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27/05/15 08:28 / Atualizado em 27/05/15 08:28

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Caixa reduz contratações e entidades representativas cobram mais empregados

Na mesa de negociação permanente, o banco informou que em março e abril contratou apenas 48 novos empregados, enquanto foram desligados 1.341. CEE/Caixa reivindicou o aceleramento das contratações

Fenae Net

A Comissão Executiva de Empregados (CEE/Caixa – Contraf/CUT) voltou a cobrar da Caixa Econômica Federal, nesta terça-feira (26), em Brasília (DF), o aceleramento das contratações. Pelo aditivo ao Acordo Coletivo de Trabalho 2014/2015 (ACT), a empresa deve contratar até o fim do ano mais dois mil novos empregados. Entretanto, pelos números apresentados durante a mesa permanente de negociação, ocorrida nesta terça-feira (26), o ritmo de admissões está muito aquém das necessidades reais do banco. De 1º de março a 30 de abril foram realizadas apenas 48 admissões e 1.341 desligamentos. O número de desligados pode ser ainda maior, considerando que nesta sexta-feira, dia 29 de maio, termina o prazo para os trabalhadores que aderiram ao Plano de Apoio a Aposentadoria (PAA) efetivar seu afastamento.

“Deixamos claro para a Caixa que, além da contratação de mais dois mil novos empregados, queremos que faça também a reposição de todas as pessoas que estão deixando a empresa por conta do PAA”, destacou a coordenadora da CEE/Caixa e diretora de Administração e Finanças da Fenae, Fabiana Matheus.

Quando o ACT foi fechado em outubro do ano passado, não havia perspectiva de realização do PAA e a Caixa negava, nas negociações, que pretendia lançar um novo plano de apoio à aposentadoria. “O quantitativo de dois mil era para reduzir a carência de pessoal já existente nas unidades e que gera a sobrecarga de trabalho e adoecimento dos trabalhadores, e não para suprir vagas de um eventual PAA”, explica Genésio Cardoso, membro da CEE/Caixa.

Números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados nesta terça-feira, confirmam a retração de contratações na Caixa. O banco que, até as pesquisas divulgadas anteriormente era o único a criar vagas enquanto as outras instituições financeiras demitiam, apresentou saldo negativo de 634 vagas a menos no mês de abril. Nos quatros primeiros meses de 2015, a Caixa cortou 977 empregos.

Contratando a passos lentos, a Caixa impõe condições precárias de trabalho e de atendimento à população. Membros da CEE/Caixa relataram, mais uma vez, o funcionamento de agências com número reduzido de pessoal, algumas delas com apenas cinco empregados. “Visitamos quatro agências no Ceará que funcionavam com apenas cinco empregados. Essa situação é grave e requer uma solução urgente”, destaca Marcos Saraiva, membro da CEE/Caixa e diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará.

A Caixa contesta a denúncia e alega que a média por unidade é de sete empregados e que não há previsão de redimensionamento do quadro de pessoal. A CEE/Caixa solicitou que o banco apresente na mesa permanente os conceitos da metodologia utilizada para definir o quantitativo de funcionários por unidade. Os interlocutores da empresa ficaram de avaliar com a área responsável a possibilidade de atender à reivindicação.

Outra questão que preocupa as representações dos trabalhadores e foi colocada em discussão é a vinculação da lotação das unidades à produtividade. Os representantes da Caixa admitiram que este é um dos critérios levados em conta pela área de gestão ao definir novas contratações. Ou seja, faz parte da estratégia do banco reforçar o quadro de pessoal das agências que apresentam maior produtividade e rentabilidade.

Na avaliação da CEE/Caixa, se a empresa mantiver essa política há risco de fechamento de agências e precarização do atendimento à população mais carente. “Não é essa atuação que defendemos para a Caixa. Defendemos um banco 100% público, que tem um papel social importante, na execução de políticas públicas e que promove o desenvolvimento do país”, ressaltou Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae.

Para o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo e membro da CEE/Caixa, Dionísio Reis, as medidas adotadas pelo banco são incoerentes. “É uma lógica para retrair a empresa e não de crescimento. Como uma unidade com cinco empregados vai ser produtiva? Esta política da Caixa é incoerente”, questiona.

A Caixa informou que está fazendo um redimensionamento da rede de atendimento, por conta de restrições orçamentárias. Em 2015, deverá abrir 15 agências.

Substituições

A Caixa tem adotado outras medidas que precarizam as condições de trabalho e restringem os direitos dos seus empregados. Uma delas foi a CE 055, em vigor desde 13 de abril, que restringe por períodos menores que sete dias as substituições “em cascata” de empregados que executam temporariamente funções gratificadas e cargos em comissão.
No dia 7 de maio, a CEE/Caixa reivindicou em ofício encaminhado à direção da empresa a revogação dessa circular. Na negociação permanente, os interlocutores do banco afirmaram que a empresa não pretende revogar a medida. Para a representação nacional dos empregados, isso representa um desrespeito ao direito do empregado que substitui. O pleito foi mantido.

A Comissão Executiva dos Empregados cobrou também da Caixa o cumprimento da cláusula 56 do ACT, que prevê melhorias nas condições de trabalho dos tesoureiros. O segmento sofre com problemas de estrutura física, segurança, falta de pessoal e sobrecarga de trabalho, entre outros problemas.

A Caixa alegou que já foram implementadas algumas ações como a revisão das atividades com a melhoria dos processos, digitalização dos documentos, acertos operacionais, conta acerto centralizada na Gerência de Retaguarda. Para o segundo semestre está previsto conferência de cheques diretamente pela Giret e automação da rotina de custódia.

