril. Goodwin também negou que tenha pago uma quantia alta demais pelo banco holandês. "Quem vence sempre paga mais do que aqueles que perdem. Não acho que tenhamos pago demais. Estamos contentes com o que estamos comprando", disse.
As ações do ABN tiveram alta ontem de 0,2%. Os papéis do RBS subiram 0,2%, e os do Santander recuaram 0,51%. As ações do Fortis caíram 2,38%.

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