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09/01/09 07:07 / Atualizado em 09/01/09 07:08

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Com mais demissões, sindicatos buscam acordo

A aceleração das notícias de suspensão temporária dos contratos de trabalho, demissões e redução de jornada com redução de salário está obrigando entidades sindicais a abrir uma nova frente de negociações. Além das discussões com o governo federal, sindicatos e centrais começam a flexibilizar exigências para buscar acordo com entidades patronais para garantir a manutenção do emprego.

Nesta sexta-feira, a Força Sindical reúne-se com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e com sindicatos de metalúrgicos, costureiras, químicos, construção civil, alimentação e borracha, para avaliar alternativas às demissões. O próximo passo será a negociação com os 25 sindicatos patronais vinculados à Fiesp, que juntos representam mais de 11 mil empresas em São Paulo. Na segunda-feira, a direção da Central Única de Trabalhadores (CUT) define, em reunião fechada, ações para fazer frente aos cortes.

"Os sindicatos de São Paulo negociam acordos de suspensão temporária do contrato de trabalho, que serão anunciados na próxima semana. É uma saída para que o trabalhador se mantenha empregado e com renda. Nos interessa encontrar alternativa à demissão", afirmou o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. Ele estima que o número de demissões neste início de ano pode chegar a 3 milhões. Por enquanto, duas empresas acordaram com os respectivos sindicatos a suspensão temporária dos contratos de trabalho. A Philips negociou no pólo de Manaus a suspensão dos contratos de 230 dos 3 mil funcionários, no período de dois a 5 meses. E a Renault negociou no Paraná a suspensão do contrato de 1 mil funcionários por 5 meses.

No Amazonas e na Bahia, os sindicatos preferiram apostas na redução da jornada de trabalho. Em Camaçari (BA), o Sindicato dos Metalúrgicos fechou com indústrias locais a redução da jornada semanal de 41,5 horas para 40 horas, mas há ainda grande preocupação com o risco de demissões com a volta das férias coletivas na próxima semana, dado que a unidade da Ford ainda está com os pátios cheios, afirmou o diretor sindical Alberto Carlos. "Começaremos a discutir com as empresas nos próximos dias, mas o sindicato se mantém contrário à flexibilização dos direitos trabalhistas e à suspensão temporária dos contratos", afirmou o sindicalista.

No Amazonas, informou o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos Sidney Malaquias, a entidade fechou acordo com as 14 montadoras, que juntas empregam 22 mil metalúrgicos, para a redução da jornada de trabalho de cinco para três dias por semana, sem redução de salário, com a promessa de o governo local conceder descontos na cobrança de tributos às empresas que não demitirem. Em 2008, houve 17.665 homologações no pólo, 34,8% a mais que no ano anterior, sendo que em dezembro, o total de demissões mais que dobrou, chegando a 2.732, ante 1.177 em 2007.

"O total de demissões é bem maior, tendo em vista que só há homologação quando o trabalhador tem mais de um ano de contrato com carteira", observou Malaquias. No segmento de eletroeletrônicos, que mantém em torno de 40 mil trabalhadores, as demissões superaram 8 mil, observou.

No ABC paulista, as empresas também negociam redução da jornada de trabalho, mas com redução de salário, proposta que ainda é recusada pelo Sindicato dos Metalúrgicos da região. "Qualquer acordo para manter o trabalhador empregado é importante, mas, antes de adotar essas medidas, as empresas precisam dar a sua contribuição, já que tiveram cinco anos de crescimento fantástico e o governo já ofereceu vantagens tributárias", afirmou o presidente da entidade, Sérgio Nobre. Segundo ele, a média de homologações no fim do ano manteve-se estável na faixa de 400 por mês e a única "surpresa desagradável" ficou por conta da TRW, que ignorou negociação em andamento com o sindicato demitiu 200 funcionários de sua unidade em Diadema.

Em São Paulo e Mogi das Cruzes, também não houve demissões em massa, segundo o presidente do sindicato da região, Miguel Torres. Até 19 de dezembro, 67 empresas fizeram 98 homologações. Mas há preocupação com as mil empresas que mantêm em férias coletivas 18.167 trabalhadores. "A volta vai ser complicada. Está havendo muita sondagem de empresas querendo fazer a suspensão temporária do contrato de trabalho, mas por enquanto vamos tentar negociar licença remunerada, banco de horas, outras alternativas", afirmou.

Em Minas, o ano começou com más notícias. A Teksid, fabricante de autopeças da Fiat, anunciou a demissão de cem pessoas na próxima semana, informou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, Marcelino da Rocha. Na próxima semana, o sindicato reúne-se com representantes da Fiat e de montadoras, que juntas empregam 40 mil trabalhadores. "Acredito que não haverá muitas demissões porque, com a redução do IPI, a Fiat esvaziou o pátio", afirmou Rocha. Em 2008, o sindicato registrou 2.564 homologações.

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