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18/11/15 08:25 / Atualizado em 19/11/15 07:34

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Cerca de 20 mil mulheres participam em Brasília da Marcha das Mulheres Negras

O ato denunciará racismo e violência de gênero. Segundo o Mapa da Violência 2015 –Homicídios de Mulheres, divulgado no dia 9 de novembro, entre 2003 e 2013, a taxa de homicídios de mulheres negras no Brasil aumentou 19,5%, enquanto a taxa de homicídios contra mulheres brancas caiu 11,9%.

Mulheres de todo o pais realizam, nesta quarta-feira (18), a Marcha das Mulheres Negras, em Brasília (DF). O ato, que celebra o Dia da Consciência Negra (20 de novembro), denunciará o racismo, a violência, o sexismo e o avanço das forças conservadoras, além de cobrar o fim do genocídio da juventude negra, das revistas vexatórias em presídios e agressões. A expectativa é que cerca de 20 mil mulheres participem do evento.

A marcha foi convocada por diversas entidades do movimento negro e social, entre elas, a Central Única dos trabalhadores (CUT), que vai apresentar um documento com reivindicações das mulheres negras e quilombolas. Segundo a vice-presidenta da CUT, Carmen Foro, alguns capítulos do documento serão voltados para o mundo do trabalho.

A manifestação também vai reivindicar o fim do genocídio da juventude negra e as agressões contra as mulheres negras.  Segundo o Mapa da Violência 2015 –Homicídios de Mulheres, divulgado no dia 9 de novembro, pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), entre 2003 e 2013, a taxa de homicídios de mulheres negras no Brasil aumentou 19,5%, enquanto a taxa de homicídios contra mulheres brancas caiu 11,9%.

Em 2013, 7,8 mulheres negras foram assassinadas todos os dias. Em geral, a taxa de homicídios cometidos contra mulheres no Brasil cresceu 8,8% no mesmo período. De acordo com o estudo, em 2003, a taxa de homicídios de mulheres negras no Brasil era de 4,5 para cada 100 mil habitantes. Dez anos depois, em 2013, a taxa subiu para 5,4/100 mil habitantes. Em contrapartida, as taxas de homicídios de mulheres brancas caíram de 3,6/100 mil habitantes em 2003 para 3,2/100 mil habitantes.

Para o coordenador da pesquisa, Jacobo Waiselfisz, o racismo é um dos elementos que ajudam a explicar a diferença entre os índices de homicídios contra mulheres negras e brancas. “No Brasil, nem há tanta cordialidade e nem há a tal democracia racial que se prega. Há um coquetel onde o negro e a negra são mais visados no quesito violência. Isso se observa não apenas com relação às mulheres. Em geral, a população negra é mais afetada pela violência e isso, claro, vai atingir as mulheres”, ressalta ele.

Reivindicações

Para a secretária de Combate ao Racismo da CUT, Maria Julia Nogueira, a marcha irá ampliar o protagonismo das mulheres negras em suas reivindicações. “Estaremos à frente da construção de todo o processo e vamos discutir com as autoridades a nossa pauta que inclui nossa visibilidade e identidade. Por um modelo de desenvolvimento que inclua a população negra principalmente na geração de mais e melhores postos de trabalho para homens e mulheres negras”, afirmou Julia.

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