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10/09/07 06:20 / Atualizado em 13/12/08 10:55

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Balanço dos bancos concentra atenções

Apesar de as bolsas de valores em todo o mundo terem se recuperado, a crise de liquidez nos mercados de crédito dos Estados Unidos e Europa é "muito séria". Essa é a visão do inglês John Calverley, economista chefe e estrategista do American Express Bank. Para ele, se a situação não se normalizar nas próximas semanas, há um risco real de que os gastos das empresas e suas decisões de investimentos sejam afetadas, com forte impacto no crescimento econômico no mundo todo, inclusive nos mercados emergentes. Ele não vê esse cenário como o mais provável, no entanto, pois espera atitudes coordenadas das autoridades monetárias, dos governos e dos bancos de investimento para trazer de volta "a vontade de emprestar". Segundo Calverley, a crise de inadimplência nas hipotecas de alto risco nos Estados Unidos já teve um efeito sistêmico, atingindo o mundo todo e chegando a provocar a intervenção em dois bancos alemães. "É necessário ficar claro ao mercado que as perdas com a crise são gerenciáveis e que nenhuma outra instituição financeira está em perigo", afirma. Por isso, as tensões devem continuar pelo menos até o dia 20 deste mês, quando começam a vir a público os balanços dos maiores bancos em todo o mundo.

O executivo-chefe do Deutsche Bank, Josef Ackerman, chegou a sugerir ao "Financial Times" que os bancos de investimento deixem mais claro aos investidores o tamanho de seus prejuízos o quanto antes. O debate sobre a necessidade de um socorro privado para trazer a liquidez de volta a alguns mercados e estabelecer preços para estruturas mais complexas de crédito também foi levantado. Os fundos abutres que compram crédito podre nos mercados têm atuado, segundo Calverley, mas de forma insuficiente diante da gravidade da situação. A idéia seria que alguma autoridade monetária coordenasse esses esforços privados, nos moldes da reunião entre os bancos de investimento promovida pelo Fed, banco central americano, em 98, que forçou uma ajuda privada ao fundo Long Term Capital Management (LTCM), que quase quebrou e apresentava risco sistêmico. Não são poucos os que defendem um socorro mais amplo do governo americano aos mutuários americanos na renegociação de suas dívidas, fornecendo amplas garantias.

O governo precisa agir, diz Calverley, pois a crise no mercado imobiliário americano está apenas começando. "Os preços das moradias só começaram a cair", afirma ele, que acredita em quedas de 10% a 12% nos preços daqui a um ano. As hipotecas com juros pós-fixados também apenas começaram a ter suas prestações reajustadas. "O pior ainda está por vir", diz Calverley. Ele considera que a crise vai reduzir os gastos do consumidor americano daqui para a frente com maior vigor. O economista faz questão de deixar claro, no entanto, que não acredita em um "colapso no consumo". Para ele, o PIB americano vai crescer 2,5% neste ano e 2% em 2008. "O Fed deve baixar os juros básicos para impulsionar a economia", diz ele. Para Calverley, as bolsas estão calmas nesse momento, pois o mercado não acredita que o Fed vai deixar a economia entrar em uma recessão. As bolsas, afirma ele, estão antecipando a queda dos juros básicos americanos, em no mínimo 0,25 ponto percentual na reunião do dia 18. Ele acredita em outro corte de mais 0,25 ponto ainda neste ano, pois não vê risco de a inflação passar os 2% ao ano. "As notícias do mundo corporativo são positivas, as empresas estão com balanços fortes e com muitas encomendas de exportação", diz. Se esse cenário de crescimento menor, mas sem recessão, e de queda de juros se confirmar, o mercado de ações pode se beneficiar, com destaque para os mercados da Ásia e da América Latina, acredita. "Os fundamentos de alguns dos países emergentes nunca foram tão bons", diz ele, que recomenda, no entanto, muita cautela na gestão de recursos neste momento.

Na semana passada, ficou claro que a política de injeção maciça de recursos por parte do Fed, do Banco Central Europeu (BCE), do Banco da Inglaterra e do Banco do Japão nos mercados não tem sido suficiente para trazer o mercado à normalidade. A Libor (taxa de juros entre bancos na Inglaterra) em dólar explodiu para os níveis mais altos desde janeiro de 2001: 5,72% ao ano. É um sinal claro da falta de apetite no crédito privado. Na quinta-feira, o BCE não subiu as taxas de juros básicas de 4% e o Banco da Inglaterra também manteve os juros a 5,75% ao ano. O BCE injetou US$ 57,7 bilhões nos mercado e o Fed, mais US$ 31 bilhões. Mas, a Libor de três meses permaneceu lá em cima. No total, já se aproxima dos US$ 500 bilhões o volume injetado pelos BCs dos países ricos desde o início de agosto.

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