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21/12/2015 09:39 / Atualizado em 21/12/2015 10:36

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Bancos continuam demitindo apesar dos lucros elevados

Só em novembro foram quase 2 mil cortes. Estratégia de eliminar postos de trabalho e de contratar novos funcionários com salários mais baixos puxa lucro de R$ 54 bilhões para cinco principais bancos só nos primeiros nove meses de 2015

De janeiro a novembro de 2015 as instituições financeiras extinguiram 8.247 vagas. Só em novembro foram 1.928 postos a menos. É o que revela o cadastro Geral de Empregados e Desempregos (Caged), divulgado na sexta-feira 18. Para o Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, os bancos seguem com a estratégia de obtenção de lucros promovendo cortes de postos de trabalho e com a rotatividade.

Dessas dispensas em novembro, 70% foram sem justa causa, o que evidencia a intensificação do processo de eliminação de empregos. Para efeito de comparação, em agosto esse percentual foi de 47%; em outubro 50%; e em julho, quando os bancos públicos promoveram programas de aposentadoria, apenas 22%.

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Rotatividade – E além de lucrar com menos funcionários, os bancos ainda ganham recontratando com salários mais baixos. O Caged revela que os admitidos em novembro ganham em média 64% do que os demitidos no mesmo mês. No acumulado do ano, os ganhos dos contratados representam 56% daquilo que recebiam os dispensados.

A discriminação de gênero também continua, embora tenha diminuído. O salário das mulheres admitidas entre janeiro e novembro de 2015 corresponde a 81% do que ganham os homens contratados no mesmo período. Entre os demitidos essa relação era de 76%. Se for levado em consideração apenas o mês de novembro, o salário das bancárias admitidas representa 76% do que recebem os bancários contratados. Já entre os dispensados, as mulheres recebiam 64% do que seus colegas que foram mandados embora.

E a quantidade de clientes vem aumentando, ao mesmo tempo em que o número de funcionários diminui, o que acentua o quadro de sobrecarga de trabalho, metas abusivas e assédio moral. Somados, os cinco maiores bancos possuíam em outubro deste ano 303 milhões de clientes ante 292 milhões no mesmo mês do ano passado. São 11 milhões de correntistas a mais em apenas um ano.

A insuficiência de empregados é uma realidade que também afeta as unidades da Caixa em todo o país.

Todos esses índices explicam os resultados cada vez mais incríveis dos bancos. As cinco principais instituições financeiras que atuam no país (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander) lucraram R$ 54,3 bilhões nos primeiros nove meses de 2015, aumento de 23,6% em relação ao mesmo período de 2014, quando ganharam R$ 45,2 bilhões.

Marta Soares, diretora executiva do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, critica a desproporcionalidade entre o que os bancos ganham da população com a cobrança de tarifas e juros e aquilo que retornam para a sociedade.

“Os bancos são concessões públicas e por isso têm o dever de proporcionar contrapartidas sociais, como a diminuição das taxas de juros abusivas que sufocam a sociedade, e a contratação de mais funcionários para atender melhor a população e aliviar a sobrecarga de trabalho, que gera as cobranças exageradas de metas, o assédio moral e o adoecimento.”

O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados – CAGED, é um registro Administrativo instituído pela Lei n° 4923 em dezembro de 1965, com o objetivo de acompanhar o processo de admissão e demissão dos empregados regidos pelo regime CLT e dar assistência aos desempregados.

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