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21/01/14 06:17 / Atualizado em 21/01/14 06:17

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Bancários repudiam bancos por agências funcionarem sem vigilantes em Pernambuco

Principal item de debate do encontro foi a paralisação parcial dos vigilantes de agências bancárias, que estão em campanha salarial. Postura da Febraban foi criticada pela Contraf/CUT e pelo Seeb/PE

Fenae Net

A paralisação parcial dos vigilantes de agências bancárias em Pernambuco, que estão em campanha salarial, foi o principal tema debatido na terceira reunião do Grupo de Acompanhamento do Projeto-Piloto de Segurança Bancária, realizada nesta segunda-feira, dia 20, em Recife (PE). Algumas unidades funcionaram com "expediente interno", mesmo sem a presença dos vigilantes, que aderiram à paralisação. O fato foi bastante criticado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) e pelo Sindicato dos Bancários de Pernambuco.

Diante das críticas, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) alegou que as agências funcionaram em esquema de contingenciamento, tentando convencer os bancários de que não houve movimentação de numerário, “embora a ocorrência de expediente interno não signifique que não haja numerário”. Foi lembrado, inclusive, que a abertura de agências sem a presença de vigilantes armados e com coletes a prova de balas foi uma afronta à lei 7.102/83, descumprindo ainda o acordo do projeto-piloto.

Na reunião desta segunda-feira, a Contraf/CUT exigiu da Febraban que os funcionários das agências que estavam sem vigilantes fossem liberados do trabalho, tendo em vista que a segurança estava comprometida. Essa reivindicação, no entanto, foi negada pelos bancos, sob o argumento de que essa presença só se justificava em caso de movimentação de numerário. Isso mostra, segundo a Contraf/CUT, que os banqueiros estão mais preocupados com a segurança do dinheiro do que com a vida dos bancários.

Diante da negativa da Febraban, e após a reunião do projeto-piloto, a Contraf/CUT e o Seeb/PE se dirigiram até a Polícia Federal, para denunciar o desrespeito dos bancos com a legislação. A Polícia Federal é responsável por aprovar o plano de segurança das agências e fiscalizar se ele está sendo cumprido ou não. "Os bancos estão brincando com a vida dos bancários e isso não vamos permitir", protestaram os representantes da categoria bancária.

Efeitos dos projeto-piloto
Pela primeira vez, os comandos das Polícias Civil e Militar participaram da reunião do Grupo de Acompanhamento do Projeto-Piloto, uma reivindicação da Contraf/CUT e do Seeb/PE. Durante o encontro, as polícias apresentaram dados que mostram que a instalação dos itens de segurança já começa a fazer efeito.

Segundo os dados apresentados, o crime conhecido como "saidinha de banco" retraiu nas três cidades onde o projeto-piloto foi implantado. No Recife, a redução deste tipo de crime foi de 52,9% (de 314 ocorrências em 2012 para 148 em 2013). Em Olinda houve uma redução de 29,2% (de 65 para 46) e em Jaboatão a queda foi ainda maior: 64,4% (de 73 para 26).

Na avaliação da Contraf/CUT, isso é reflexo do projeto-piloto. A entidade diz que “a instalação dos biombos em frente aos caixas tem garantido a privacidade dos clientes nas transações, assim como a colocação das câmeras nas áreas internas e externas das agências tem inibido a ação dos bandidos".

O número de roubos a banco também caiu de 2012 para 2013: de 29 para 24 ocorrências, uma redução de 17,2%. Mas esses números se referem a Pernambuco. Nos próximos encontros, a polícia vai apresentar dados mais detalhados para a verificação da situação de Recife, Olinda e Jaboatão, após a instalação do projeto-piloto.

Boletins de Ocorrências
Durante a reunião, os comandos das Polícias Civil e Militar relataram que os bancos têm deixado de registrar Boletins de Ocorrências. Também há casos em que as instituições financeiras registram os BOs com mais de vinte dias de atraso, o que dificulta o trabalho policial.

Foi lembrado que, em 2010, os bancários conseguiram incluir na Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) a obrigatoriedade de os bancos registrarem Boletim de Ocorrência.
Essa situação é mais uma prova de que os bancos estão desrespeitando a convenção. Com base nessas informações, os bancários reiteraram a reivindicação de acesso às cópias dos BOs como forma de fiscalizar o cumprimento da CCT. Mas os bancos alegaram que os dados são confidenciais, por questões de segurança.

Outra reclamação da polícia aos bancos foi sobre a péssima qualidade das imagens e do posicionamento inadequado de parte das câmeras de segurança, o que têm dificultado o reconhecimento dos criminosos. A polícia citou um caso em que o próprio vigilante não se reconheceu nas imagens.

Como o projeto-piloto garante a instalação de câmeras nas áreas externas e internas das agências, a qualidade das imagens precisa ser boa para que os bandidos possam ser identificados. Na ocasião ainda, a polícia destacou a importância do monitoramento dessas câmeras ser feito em tempo real, o que é uma antiga reivindicação do movimento sindical bancário.

Nova reunião do Grupo de Acompanhamento do Projeto-Piloto será realizada na segunda quinzena de fevereiro, dessa vez em São Paulo. O encontro será ampliado com a participação da coordenação do Comando Nacional dos Bancários e do Coletivo Nacional de Segurança Bancária da Contraf/CUT.

Reunião com as agências
Nesta terça e quarta-feira, dias 21 e 22, o Grupo de Acompanhamento do Projeto-Piloto realiza reuniões com representantes das 209 agências de Recife, Olinda e Jaboatão.

O objetivo do encontro, proposto pelo Seeb/PE e pela Contraf/CUT, é informar aos gestores sobre o andamento do projeto-piloto e envolvê-los na luta por mais segurança nos bancos. Serão quatro reuniões, uma para cada grupo de cerca de 50 gerentes, com duas horas de duração.

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