Outro segmento que o banco ainda não contemplou é a tecnologia. Na ata de fechamento do acordo 2014/2015, a Caixa se comprometeu a apresentar até o fim do primeiro semestre deste ano uma proposta de carreira da TI. A coordenadora da CEE/Caixa lembrou que essa foi uma expectativa criada pela própria empresa na campanha salarial do ano passado. O vice-presidente da área prometeu aos trabalhadores da área o atendimento a essa reivindicação. Os representantes da Caixa informaram que está sendo feito estudo e que o tema será apreciado pelas instâncias do banco. A CEE/Caixa solicitou celeridade no processo.

A representação nacional dos empregados pediu também informações sobre reestruturação da área-meio. A empresa alegou que contratou uma consultoria para fazer melhorias de processos. “Na prática a reestruturação está acontecendo. Tem havido enxugamento da área-meio e reivindicamos que a Caixa apresente aos trabalhadores como está se dando esse processo para fazermos uma discussão e evitar que os empregados sejam ainda mais prejudicados”, destaca Dionísio Reis, diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

A CEE/Caixa também solicitou esclarecimentos sobre os contratos de vigilantes e telefonistas. Os representantes da Caixa alegaram que os contratos estão sendo renovados na medida em que vencem os prazos de vigência.

Fóruns Regionais Condições de Trabalho
Ficou definida a prorrogação até 31 de agosto do prazo para conclusão dos trabalhos dos pilotos dos Fóruns Regionais de Condições de Trabalho. A prorrogação foi solicitada pela CEE/Caixa visando assegurar o aprofundamento dos debates. Os pilotos estão em andamento em Brasília (DF), Campinas (SP), Curitiba (PR), Fortaleza CE), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP).

O objetivo é buscar medidas para prevenir e combater problemas relativos ao cumprimento da jornada de trabalho, assédio moral, cobrança por metas abusivas e falta de estrutura das unidades.

A criação desses fóruns regionais, integrados por representantes dos trabalhadores e do banco, foi um desdobramento das discussões realizadas no ano passado pelo Fórum Nacional de Condições de Trabalho, uma conquista da campanha salarial 2014 e das negociações permanentes.

Ficou agendada para o dia 16 de junho a primeira reunião do Fórum Nacional de Condições de Trabalho.

Saúde Caixa

A Comissão Executiva dos Empregados referendou o acordo para destinação do superávit do Saúde Caixa com uma ressalva, a de que a redução da coparticipação de 20% para 15% entre em vigor em 1º de julho deste ano. A Caixa defende que isto só ocorra a partir de janeiro de 2016 e informou que a reivindicação será levada para discussão.

A redução da coparticipação foi uma das três propostas sugeridas pelo Grupo de Trabalho, instalado em 30 de outubro do ano passado, para debater a metodologia de utilização do superávit do plano de saúde dos empregados da Caixa. O acordo prevê ainda estudo para estender aos dependentes dos beneficiários um dos programas de promoção à saúde utilizados pelo banco e a remoção por ambulância em situações de emergência. “Nosso objetivo sempre foi construir uma proposta sustentável para o plano e que gere benefícios aos seus usuários”, destacou Fabiana Matheus.

Banco de habilitados

A CEE/Caixa registrou na mesa permanente protesto contra o processo seletivo para o banco de habilitados. Segundo a representação dos empregados, falta transparência e credibilidade na seleção. Pelas regras estabelecidas unilateralmente pela empresa, os candidatos não podem recorrer dos resultados.

A representação nacional dos empregados recebeu várias queixas referentes às provas para assistente júnior e assistente pleno, realizada no início deste mês. Problemas como cobrança indevida de conteúdo, questões mal redigidas e falta de local adequado para realização das provas foram relatados. “Logo após a primeira prova, recebemos inúmeras reclamações e esperamos ser ouvidos pela Caixa e contribuir com melhorias no processo de seleção”, destaca o diretor do Sindicato dos Bancários de Brasília, Wandeir Severo.

Foi reivindicado, pelos trabalhadores, que seja suspensa a trava de seis meses para garantir aos candidatos não aprovados nessa seleção, e que se sentiram prejudicados, que se inscrevam em novo processo. A Caixa ficou de levar para área responsável as denúncias e reivindicação das entidades.

Adiantamento odontológico
A Caixa confirmou que o adiantamento foi suspenso, porque vai ser revista sua metodologia. Os representantes dos trabalhadores solicitaram celeridade no posicionamento da empresa, porque o adiantamento foi criado para custear serviços que não são cobertos pelo Saúde Caixa.

Incorporação do REB

A proposta de metodologia para incorporar o REB ao Novo Plano, já aprovada pelo Conselho de Administração da Caixa, ainda não foi enviada ao Dest, segundo informaram os representantes da Caixa.

Agência-barco
A Caixa informou que realizará na última semana de junho visitas técnicas nas agências-barcos para averiguar as condições de funcionamento dessas unidades. A CEE/Caixa reivindicou que o trabalho seja acompanhado por representantes das entidades sindicais. Os representantes da empresa acataram o pedido.

Escala de revezamento
A Caixa ajustou o Sistema da Ponto Eletrônico (Sipon) na data limite de 13 de abri, prevista na cláusula 19 do ACT 2014/2015, para atender às áreas que estão sujeitas a escala de revezamento.

Nova negociação

A próxima reunião da mesa permanente de negociação foi agendada para o dia 20 de julho.

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