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27/03/08 06:56 / Atualizado em 13/12/08 10:55

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BNDES e fundações vão bancar compras do Friboi

Um fundo de investimentos em participações (FIP) que terá como cotistas o BNDES e os fundos de pensão Petros e Funcef, além do JP Morgan, vai financiar parte das últimas aquisições feitas pela JBS-Friboi no exterior, que somaram US$ 1,7 bilhão. O valor total do fundo pode ficar entre R$ 1,4 bilhão e R$ 1,720 bilhão. O BNDESPar terá 45% de participação no novo fundo, Petros e Funcef ficarão com 25% cada um e o JP Morgan, com 5%. Com a participação no capital da JBS, desta vez indireta, a fatia do BNDES na empresa será de quase 21%.

O novo fundo, que está em fase de aprovação pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entrará na JBS na próxima operação de aumento de capital da empresa, na qual serão ofertadas, em emissão para subscrição privada, 360,678 milhões de novas ações, o equivalente a R$ 2,550 bilhões.

A emissão foi o meio encontrado pela brasileira JBS para pagar pelas três novas empresas adquiridas no exterior, a National Beef e a Smithfield Beef, nos Estados Unidos, e o Tasman Group, na Austrália, no início deste mês.

O fundo terá uma participação de 16,7% no capital da JBS. Hoje os controladores têm 64% do capital da empresa, o BNDESPar, 12,95% e o restante está em circulação no mercado. Com o aumento do capital via subscrição de ações, a participação do controlador cairá para 50,10%.

O presidente do fundo de pensão da Petrobras, Wagner Pinheiro, afirma que o investimento na JBS se encaixa na estratégia da Petros de diversificação e de migração de recursos de títulos públicos federais para a renda variável. O Petros também quer aumentar os investimentos no setor de alimentos. "Olhamos empresas de escala mundial", diz Pinheiro.

Outra companhia, também internacionalizada, que está no portfólio de investimentos da Petros é a Perdigão. O fundo tem 12% do capital da empresa. "Entramos na Perdigão em 1994 e nesses 14 anos, a rentabilidade real obtida foi superior a 25% em média por ano", afirma.

Em relação à JBS, Pinheiro não faz previsões sobre rentabilidade, mas diz que a perspectiva é boa. O certo, em sua avaliação, é que no médio prazo (5 a 10 anos), "a possibilidade de valorização é muito superior às taxas de títulos públicos federais".

Além de a JBS ter produção em diversos países, o que reduz os riscos em caso de eventuais embargos como o imposto temporariamente pela União Européia no começo deste ano, Pinheiro observa que "o consumo de carne [em países ricos] não se altera em casos de recessão".

Também em busca de diversificação em seus investimentos, a Funcef, fundo de pensão da Caixa Econômica Federal, terá 25% do novo fundo. O presidente da Funcef, Guilherme Lacerda, vê boas perspectivas de rentabilidade no médio prazo e destaca a internacionalização da JBS como fator de atração para o investimento. O crescimento rápido da JBS, que assusta/surpreende analistas, anima Lacerda. "É uma empresa pé no chão, que conhece o setor".

Eventuais impactos da crise internacional sobre o desempenho do setor de carnes também não assustam Lacerda. "O mercado internacional de carne tem elasticidade de renda diferente. Não é a crise nos EUA que fará o americano parar de comer hambúrguer", observa. Nos Estados Unidos, a JBS já havia adquirido a Swift em meados do ano passado, por US$ 1,4 bilhão.

Para contar com a participação do novo fundo em seu capital, a JBS se comprometeu com melhorias em sua governança corporativa. O novo fundo terá direito a um representante no conselho de administração da empresa, que terá comitês de finanças e de auditoria. Além disso, entre outras alterações, será criado um conselho fiscal permanente e a empresa terá de publicar balanço socioambiental, segundo o presidente da Petros.

BNDES terá participação de quase 21%

O BNDESPar, braço de participações do Banco Nacional de Desenvolvimento Social, vai aumentar seu peso no capital da JBS-Friboi. Hoje, a participação é de 12,95%, mas a entrada do novo fundo de investimentos em participações no capital da companhia elevará a fatia do BNDESPar para entre 19,2% e 20,9%, informou uma fonte do banco ao Valor.

Junto com Petros, Funcef e JP Morgan, o BNDESPar será cotista no novo fundo, que pode chegar a R$ 1,720 bilhão, e terá participação de 16,7% na JBS. Como cotista do fundo, o BNDESPar terá participação indireta no capital da empresa entre 6,25% e 7,95%, de acordo com a mesma fonte. Somados aos atuais 12,95%, a fatia pode alcançar quase 21%.

Enquanto a Funcef e o Petros desembolsarão, cada um, no máximo R$ 425 milhões, o aporte do BNDES no novo fundo pode alcançar R$ 776 milhões.

Em meados do ano passado, o BNDESPar virou sócio da JBS, com a injeção de R$ 1,463 bilhão, recurso usado na aquisição da americana Swift. Antes disso, já tinha ajudado a financiar a compra da Swift Armour na Argentina, em 2005.

O apoio do BNDES à JBS na sua estratégia de internacionalização, é alvo de críticas, principalmente de pecuaristas. O banco, porém, vê a empresa como um "bom cliente" e tem a percepção de que o setor de carne vive um momento favorável. Além disso, aposta em crescimento e considera que há um "bom potencial" de retorno para sua carteira de renda variável, diz a fonte.

A agressividade da JBS - que só em 2007 comprou empresas nos Estados Unidos, Argentina e participação em companhia na Itália - parece não assustar o BNDES. Mas o mesmo não se pode dizer de analistas do setor e concorrentes que, vira-e-mexe afirmam que os últimos passos da JBS foram arrojados demais.

O futuro dirá quem fez a melhor aposta. O certo, por ora, é que com as três recentes aquisições nos EUA e Austrália, a JBS se firma como a maior empresa do setor de carne bovina do mundo, alcançando uma receita líquida de US$ 21,6 bilhões.

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