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23/04/20 17:54 / Atualizado em 23/04/20 19:29

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Caixa pressiona retorno “voluntário” dos empregados Caixa ao trabalho, alerta a presidenta da Contraf-CUT

Durante o debate sobre a importância do SUS e dos trabalhadores no combate à pandemia, Juvandia Moreira reforçou que a eventual volta dos empregados em home office ao trabalho tem que estar no processo de negociação com a Fenaban

Durante a transmissão da live no Facebook realizada na noite nesta quarta-feira (22) pela Contraf-CUT, a presidenta da entidade, Juvândia Moreira, fez um alerta aos trabalhadores do Banco. “Temos notícia que a Caixa está querendo chamar, provavelmente a mando do governo, os trabalhadores de volta. Nós não vamos aceitar isso. Nós fizemos negociação para colocar as pessoas em casa e para voltar ao trabalho só por negociação coletiva”, afirmou.

“Mandamos ofício para a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) pedindo negociação para discutir o tema. Assim, como foi feito quando eles foram colocados em home office, o retorno também tem que ser negociado com o Comando. Não existe retorno voluntário”, disse a presidenta Contraf-CUT, que é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários. “Quem será responsável se aumentar o contágio ou óbitos de bancários? Orientamos os empregados e empregadas a não retornarem”, completou.

Contribuíram também para o debate sobre a importância do SUS e dos trabalhadores no combate à pandemia, a médica do trabalho e diretora da Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), Maria Maeno, a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde no Estado de São Paulo (SindSaude-SP), Cleonice Ribeiro e o diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fausto Augusto Junior.

Medidas provisórias e ações do Governo - Juvândia Moreira e Fausto Júnior criticaram as medidas provisórias adotadas pelo Governo para o enfrentamento da pandemia. Além de retirar direitos, como a MP 936, as medidas desprotegem e colocam em risco a saúde dos trabalhadores.

O artigo 29 da MP 927 estabelece que “os casos de contaminação pelo coronavírus (covid-19) não serão considerados ocupacionais, exceto mediante comprovação do nexo causal”. Na prática, segundo Fausto Júnior, isso significa que a maior parte dos trabalhadores que estão em risco por exercerem atividades essenciais sequer terão a caracterização de acidente de trabalho. “Se um trabalhador morrer pela Covid-19, a pensão que vai ficar para a família é de 60% porque não vai conseguir caracterizar que a doença foi decorrência da atividade essencial. Isso é maldade”, explicou.

A logística do Governo para garantir o Auxílio Emergencial foi um erro, na opinião de Juvândia Moreira. Ela explica que as filas formadas em frente às agências acontecem porque o Governo não forneceu orientações adequadas à população sobre como proceder para receber o auxílio. “É preciso, urgentemente, uma ação do Governo para articular com outros segmentos, descentralizar o atendimento na Caixa. Mas o Governo criou um problema e jogou nas costas dos bancários”, disse. “A Caixa é um banco super importante e tem prestado um serviço fundamental para a população. Os empregados estão fazendo um trabalho heroico”, acrescentou.

Confira outros assuntos do debate:

O SUS e a pandemia da Covid-19 – A Constituição Federal estabeleceu que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Assim, foi criado o Sistema Único de Saúde (SUS). Dos países com mais de 200 milhões de habitantes, o Brasil é o único que possui um sistema de saúde gratuito para a população e garante assistência integral a quase 80% dos brasileiros.

“Quem observa hoje o cenário da pandemia sabe a importância que o Sistema Único de Saúde tem. Sem ele, não teríamos nem os dados sobre a doença”, destacou a médica do trabalho Maria Maeno.

Para Juvândia, apesar das tentativas do governo em sucatear os SUS, ele é a maior garantia de combate ao Covid-19. “Os ricos vão para os hospitais privados. O restante da população vai para hospitais públicos, que o governo vem tentando sucatear há tempos, cortando pesquisas e investimentos”, disse ao lembrar a Emenda Constitucional 95, que limitou os investimentos em saúde e educação. De acordo com estudo do Conselho Nacional de Saúde (CNS), a emenda já retirou R$ 20 bilhões do SUS.

