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04/08/2020 20:19 / Atualizado em 11/08/2020 10:05

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Comando negocia com Fenaban cláusula sobre teletrabalho

Nas negociações tiveram questões como o agravamento da saúde após o teletrabalho, custos com equipamentos não compensados pelos bancos e jornadas de trabalho excessivas

O Comando Nacional dos Bancários apresentou, nesta terça-feira (4), aos representantes da Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) uma série de propostas para regulamentar o teletrabalho. São diretrizes para regular o trabalho à distância da categoria, que chegou a ter cerca de 300 mil pessoas em home office. Questões como o agravamento da saúde após o teletrabalho, custos com equipamentos não compensados pelos bancos e jornadas de trabalho excessivas são alguns dos impactos levantados em uma pesquisa feita de 1º a 12 de julho, em meio à pandemia. A pesquisa serviu de base para a cláusula 56 da minuta de reivindicações, específica sobre o tema.

“Apresentamos a pesquisa, fizemos debates e colocamos vários exemplos de como o teletrabalho impactou a vida dos bancários e suas famílias. Tem que ter controle da jornada de trabalho, não pode ter aumento de meta para quem está em teletrabalho. Tem que cumprir a jornada, pagar os custos com equipamentos e internet. Também tem que ter o direito a desconexão, para que o trabalho não invada o horário de almoço, a noite e a folga do bancário”, disse a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Setor Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional.

A pesquisa foi feita pelo Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Socioeconômicas (Dieese), com cerca de 11 mil bancários que estavam em teletrabalho.  A consulta mostra o impacto que o teletrabalho causou na vida da categoria. Um deles é que apenas 19% disseram que têm algum cômodo apropriado para o trabalho em casa. Quase metade dos consultados (44,8%) utiliza a sala de casa como escritório de trabalho. Até a cozinha é usada no teletrabalho, opção de 5,1% dos bancários.

“Como faz a família de quem está trabalhando em casa? Ela vai dividir a sala com o bancário? Porque quase metade dos bancários que estão em home office trabalham na sala. E hoje falamos, por exemplo, de imóveis pequenos, que têm 20 a 30 metros quadrados”, questionou Juvandia.

A presidenta da Contraf-CUT destacou na apresentação da pesquisa que 32% dos entrevistados não têm controle sobre a jornada de trabalho em casa. “E fica pior para as mulheres porque o teletrabalho acaba sendo um fator de acúmulo para elas”, explicou. A presidenta da Contraf-CUT lembrou que o teletrabalho não pode ser imposto. “O teletrabalho tem que ser voluntário. Porque há os que gostam e querem realizar um regime misto e há os que não querem e preferem o regime presencial”, destacou.

Para o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sérgio Takemoto, a pesquisa mostrou em números o que já se vem constatando durante as conversas com os empregados. “Esse é um dos grandes debates que temos que fazer. Não pode ficar toda a responsabilidade e todos os custos para o trabalhador. Temos relatos de mães e pais que estão em casa e têm dificuldade de trabalhar em home office, há trabalhadores que estão se sentindo deprimidos, além disso, quem não tem estrutura não consegue trabalhar, como mostra na pesquisa”, afirmou.


Bancos

Ao receberem a cláusula específica sobre teletrabalho, os representantes da Fenaban disseram que inicialmente não há consenso entre os bancos sobre negociar o tema e há quem queria fazer negociações individuais com os funcionários ou Acordos Coletivos por banco. No entanto, os negociadores da Fenaban afirmaram que a pesquisa apresentada é importante para ser mais bem debatida entre os bancos.

Após a cobrança do Comando de que o teletrabalho passe por negociação coletiva, os representantes da Fenaban vão levar o resultado da pesquisa para o setor com os argumentos levantados na reunião para reavaliarem e realinharem suas posições sobre o teletrabalho.

“Não aceitamos a negociação individual. A Fenaban ficou de mostrar a pesquisa para os bancos, com todas as ponderações do movimento sindical, para que eles revejam esse posicionamento. A pesquisa do Dieese mostra que pioraram os indicadores de saúde na categoria, há efeitos na jornada de trabalho, custos maiores para quem está em home office. São indicadores que precisam ser respeitados”, falou Juvandia.

“Têm bancos que controlam jornada e outros, não. Conseguimos depois de muitos anos e negociações, reduzir problemas como o não pagamento de horas extra. Hoje esse problema é menor comparado com o passado”, disse a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Ivone Silva, uma das coordenadoras do Comando Nacional da categoria. Ivone propôs também que o Comando Nacional e a Fenaban formassem um grupo de trabalho sobre o teletrabalho, para acompanhar o funcionamento, pós negociação. O Comando Nacional também não admite a redução de direitos dos bancários para os que continuarem em teletrabalho.

Próxima reunião

O tema do teletrabalho será retomado durante as negociações entre o Comando e a Fenaban. A próxima reunião de negociação acontece na quinta-feira (6), a partir das 14h, quando o tema a ser debatido será a questão do emprego.

Com informações da Contraf-CUT

 

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