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08/01/10 08:03 / Atualizado em 08/01/10 08:03

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Captação da poupança cresce 71%

A captação líquida da caderneta de poupança atingiu R$ 30,4 bilhões em 2009. O resultado foi 71,2% superior ao apurado no ano anterior e o segundo maior de toda a série estatística, iniciada em 1995. O bom desempenho ocorreu na esteira da melhora das condições econômicas e do aumento do emprego e da renda a partir de meados do ano passado.

Analistas também lembram que as cadernetas ficaram mais atrativas que outras opções, como os fundos de renda fixa, porque a taxa básica de juros, a Selic, caiu durante o ano passado. A Selic serve de referência para o rendimento dos fundos, mas não afeta os ganhos da poupança. Além disso, foram engavetadas as ameaças de taxação das cadernetas.

Dados apresentados ontem pelo Banco Central mostram que no fim de dezembro o saldo de todas as contas de poupança somava R$ 319,1 bilhões, valor 17,9% maior que em 2008. É como se cada um dos 190 milhões de brasileiros tivesse, em média, uma caderneta de R$ 1.620.

O bom resultado do ano passado foi obtido mesmo com a queda do volume de depósitos. Em 2009, todas as aplicações somaram R$ 1,043 trilhão, cifra 9,7% menor que a de 2008. Mesmo assim, a captação aumentou porque os saques caíram em ritmo ainda maior: 10,9%, para R$ 1,013 trilhão no ano. Isso quer dizer que, na média, para cada R$ 1 sacado em 2009 foram depositados R$ 1,03. Em 2008, a proporção era menor: R$ 1 para R$ 1,01.

O professor de finanças da Fundação Getúlio Vargas e da PUC-SP, Fábio Gallo, explica o aumento da captação da poupança por dois motivos. O primeiro, de ordem estrutural, é o aumento do emprego e da renda e, ao mesmo tempo, da estreia de novos poupadores, principalmente de trabalhadores da classe C. O segundo é relacionado às discussões sobre uma eventual taxação da poupança no ano passado. Ao contrário dos fundos, a poupança é isenta de Imposto de Renda.

"O investidor médio, que tem R$ 10 mil ou R$ 20 mil, reforçou sua opção pela poupança porque muitos tomaram conhecimento do custo de se investir em fundos e viram que, na maioria das vezes, a caderneta é mais vantajosa", diz.

Gallo lembra que a ameaça da cobranaça do IR abriu uma ampla discussão sobre o custo dos investimentos. "Isso foi saudável porque muita gente tomou conhecimento pela primeira vez de quanto paga para aplicar". Apesar da intenção do governo, a discussão foi engavetada, o que acabou com a preocupação sobre o tema.

O professor de finanças acredita que, apesar do esperado aumento da demanda de mercadorias, as cadernetas devem continuar atraindo investidores em 2010. Para ele, muitos brasileiros vão usar o crédito para consumir e, por isso, haverá alguma folga para poupar. "Do ponto de vista econômico, não faz sentido porque certamente o juro pago no financiamento será maior que o rendimento da aplicação, mas muita gente se sente mais confortável assim: consumir com crédito e, ao mesmo tempo, poupar", afirma. Gallo diz que se houver sobra de caixa, é melhor, do ponto de vista financeiro, pagar à vista ou quitar a dívida futura em vez de poupar.

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