Apesar das deficiências e do número de casos que segue aumentando, o SUS é uma grande arma do país para enfrentar o novo coronavírus. Dados do ministério da saúde desta quarta-feira mostram que o Brasil tem aproximadamente 3 mil mortes e quase 46 mil casos de coronavírus oficialmente confirmados. Maeno ressalta que o número pode ser muito maior. “Estudos mostram que esse número é de 7 a 15 vezes maior. Então, já podemos ter 30 mil mortes e 600 mil pessoas com a doença”, revela. A especialista lembrou que alguns governos já começaram a fazer um relaxamento na quarenta sem respaldo da Ciência. Para ela, o conhecimento científico acumulado por estudiosos do mundo inteiro é que deve nortear os políticos a tomarem decisões e não o contrário. “Nossos dados e informações mostram que se não tivermos uma rigidez no distanciamento social, estaremos à beira de uma catástrofe”.

A presidenta do SindSaude-SP, Cleonice Ribeiro, também alertou sobre o problema. Para ela, o retorno às atividades deve ser muito bem estudado e planejado, com garantias e testagem ampla da população.  “Infelizmente vamos passar por períodos muito difíceis. Isso é só o começo. Nossos hospitais não vão dar conta de atender a todos. E eu não gostaria de ter que escolher entre uma vida e outra”, lamenta.

Condições de trabalho - Ribeiro estima que cerca de 1.500 profissionais de saúde de São Paulo já foram afastados por adquirirem a Covid-19. Só no Hospital das Clínicas, são 400 casos. A faixa-etária dos trabalhadores é de 50 a 60 anos. São 106 médicos com 70 anos apenas nesta instituição. “Nossa luta com o governo do Estado é para que afaste ao menos os trabalhadores que têm comorbidades”, explica. Existem trabalhadores transplantados, com câncer, diabetes e pressão alta que continuam trabalhando. “É sentença de morte para esses trabalhadores que passaram a vida carregando o SUS nas costas”. Ribeiro também observa que estes profissionais atendem os casos mais difíceis da doença. Hospitais particulares enviam ao SUS os pacientes de alta complexidade.

Sobre os planos de saúde, o diretor do Dieese, Fausto Júnior, fez uma análise. Atualmente apenas 1/4 da população brasileira tem plano privado. Ou seja, 3/4 vão para o SUS. Com o aumento da taxa de desemprego, o número de pessoas com plano de saúde vem diminuindo. Do total de estabelecimentos de saúde, 2/3 são privados - apenas 1/3 é vinculado ao SUS. “Veja bem a inversão das prioridades. Temos 3/4 da população dependendo exclusivamente do SUS e na outra ponta só 1/3 dos estabelecimentos são vinculados ao SUS. É por isso que está morrendo mais gente na Brasilândia do que no Jardins”.

Desemprego no pós-pandemia – Fausto Júnior considera o cenário atual bastante preocupante e avalia que o período pós-crise será desafiador.  “Não sabemos até que ponto vamos conter a pandemia, se serão necessários três meses ou três anos. O fato é que não sairemos iguais. No ponto de vista econômico é sabido que teremos, no mínimo, uma recessão e muito provavelmente uma depressão”. Ele lembra que a única referência que temos sobre este cenário foi a gripe espanhola, há mais de 100 anos, quando o mundo vivia outra realidade econômica. Hoje analisa que nunca se colocou tanto dinheiro, em especial nos países centrais, para dentro do mercado. Ainda assim, o país deve esperar algo muito complexo e difícil de enfrentar. “Estamos estimando que passaremos de 17 milhões de desempregados até dezembro deste ano. É assustador! O mais próximo que chegamos a isso foi na década de 1990, no auge da crise do desemprego”.

 

 

 

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